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Incêndio de grandes proporções atinge Arquivo Geral do TJES na Serra

Fogo começou no início da manhã desta terça-feira (21) e não há registro de vítimas; no local são armazenados processos e documentos físicos do Tribunal de Justiça

Publicado em 21 de Julho de 2026 às 07:49

Júlia Afonso

Publicado em 

21 jul 2026 às 07:49

Um incêndio de grandes proporções atingiu o galpão do Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, na manhã desta terça-feira (21). De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas começaram por volta das 6h30.


Imagens registradas por moradores mostram uma densa coluna de fumaça escura, visível de diferentes pontos da cidade. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e atuaram no combate ao incêndio. Não houve vítimas.


Prefeitura da Serra informou que agentes do Departamento de Operações de Trânsito foram mobilizados para orientar motoristas e garantir a fluidez do tráfego na região. A administração municipal acrescentou que a Defesa Civil não foi acionada para a ocorrência, mas está ciente da situação e disponibilizou um caminhão-pipa para auxiliar o Corpo de Bombeiros.

O que há no galpão?

O complexo do Arquivo Geral do TJES tem mais de 10 mil metros quadrados e centraliza o arquivamento de processos e documentos físicos das comarcas de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha e Viana. O espaço também abriga a Seção de Almoxarifado e Patrimônio do Judiciário estadual, além do depósito de materiais de construção civil da Secretaria de Engenharia e Gestão Predial. A unidade foi inaugurada em abril de 2018.


Segundo informações do próprio Tribunal de Justiça, cerca de 8 mil metros quadrados são destinados exclusivamente ao arquivo, enquanto 1,6 mil metros quadrados são utilizados pelo Patrimônio e Almoxarifado e outros 300 metros quadrados funcionam como depósito da Secretaria de Engenharia. O complexo é formado por quatro galpões e uma sede administrativa.

Reportagem de A Gazeta alertou para risco de incêndio

Arquivo Geral do Poder Judiciário do Espírito Santo vive abandono
Arquivo Geral do Poder Judiciário do Espírito Santo vive abandono Crédito: Reprodução

Em outubro do ano passado, A Gazeta publicou uma reportagem mostrando problemas estruturais no Arquivo Geral após denúncias do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Espírito Santo (Sindijudiciário-ES). À época, a entidade apontou riscos de incêndio, mofo, pragas e condições consideradas inadequadas para a preservação do acervo e para o trabalho dos servidores.


No ofício encaminhado ao TJES, o sindicato afirmou que o material estava armazenado em um ambiente "inadequado, insalubre e vulnerável", situação que poderia comprometer a integridade dos documentos e colocar em risco a saúde de servidores e terceirizados.


"Tal desorganização e precariedade colocam em risco a preservação do acervo histórico e jurídico do Tribunal, podendo ocasionar a perda irreversível de documentos e informações essenciais à efetividade da prestação jurisdicional", alertou o sindicato. "Trata-se, portanto, de questão que afeta diretamente o acesso à justiça e a memória institucional do TJES."


Após a publicação da reportagem, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que solicitou esclarecimentos ao TJES sobre as condições do local e destacou que o caso passou a ser acompanhado pelo Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname).

O que diz o TJES

O TJES divulgou um comunicado afirmando que a administração atual assumiu em dezembro de 2025 e vem adotando medidas contínuas de organização, conservação e limpeza do espaço. "Entre as ações realizadas, destacam-se mutirões de limpeza e reorganização do acervo, incluindo uma força-tarefa realizada em junho deste ano, voltada à manutenção e preservação das instalações", disse a nota. 

O órgão informou ainda que, em dezembro de 2025, promoveu uma ampla ação de reorganização do Arquivo Geral e, como resultado desse trabalho, bens permanentes novos da instituição foram realocados e preservados, não sendo atingidos pelo incêndio.

"Com grande pesar, o Tribunal informa que os arquivos físicos existentes no local sofreram perda total, embora uma parte estivesse digitalizada. O TJES, em conjunto com os órgãos públicos de segurança competentes, realizará uma apuração criteriosa das causas e circunstâncias do incidente", finalizou. 

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