Publicado em 27 de junho de 2023 às 18:49
A história de José Renato Caliari, de nove anos, que decidiu vender os próprios desenhos na escola, mas não conseguiu ninguém para comprá-las viralizou na internet desde a última segunda-feira (26). Isso porque o tio do menino resolveu fazer uma postagem demonstrando apoio ao empenho do sobrinho, que é autista. O post já passa de 3,5 milhões visualizações em uma rede social. >
Na postagem que viralizou, o advogado Fabrício Belo, que é tio de José Renato, conta que resolveu comprar um dos desenhos do sobrinho depois que soube pela irmã que o menino estava chateado porque ninguém quis comprar a arte dele na escola onde estuda. A criança estuda na escola municipal Deocleciano Francisco da Vitória, no bairro Vista Dourada, em Cariacica.>
No diálogo, feito em um aplicativo de conversas, a criança pergunta qual desenho o tio vai querer. Ele também combina o prazo de entrega e diz que cada peça está na promoção, em um valor de R$ 2.>
Em entrevista ao g1 ES, o tio contou que a repercussão surpreendeu a família. Agora, o sobrinho está recebendo muitas mensagens de carinho e inúmeras encomendas de desenhos. Até famosos como a atriz Mel Maia divulgaram a história. A conta criada no Instagram nesta terça-feira (27) já atingiu o número de 16 mil seguidores. >
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Fabrício Belo
Advogado e tio de José Renato"José, seus desenhos são lindos. Como faço a minha encomenda?", disse uma seguidora.>
"Oi José, queria um desenho! Moro em outro país, ou seja, teria só que me mandar a foto do desenho pelo direct ou WhatsApp. Poderia ser?", disse outra seguidora.>
Menino autista viraliza após tentar vender desenhos na escola e receber apoio do tio na internet
Segundo o tio de José Renato, o autismo do menino foi descoberto de forma tardia pela família quando ele foi para a escola. >
"Infelizmente, a gente descobriu tarde porque ele é do grau 1. Então, é de difícil percepção e, por causa da desinformação, a gente acabou não percebendo isso. Só fomos descobrir com as atitudes dele na escola, por ele ser introspectivo, não interagir, não ir para o recreio. Ele não come na escola, não bebe na escola, dentre outras coisas", disse o tio.>
José Renato foi incentivado pelo pai, que também gosta de desenhar. Em vídeos feitos pela família quando José era menor, ele aparece desenhando em um caderno (veja abaixo). O menino gostou tanto da ideia que resolveu vender os desenhos na escola para os coleguinhas.>
Fabrício Belo
Advogado e tio de José RenatoO tio ficou sabendo o que tinha acontecido pela irmã e mãe do menino. Por isso, ele resolveu apoiar a iniciativa do sobrinho com trajes iguais: roupa social e gravata vermelha. >
"Fiquei arrasado porque eu fiquei pensando no sofrimento dele. Imaginando também que talvez ele nem tenha conseguido oferecer pra todo mundo porque ele não interage com as pessoas. Então, a gente achou que talvez ele ofereceu no máximo pra quem estava ao redor dele ali e ninguém quis comprar. Aí falei: 'eu vou comprar'. Então, pra incentivar, e eu e minha irmã combinamos de oferecer para pessoas mais próximas para elas comprarem também e ele ficar mais feliz porque ele estava muito triste", contou Fabrício ao g1 ES.>
Fabrício disse que quando foi encomendar o desenho, imaginou que ia ser algo mais simples, com mais rabiscos, típico da idade do sobrinho. Porém, ele se surpreendeu com o talento de José Renato com o lápis.>
"Quando ele me mandou a foto falando se estava bom ou que ele faria outro se não tivesse bom, eu fiquei em choque porque eu vi como que ele é bom, como ele a tem uma técnica boa, um desenho muito bom pra idade dele. Fiquei mais orgulhoso ainda. Depois, pensei: 'vou postar porque algumas pessoas vão gostar de ver uma criança de nove anos, autista, que desenha tão bem com esse dom tão incrível. Ao mesmo tempo, queria compensar ali o sofrimento que ele teve na escola, a decepção, queria que ele tivesse esse momento, sabe? E postei", revelou o tio do menino. >
Fabrício Belo
Advogado e tio de José RenatoFabrício disse que decidiu compartilhar o que aconteceu com seu sobrinho para inspirar outras famílias de autistas.>
"Quis inspirar as pessoas que não conhecem o os autistas, que não têm convivência ou até mesmo os parentes e familiares mais próximos de quem tem criança autista em casa. A ideia é incentivá-las porque quando eles descobrem algo que eles gostam, focam muito naquilo, e foi o que aconteceu com meu sobrinho. Ele focou no desenho e a gente percebeu que é o canal que ele tem de comunicação com as pessoas. É o canal que ele tem de interação com as pessoas. Se é isso, vamos incentivar nesse sentido. Eles merecem", concluiu Fabrício. >
Com informações da repórter Fabiana Oliveira, do g1 ES>
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