A Polícia Civil investiga a morte de um lavrador, de 39 anos, que deu entrada no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, para tratar uma fratura no queixo. Segundo denúncia de familiares, durante o atendimento, Gilberto Aurich teria recebido doses de sedativo sem prescrição médica e entrado em parada cardiorrespiratória.
O advogado da família de Gilberto, Leandro Sarnaglia, explicou à reportagem que o paciente foi encaminhado do município de Itaguaçu, na Região Serrana do Espírito Santo, para o centro médico na Capital no dia 08 de abril, devido a uma fratura no queixo, provocada por um acidente de moto.
De acordo com Sarnaglia, após receber de um enfermeiro quatro doses de sedativo de uma única vez, sem prescrição médica, Gilberto ficou 12 minutos em parada cardiorrespiratória. O lavrador precisou ser internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde permaneceu por quase dois meses. Há cerca de duas semanas foi para o quarto, mas morreu na madrugada do último domingo (21).
“Logo depois de entrar na UTI, o paciente foi intubado e permaneceu de maneira inconsciente. Os familiares o visitavam, mas ele não apresentava reação. Quando foi para o quarto, continuou da mesma forma, em estado vegetativo”, detalhou o advogado.
Família desconfiou
Como Gilberto foi ao hospital para tratar uma fratura no queixo, a família não entendeu o que teria motivado a parada cardiorrespiratória e resolveu ir em busca de mais informações.
“Após algumas diligências, nós descobrimos que essa parada cardiorrespiratória se deu pela aplicação de diversos sedativos, os quais teriam sido ministrados por um enfermeiro sem a devida orientação médica. O profissional teria acessado indevidamente o sistema, impresso uma receita e falsificado a assinatura de uma médica", disse o advogado.
Segundo Sarnaglia, em boletim unificado (BU) registrado na polícia, a médica que teria tido a rubrica falsificada declarou não ter realizado qualquer atendimento ou prescrição ao paciente e não reconheceu a assinatura aposta no documento.
O que dizem as autoridades envolvidas?
Em nota, a direção do HEUE lamentou a morte e informou que a investigação do caso segue em curso com a Polícia Civil e os demais órgãos competentes. “O Hospital permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos”, frisou.
A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória e, para que a apuração seja preservada, nenhum detalhe será repassado no momento.
Procurado, o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), disse que deu abertura ao Processo Administrativo (PAD) e se encontra em fase de admissibilidade.
"Caso a denúncia seja considerada admissível, será instaurado o devido processo ético para apuração da conduta profissional, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Constatada infração ética, o profissional poderá estar sujeito às penalidades previstas na legislação vigente, que incluem desde advertência verbal, censura, suspensão do exercício profissional até a cassação do direito ao exercício da enfermagem", detalhou.