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'Lenda canina'

Como é a vida e aposentadoria do Eudis, cão policial recordista de apreensões no ES

Após uma década de serviços prestados em missões da Polícia Militar, veja o que aconteceu com o animal que ficou conhecido como "A Lenda"

Publicado em 21 de Setembro de 2024 às 12:31

Gabriela Maia

Publicado em 

21 set 2024 às 12:31
Inteligentes e leais, os cães são, na maioria das vezes, escolhidos como pets. Mas há doguinhos que têm até profissão e, alguns  desempenham um importante papel na segurança pública. São os cães policiais, que operam em missões ao ajudar a localizar drogas, munições e armas, além de realizar buscas e capturas de foragidos. E, após anos de serviço, esses "agentes caninos" também "penduram as patas". É o caso do cão Eudis, que se aposentou depois de uma década de serviços para Polícia Militar do Espírito Santo,
Eudis foi aposentado e ficou conhecido no batalhão por bater recordes Crédito: Acervo do BAC
Da raça pastor belga de Malinoi, ele chegou ao Batalhão de Ação com Cães (BAC) em 2012 e teve como seu condutor principal o subtenente Santana e como  condutora auxiliar a cabo Lahass. O trabalho de Eudis fez história na polícia, bateu recordes e foi considerado de excelência pelos oficiais, que o apelidaram de "A Lenda".
Um dos seus melhores desempenhos foi localizar mais de 40 quilos de maconha que estavam submersas a 1 metro de profundidade em um mangue na Serra, juntamente com a cadela Eva. O vídeo da apreensão repercutiu e recebeu elogios, inclusive, de polícias do Texas, nos Estados Unidos.
É comum que, ao se aposentar, o cão seja adotado pelo policial que foi sua dupla de trabalho. Entretanto nem sempre isso acontece, porque alguns oficiais já são tutores de outros animais e não têm condições de adotar mais um. Ou o policial mora em apartamento e não consegue cuidar do cachorro. Nesse caso, o animal aposentado fica disponível para adoção, dando preferência para os oficiais do Batalhão.
Assim ocorreu com Eudis. O policial que era seu condutor principal não pôde adotá-lo, e a segunda opção passou a ser a condutora auxiliar, que, prontamente, aceitou a oportunidade. A cabo Lahass, então, se tornou tutora do seu ex-parceiro em campo.
"Quando chegou a oportunidade de adotá-lo, eu não hesitei, falei 'sim' imediatamente"
Ravena Lahass - Cabo do Batalhão de Ação com Cães
Cabo PM Lahass, adotou o cão Eudis após a aposentadoria no animal
Cabo PM Lahass, adotou o cão Eudis após a aposentadoria no animal Crédito: Vitor Jubini
A cabo conta que a experiência de trabalhar com o Eudis foi enriquecedora para sua formação dentro do BAC e que aprendeu muito ao longo dos anos de parceria com seu fiel escudeiro. "É um cão que me deu muito orgulho e que eu me senti honrada de trabalhar junto com ele", completa a policial.
A tutora também destaca a facilidade na adaptação do cão em um ambiente doméstico, demonstrando uma boa convivência com pessoas e outros animais, além de ser um animal muito dócil.
"Eu tenho muito orgulho de poder dar a ele um merecido descanso, um lar e poder fazer com que ele curta o final da sua vida sendo bem cuidado  "
Ravena Lahass - Cabo do Batalhão de Ação com Cães
Eudis foi adotado por sua condutora auxiliar. Mas, se não houver um tutor disponível entre os policiais, é feito um anúncio nas redes sociais do BAC para encontrar alguém que tenha boas condições de proporcionar os cuidados necessários ao animal. 
As raças mais usadas no Espírito Santo para o trabalho policial são o pastor alemão e o pastor belga malinois, e o tempo de trabalho deles pode variar. Quando completam 8 anos de idade, precisam passar por check-ups semestrais, para verificar se o estado de saúde permite que continuem atuando ou se está na hora de encerrar os serviços oficiais, mas, em média, os animais se aposentam na idade entre 8 e 10 anos.

Treinamento especial

O treinamento desses "agentes caninos" é feito desde antes da sua chegada no Batalhão de Ação com Cães (BAC), que recebe os animais com um nível inicial de adestramento. A partir daí, policiais desenvolvem ainda mais suas habilidades, para que eles não se assustem com tiros e barulhos altos causados por fogos de artifício — frequentemente usados para anunciar a chegada da polícia nas comunidades — nem se distraíam facilmente com outros bichos, crianças e objetos que possam chamar a atenção. 
O major do BAC, Hilton Gomes Filho, explica que os cães também são preparados para que não tenham uma atitude muito agressiva, porque, em operações de apreensão de drogas, por exemplo, os cachorros farejam sem guia e não podem oferecer risco aos civis. Dessa forma, só podem atacar com um comando. Fora de serviço, os "cães policiais" são levados para demonstração em feiras de adoção, por exemplo, e têm um comportamento dócil.
"Há 20 anos, os cachorros tinham um treinamento diferente e mais agressivo para operações de controle de distúrbios civis e rebeliões em presídios. Hoje em dia, os cães policiais não são bravos, são dóceis e treinados para atacar apenas sob comando"
Hiton Gomes Filho - Major do Batalhão de Ação com Cães
Além do Batalhão de Ação com Cães, há também o K9, que é um programa que funciona como uma extensão do BAC, e é responsável por atender as demandas das "operações caninas" em outros batalhões do Espírito Santo. Atualmente, o Estado conta com 68 cães policiais atuando nas ruas. Em 2023, as operações do BAC foram responsáveis por apreender 244.758 unidades de drogas, 176 armas de fogo e pela prisão de 594 indivíduos.

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