Publicado em 11 de maio de 2020 às 15:59
Em sua live de estreia, Zeca Pagodinho se deu muito bem. Foi uma das melhores feitas por grandes artistas nos últimos 50 dias, quando o novo coronavírus atingiu de cheio o país e passou a manter os brasileiros dentro de casa. >
Mesmo quem não é do samba ou do pagode teve motivos para curtir a live em homenagem ao Dia das Mães, às 13h deste domingo, em seu canal do YouTube. Programada para ter uma hora e 15 minutos, o artista se estendeu e cantou até as 14h30, chegando a cerca de 20 músicas.>
"Ofereço esta live a todos as mães do Brasil, especialmente à minha", disse o cantor, de camisão vermelho com bolas e listras brancas. O maior trunfo da apresentação, no entanto, independeu de Pagodinho. É que a Brahma montou uma boa estrutura ao ar livre, em um espaço não identificado, talvez o jardim do condomínio do apartamento de Zeca na Barra da Tijuca.>
As lives da empresa seguiriam durante a tarde e a noite do domingo, com Edson & Hudson, Daniel e Zezé di Camargo & Luciano, mas não seriam gravadas no mesmo local.>
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Ver o sol batendo em uma dúzia de palmeiras atrás da banda de cinco músicos, bem afastados entre si, foi um respiro inesperado e bem-vindo nas lives que até então aconteciam enfurnadas em ambientes fechados, em estúdios ou casas dos artistas.>
Uma das primeiras canções foi "Não Sou Mais Disso", com sua letra esperta: "Eu deixei de ser pé-de-cana/ Eu deixei de ser vagabundo/ Aumentei minha fé em Cristo/ Sou bem-quisto por todo mundo". Jorge Aragão pediu "Mutirão de Amor" e Maria Rita, "Coração em Desalinho".>
Não faltou, é claro, "Patota de Cosme" e "Deixa a Vida Me Levar", essa tocada antes do medley final. E cantou também a bela "O Sol Nascerá", que começa com frase em ordem invertida, no melhor estilo melancólico do mestre Cartola: "A sorrir/ Eu pretendo levar a vida/ Pois chorando/ Eu vi a mocidade perdida".>
Zeca não apresentou a banda, mas deverá ter outra oportunidade para isso, já que aprovou o formato. "Foi bem legal, acho que vou topar fazer outro", disse ao se despedir.>
Assim, como a estrutura geral foi boa, o ponto fraco do show também foi culpa da cervejaria. Não satisfeita em colocar um logotipo enorme no chão e espalhar geladeiras e barris com o nome de seus produtos, Zeca e o apresentador Thiago Martins, além de alguns convidados que apareciam no telão, não se cansavam de repetir agradecimentos ao "pessoal da Brahma".>
Teve explicações sobre uma nova cerveja da marca, promoção para dar uma geladeira cheia a quem postasse mais nas redes sociais, brindes e frases quase idênticas repetidas pelos dois, como "Brahma Duplo Malte, essa cerveja ficou incrível. Tudo que a Brahma faz tem qualidade, isso eu garanto".>
Tudo isso apesar de Zeca, curiosamente, não ter bebido uma gota. Ou melhor, bebeu e disse que estava bebendo água. Até reclamou, brincando que o povo nos prédios ao redor estava enchendo a lata, "e eu aqui de bico seco".>
Ao cantar "Maneiras", a pedido de Marcelo D2 no telão, até trocou a letra. "Se eu quiser fumar, eu fumo/ Se eu quiser beber, eu bebo" virou "não fumo" e "não bebo".>
De positivo, louve-se a iniciativa de a empresa criar uma linha de doações ao projeto Mães da Favela, feita a partir de QR Code que esteve na tela o tempo todo. Para acessibilidade aos deficientes auditivos, a apresentação teve tradutores de libras, que repetiam as letras de Zeca enquanto ele cantava.>
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