O Espírito Santo registrou 11 roubos de cargas ao longo de 2019. É isso mesmo, apenas 11 ocorrências foram contabilizadas pela Delegacia Especializada de Crimes Contra Transportes de Cargas (DECCTC). De acordo com a Polícia Civil (PCES), a quantidade é menor do que a apurada em anos anteriores. Em 2018, foram 26 roubos e, em 2017, 49. Ou seja, em dois anos houve uma queda de 77%.
Comparado a outros locais, o resultado capixaba surpreende no bom sentido. Especialmente quando olhamos para o nosso vizinho Rio de Janeiro, que está no outro extremo em relação a esse tipo de crime. Lá, os números estão na casa dos milhares.
Em 2017, o Rio registrou 10.599 roubos de cargas e, em 2018, 9.182, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP) fluminense. A coluna não teve acesso aos dados de 2019. Mas fato é que o Estado responde por cerca de 40% de todos os roubos de cargas do país e é motivo de preocupação de empresas que operam por lá.
Do ponto de vista econômico, dados como esses têm peso na formação do ambiente de negócios de uma região. Afinal, além de segurança jurídica, burocracia, infraestrutura e complexidade tributária, apenas para citar alguns fatores, a segurança também é ponto importante na avaliação de uma empresa ao decidir se instalar ou fazer negócios com determinado Estado ou município.
Nesse quesito, o Espírito Santo vai bem e ganha pontos junto a investidores. Por exemplo, nos tornamos mais atrativos para abrigarmos centros de distribuição ou mesmo plantas industriais em terras capixabas. Assim, as mercadorias podem ser enviadas para cidades mineiras, ou do Nordeste ou Centro-Oeste com um risco menor.
O menor índice de violência representa também menos custos com vigilância patrimonial e com o seguro de cargas e de veículos, por exemplo. Sem contar o fato de expor menos ao perigo os profissionais que atuam nessa atividade.
Ter um ambiente seguro é fundamental, inclusive, para o desenvolvimento da economia. Os nossos bons números em relação ao roubo de cargas contrastados com os do Rio de Janeiro nos colocam numa vitrine para o país. É fundamental que sejamos capazes de cultivar esses resultados e fazer com que outros, como o números de homicídios - ainda muito elevado -, sigam a mesma trajetória de queda. A sociedade e a economia só terão a ganhar.