Robnilson Marciano Laurindo, de 51 anos, passou a manhã em cima de destroços, olhando o que sobrou do imóvel da família que desabou na tarde de quarta-feira (30). Devido a um plantão no trabalho, ele acabou indo para casa de noite e não foi atingido pelos escombros. O pai dele, José Laurindo, de 79 anos, morreu soterrado.
O imóvel era divido em duas residências e um terraço. O primeiro andar era ocupado por Robnilson, o segundo pelo pai — onde também estavam a esposa dele e a irmã dela. Por questão de horas, o filho não foi mais uma vítima do desabamento.
“Eu morava na casa debaixo. A minha sorte é que eu estava trabalhando, estava de plantão ontem. Se tivesse ocorrido depois das 19h30, eu estava ali. Mais um pouquinho e eu tinha ido também”, conta.
Nesta quinta-feira (31), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) esteve no local. O órgão realizou vistorias e constatou que o imóvel apresentava diversos erros na estrutura. Em entrevista dada à repórter Juirana Nobres, da TV Gazeta, o engenheiro do Crea Leonardo Leal destacou que a laje, os pilares e as vigas da estrutura estavam fora de normas técnicas.
PAI HERÓI
Segundo Robnilson, o pai morava na residência, em Flexal II, há 46 anos e era líder comunitário.
“Era meu herói. Meu maior bem se foi. Dia 9 de março ele fez 79 anos e agora está descansando. Muito triste o jeito que ele foi, mas é a vida. Hoje estamos aqui, amanhã não. Ele não era um pai, era uma mamãe, de tão bom que papai era. O que precisávamos, ele não media esforços, dentro da legalidade, para nos ajudar”, relembra.
Vizinhos contaram que José Laurindo tentou salvar a esposa e a cunhada, que também estavam na casa. Sobre isso, Laurindo disse que tudo foi muito rápido.
“Pelo jeito do meu pai, com certeza ele foi tentar tirar elas, mas como foi tudo muito rápido, não deu tempo”, afirma.
PAI DE LAURINDO MORREU
O aposentado José Laurindo, de 79 anos, foi encontrado morto no imóvel. A esposa dele, Aldenir Kobe Gomes, de 79 anos, e a irmã dela, Amália Pereira Gomes, também estavam na edificação e foram retiradas com vida dos escombros e socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Segundo o Corpo de Bombeiros, os militares chegaram ao local, conseguiram retirar duas vítimas e as encaminhou a um hospital, mas foi informada que uma terceira pessoa poderia estar sob os destroços.
A Equipe de Busca com Cães (K9) então foi acionada e, com um cão farejador, conseguiu localizar o corpo da terceira pessoa, o aposentado José Laurindo. Os bombeiros acionaram a Polícia Civil, para os trabalhos de perícia, e a Defesa Civil Municipal, para realizar a avaliação estrutural da edificação.
Em contato com a reportagem de A Gazeta, o filho de Aldenir, Cleverson Gomes, informou que a mãe teve fratura exposta em um dos pés e passou por cirurgia. Já a irmã dela, teve fratura no braço direito e escoriações, além de traumatismo no tórax. A equipe médica, no entanto, avalia a necessidade da cirurgia.