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Publicado em 4 de janeiro de 2024 às 15:44
Com 98 mortes confirmadas, o Espírito Santo enfrentou uma explosão de dengue em 2023. Foram 191.131 casos acumulados – um recorde, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) –, contra 20.929 de 2022. Isto é, de um ano para o outro, o número de registros subiu 813,2%. >
A incidência foi de 4.702,97 casos por 100 mil habitantes entre 1 de janeiro e 30 de dezembro. Para se ter ideia, o nível considerado alto pelo Ministério da Saúde é a partir de 300 casos por 100 mil habitantes.>
Neste contexto, a quantidade de óbitos provocados pela doença também disparou, crescendo 1.533,3% em relação ao mesmo período de 2022, quando seis pessoas morreram ao longo daquele ano>
O subsecretário de Vigilância em Saúde do Espírito Santo, Orlei Cardoso, pontuou que, em geral, as epidemias de dengue são cíclicas, ocorrendo, geralmente, a cada três ou quatro anos. A última, até então, havia sido registrada em 2019. Naquele ano, 50 pessoas morreram por complicações da doença.>
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“No ano passado, tivemos a circulação de dois sorotipos (da dengue) no Estado. Normalmente encontramos o sorotipo 1, mas tivemos o 1 e 2, e quando você tem dois sorotipos diferentes circulando, a morbidade costuma ser maior.”>
Cardoso observa que, paralelamente, as altas temperaturas, combinadas ao tempo seco, contribuíram para que os ovos colocados pelo mosquito Aedes aegypti tivessem um período de resistência maior do que o usual. Cada fêmea bota de 700 a 1.000 ovos por dia. Esses ovos podem demorar mais de um ano para eclodir, esperando a estação das chuvas.>
A maioria das notificações de dengue em território capixaba aconteceu no primeiro semestre de 2023, quando os números escalaram até alcançar um pico na semana epidemiológica entre 26 de março e 1 de abril. Apenas naquele período, foram registrados 10.049 casos. Desde então, observa-se uma queda nesse patamar.>
O cenário, porém, ainda preocupa. O subsecretário destaca que o Ministério da Saúde já vê risco de uma nova epidemia de dengue no Espírito Santo em 2024. Situação semelhante é enfrentada por Minas Gerais, e por alguns Estados do Sul brasileiro.>
Orlei Cardoso
Subsecretário de Vigilância em Saúde do Espírito SantoCardoso pontuou ainda que, em 2023, foram registrados 16 casos de coinfecção, em que pacientes tiveram dengue e chikungunya – ambas transmitidas pelo Aedes aegypti – ao mesmo tempo, uma situação que aumenta o risco de gravidade do quadro, uma vez que o organismo precisa lidar com dois vírus simultaneamente.>
Diante desse quadro, o Estado tem realizado ações junto ao Ministério da Saúde e aos municípios, a fim de conscientizar a população sobre os cuidados básicos (proteger garrafas, pneus; manter vasos de plantas e comedouros de animais limpos; cobrir ralos e caixas d'água).>
“A ideia é que, com essas ações, mesmo chegando os sorotipos 3 e 4, a gente não tenha tantos casos. A gente aposta muito no trabalho de conscientização.”>
Para conter a doença, o Ministério da Saúde também anunciou a incorporação de uma vacina contra a dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, a princípio em regiões prioritárias, com público limitado, devido à capacidade reduzida de fornecimento do laboratório que produz o imunizante. >
Questionada sobre a distribuição, a assessoria da pasta informou que ainda não há informações sobre a destinação das doses neste primeiro momento, ou mesmo qual será o público prioritário. Ou seja, não há confirmação, até a publicação deste texto, sobre quando ou se as doses serão ofertadas no Espírito Santo.>
O Ministério frisou, porém, que a vacina faz parte do rol de estratégias de combate às arboviroses, e que a vigilância da população é de grande importância, inclusive porque a maioria dos focos de dengue está em áreas residenciais.>
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