Mais de 50 caravelas-portuguesas foram avistadas na Praia de Guriri, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, durante o Dia de Finados, na segunda-feira (2). A informação é do chefe dos guarda-vidas no município, Henrique Pestana. Conhecidas pelas cores vibrantes, as caravelas pertencem ao mesmo grupo das águas-vivas e podem provocar lesões dolorosas e reações graves em caso de contato com a pele.
Ao caminhar pela orla de Guriri, o consultor comercial Vagner Daré encontrou pelo menos quatro caravelas. Ele fotografou uma delas, que o surpreendeu pelo tamanho. (Veja acima)
"Achei muito bonita porque nunca tinha visto uma caravela desse porte. Já tinha visto algumas, mas pequenas, essa é um pouco maior", disse o consultor.
Segundo o professor Agnaldo Silva Martins, do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a presença das caravelas na região está associada à ação dos ventos, que costumam ser mais intensos nesta época do ano.
"Ela é chamada de 'caravela' porque tem uma 'vela', uma estrutura dá resistência ao vento e faz com que ela seja deslocada pelo vento. Mas ela não tem nenhum membro para se deslocar sozinha para onde ela quer. Então, ela é carregada pelo vento e pela corrente [marítima]", explicou o especialista.
Apesar da aparência chamativa, as caravelas-portuguesas representam risco para os banhistas. Mesmo quando estão encalhadas na areia ou parecem mortas, seus tentáculos podem liberar toxinas ao entrar em contato com a pele.
O guarda-vidas Deyvidson de Oliveira dos Santos alerta que o contato pode provocar dor intensa, vermelhidão, coceira e, em situações mais graves, reações alérgicas que exigem atendimento médico.
"Muita queimadura, vermelhidão, coceira, muita dor. Ela pode causar uma dor na coluna e pode até mesmo tapar a traqueia dependendo do grau de alergia da pessoa, se ela for alérgica, então tem que monitorar", explicou.
A orientação é não tocar nos animais e avisar os guarda-vidas sobre a presença deles na praia, para que seja feita a remoção de maneira segura.
Segundo Deyvidson, o vinagre pode ser utilizado nos primeiros cuidados após o contato com uma caravela-portuguesa. "Você que vem frequentar a praia de Guriri ou todo o litoral norte capixaba, traga o seu vinagre, de preferência o de maçã. Se acontecer [o contato], jogue o vinagre rapidamente para estabilizar a toxina", orientou o guarda-vidas.
A dermatologista Camila Brioschi também recomenda o uso do vinagre e explica que a água do mar pode ajudar na limpeza da região atingida. Segundo ela, o uso de pomadas, remédios de dor e antialérgicos também pode ser recomendado. Porém, caso a lesão se torne mais grave, o paciente deve buscar atendimento médico.
A especialista alerta ainda para os riscos de recorrer a receitas caseiras. "A recomendação é só água do mar, passar essas pomadinhas e ficar em observação", afirmou.
De acordo com o Ministério da Saúde, a orientação é não esfregar a região atingida nem utilizar água doce, pois isso pode aumentar a liberação de toxinas. Os tentáculos que permanecerem aderidos à pele devem ser retirados cuidadosamente, de preferência com uma pinça, luvas ou outro instrumento adequado.
O órgão também recomenda o uso de compressas geladas (água do mar gelada ou cold packs), sem aplicação direta de gelo sobre a pele, e vinagre para inativar as células responsáveis pela liberação das toxinas. As vítimas devem procurar avaliação médica, especialmente em caso de dor intensa, dificuldade para respirar ou outras reações graves.