Uma mancha apareceu no mar da Baía de Vitória, próximo à Curva da Jurema, na Enseada do Suá, em Vitória, na manhã de segunda-feira (24). Imagens registradas por um drone mostram uma extensa faixa de coloração escura na água. (Veja acima)
Essa é a segunda vez em cinco meses que uma situação semelhante é registrada no mesmo local. Em março deste ano, uma mancha também apareceu no mar da Cruva da Jurema e chamou a atenção de banhistas.
Em entrevista ao vivo ao telejornal Bom Dia ES, o oceanógrafo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Nélio Augusto Secchin explicou que diferentes fatores podem estar relacionados ao fenômeno. Segundo ele, somente a análise de imagens e de amostras poderá ajudar a identificar a origem da mancha.
O caso também será discutido por participantes do IX Congresso Brasileiro de Oceanografia, realizado em Vitória até quinta-feira (25). Mesmo sem a identificação da origem, Nélio afirmou que o aparecimento da mancha exige atenção.
“Não dá para afirmar apenas com as imagens se é esgoto, floração, carga de matéria orgânica ou material contaminante, mas, por precaução, é relevante que a gente tenha uma recomendação de não utilização por contato primário”, explicou Nélio.
Segundo o oceanógrafo, o aspecto visual da água também pode ser considerado na avaliação das condições de balneabilidade de uma praia.
“A normativa de balneabilidade permite que o órgão ambiental responsável determine a balneabilidade não só por indicadores microbiológicos, mas também por aspecto visual para determinar uma segurança de saúde pública do contato direto da população com a água”, explicou Nélio.
Mancha pode ter começado no Canal da Passagem
Segundo Nélio, pesquisadores ligados à Associação Brasileira de Oceanografia receberam informações de que a mancha teria começado no Canal da Passagem, também conhecido como Canal de Camburi.
O oceanógrafo destacou que estudos realizados ao longo de mais de duas décadas podem ajudar a entender o fenômeno e avaliar se houve mudanças na circulação da água na região.
“Temos mais de 25 anos de estudos desenvolvidos nos laboratórios do Departamento de Oceanografia da Ufes que dão um levantamento histórico de fenômenos de circulação no local. Recentemente teve a obra no canal e a mudança aqui na Curva da Jurema. É importante entendermos os estudos prévios das obras para entendermos como era antes o sistema e realizar uma investigação de qual é o possível fato determinante para maior ocorrência de manchas”, detalhou.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória informou, em nota, que intensificou o monitoramento da qualidade da água na Curva da Jurema, ampliando os parâmetros analisados e mantendo a avaliação de coliformes termotolerantes e enterococos.
Segundo a prefeitura, a rede de monitoramento também foi ampliada, com a inclusão de um novo ponto próximo à Ponte da Passagem. O município informou ainda que realiza vistorias para identificar possíveis irregularidades em imóveis e ligações de esgoto.
“As equipes ainda acompanham a região por câmeras de videomonitoramento e trabalham na criação de um protocolo emergencial, que prevê mais pontos, frequência e parâmetros de coleta quando necessário. Os resultados das análises e o histórico dos últimos dez anos estão disponíveis no site da Semmam”, finalizou a pasta municipal.
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