Publicado em 25 de setembro de 2021 às 11:10
Natural da Paraíba, a atriz Mayana Neiva, 38, afirma que ainda existe preconceito com o Nordeste e os nordestinos, mas observa que "o jogo está virando". No ar nas tardes da Globo na reprise de "Ti Ti Ti" (2010-2011) e em cartaz nos cinemas com o filme "Silêncio da Chuva", ela destaca a importância de Juliette, sua conterrânea, na quebra desses estereótipos. >
"É maravilhoso que existam pessoas como ela ocupando esses espaços de poder e desfazendo essas narrativas quase que folclóricas sobre o Nordeste, em que a região ocupa um lugar exótico ou engraçado. Eu acho que a gente está vivendo um outro tempo", diz a atriz, salientando também nomes como o do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor de "Bacurau" (2019). >
"Acho que a gente está vivendo um grande levante feminino no mundo, um grande levante de debater esses lugares comuns do preconceito e de ouvir novas vozes. O cinema é uma plataforma disso, a música e por que não a TV e o BBB?" >
"O Nordeste é uma dimensão profundíssima da nossa literatura, da nossa arte, da nossa cultura popular, já estava mais do que na hora de ser reverenciado", diz ela, reforçando que nove estados compõem a região, cada um com sua especificidade. >
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"O Nordeste é muito vasto para ser encaixado todo no mesmo lugar", pondera, citando o vídeo "Sudestinos" do Porta dos Fundos, que satiriza a forma como a região é tratada de forma estereotipada por muitas pessoas que moram no sul do Brasil. >
Além de trabalhar como atriz, Neiva quer ser uma dessas novas vozes femininas. Desde o final de 2017, depois que voltou a morar no Brasil após cinco anos nos Estados Unidos, ela começou a flertar com a ideia de atuar atrás das câmeras, na direção. >
O primeiro projeto é o documentário que conta a história do seu avô José, um homem que era balaieiro na feira (carregava em um balaio na cabeça as mercadorias para ajudar as pessoas), se tornou fotógrafo e por meio da arte "sustentou a família e tirou os irmãos da miséria." >
"Posteriormente, ele se tornou um editor de livros didáticos. Ele para mim é um brasileiro no sentido mais lindo da palavra", afirma. >
É desse contato tão próximo com o avô que Neiva também se apaixonou por boleiros e músicas latinoamericanas. "Hoje eu canto como convidada na banda Quimbará, de resgate da música latinoamericana, porque eu ouvia essas canções com ele, aos domingos. Não tem nada a ver com o mundo de origem dele, mas é uma coisa que ele ama", diz. >
Em 2011, quando foi gravar o filme "Infância Clandestina", do diretor Benjamín Ávila, na Argentina, Neiva revela ter se encantado com o país e, ao mesmo tempo, se envergonhado por saber pouco sobre a cultura e a história dos vizinhos do Brasil. >
"A minha vida virou uma grande investigação pela paixão dessa cultura, do cancioneiro latinoamericano, do cinema, da história. Tenho muito amor por essa parte do mundo." >
Como fruto disso, ela tem trabalhado em produções internacionais que dialogam com a América Latina como a série "Encerrados", também de Ávila, e que está disponível na Netflix na Argentina e na Espanha. Com episódios independentes, Neiva protagoniza um deles como uma mãe, vítima de tráfico humano, que luta para rever o filho. >
A pandemia foi um período de reflexão, mas também de criação para Mayana Neiva. Formada em letras, ela escreveu o seu segundo livro infantil a partir de uma experiência forte e difícil que viveu ao lado da sobrinha Marina, 10, que teve leucemia. >
"Eu fiquei no hospital com ela durante quase um ano. Essa obra é fruto desse coletivo feminino, desses desafios e dessa vivência com a minha sobrinha, minha irmã e minha mãe. É um jeito de eternizar essa história", diz -ainda não há uma data para o lançamento do livro. >
A literatura também se faz presente no trabalho de Neiva em "Silêncio da Chuva", filme de Daniel Filho que estreou nos cinemas na quinta (24), e é uma adaptação do romance de mesmo nome do escritor carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza (1936-2020). >
Na história policial com clima noir, ela é a secretária Rose, personagem que define como "a mais intensa da sua carreira". "Ela tem um diapasão muito profundo. Foi um papel que me desafiou profundamente", destaca. >
Neiva também está na quarta temporada de "Rotas do Ódio", no Globoplay, em que interpreta a delegada Carolina. "Ela é uma policial diferente, que se compadece das narrativas ao seu redor.">
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