Publicado em 28 de março de 2026 às 17:08
“Estamos ricos”. A frase, dita por um guarda municipal após a companheira relatar aumento nos repasses de dinheiro, é um dos trechos das mensagens que embasam a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) sobre um esquema de corrupção, vazamento de informações sigilosas e tráfico de drogas em Vila Velha. >
O guarda Iuri de Souza Silva, ex-comandante da Guarda Municpal de Vila Velha, e a esposa, a advogada Bárbara Bastos Rodrigues, foram presos entre quarta-feira (25) e quinta-feira (26). Eles são suspeitos de repassar ordens de dentro de presídio e de envolvimento com desvio de drogas. Outros sete suspeitos foram detidos.>
Segundo o MP, outros diálogos reforçam a atuação do grupo. Em uma das conversas, a advogada afirma: “Eu vi uma parada aqui que me leva presa”.
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Em outra, pede consulta em sistema policial: “Consulta pra mim aí”. Há ainda registros sobre envio de bilhetes da facção, os chamados “catuques”, e orientações sobre ocorrências: “Pode cobrar dinheiro”.>
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A equipe de reportagem do g1 ES teve acesso a denúncia, com quase 300 páginas, do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).>
Três advogados e três guardas municipais de Vila Velha, na Grande Vitória, suspeitos de repassar ordens de dentro de presídio e de envolvimento com desvio e tráfico de drogas, foram presos durante uma operação em três cidades do Espírito Santo.>
Outros três suspeitos também foram detidos, mas informações sobre eles não foram divulgadas. As prisões são temporárias e foram realizadas entre a quarta-feira (25) e a manhã desta quinta-feira (26) durante a terceira fase da Operação Telic.>
De acordo com a investigação, os diálogos mostram como funcionava, na prática, o esquema investigado na Operação Telic, que apura a atuação da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) na Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.>
No centro da apuração estão o guarda municipal Iuri de Souza Silva, ex-comandante da corporação, e a advogada Bárbara Bastos Rodrigues, que são companheiros.>
Segundo o MPES, Iuri utilizava sistemas de segurança pública, como o SISPES e o INFOPEN, para acessar e repassar informações sigilosas que beneficiariam a facção.>
Já a advogada atuaria como intermediária, levando ordens entre presos e criminosos em liberdade.>
As mensagens mostram que a advogada era acionada com frequência para atender demandas da facção.>
“O pai me ligou, disse que era para ir no Cleuton agora urgente", diz a advogada em uma das mensagens.>
A investigação aponta que as ordens partiriam de Cleuton Gomes Pereira, conhecido como “Frajola”, apontado como líder do grupo, preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Viana.>
Os diálogos também revelam o uso frequente de bilhetes conhecidos como “catuques”, utilizados para comunicação entre integrantes da facção. “Peguei”, responde a advogada ao confirmar o recebimento de um dos recados.>
Segundo o MPES, também era rotina o pedido de consultas em sistemas oficiais: “Tem alguma coisa contra o Beno?”. “Consulta pra mim aí”.>
As mensagens indicam ainda o repasse de informações internas da segurança pública. “Ele estava querendo dar um golpe no Frajola”, diz o guarda ao comentar a prisão de um aliado da facção.>
Há também indícios de interferência em ocorrências policiais. Em um dos diálogos, após uma apreensão, os investigados discutem cobrança de valores e como registrar o caso.>
“Pode cobrar dinheiro... porque esses são do TCP. Coloca na ocorrência que eles são TCP e que essa arma pode ter homicídio”, diz as mensagens que compõe a denúncia do MP.>
A denúncia aponta que parte das drogas apreendidas em operações pode ter sido desviada antes do registro oficial.>
Segundo o Ministério Público, os materiais e valores ficavam sob responsabilidade dos agentes e seriam repassados para comercialização.>
Iuri de Souza Silva é investigado por violação de sigilo funcional, corrupção e tráfico de drogas. Já Bárbara Bastos Rodrigues é apontada como mensageira da facção, responsável por intermediar a comunicação com presos.>
A Justiça manteve a prisão dos investigados durante audiência de custódia nesta sexta-feira (27).>
Também foram presos os guardas municipais Antônio Nelio Jubini Rangel e Renato Alexandre Alves Messias, o advogado Arlis Schmidt e outros três suspeitos: Washington Luiz Machado Junior, Kaio Salles Bastos e Drielle Ferreira.>
A reportagem tentou contato com as defesas, mas não houve retorno até a última atualização. O espaço segue aberto.>
*Com informações do g1 ES>
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