Publicado em 23 de setembro de 2021 às 09:10
Suzane von Richthofen está de volta às telas quase duas décadas após ter participado do assassinato dos pais, em um crime que chocou o país mas, desta vez, não no noticiário, e sim em dois filmes, estrelados pela ex-BBB Carla Diaz, que estreiam na sexta-feira (24), no Amazon Prime Video. >
Os longas estavam previstos para estrear nos cinemas no início do ano passado, mas foram adiados sucessivamente por causa da pandemia até irem direto para o streaming, onde histórias baseadas em crimes reais, conhecidas como "true crimes", ganham cada vez mais força. >
Antes de dar o play em "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais", veja tudo o que você precisa saber sobre os longa-metragens, que causaram polêmica e viraram alvo de fake news quando foram anunciados entre elas, notícias falsas de que as produções se beneficiaram da Lei Rouanet e que Richthofen lucraria com os longas. >
Num estilo não tão comum no cinema brasileiro, a criminóloga Ilana Casoy e o escritor Raphael Montes, que assinam o roteiro, decidiram dividir a história em duas partes devido às incongruências que encontraram no discurso de Suzane e Daniel Cravinhos no tribunal. >
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Para mostrar as duas versões da história, a solução encontrada foi produzir dois filmes, com cerca de uma hora e meia cada um. Num deles, por exemplo, Suzane diz ter sido estuprada constantemente pelo pai, o que seria um dos motivos para matá-lo. No outro longa, seu pai nunca praticou qualquer abuso. Por vezes, a mesma fala está em bocas diferentes, a depender do filme. >
Não. Os criminosos não tiveram nenhum envolvimento com a produção, e os roteiros foram baseados nos autos do processo criminal. >
Suzane chegou a entrar na Justiça para tentar barrar as produções, mas não conseguiu. O Supremo Tribunal Federal rejeitou a tese do direito ao esquecimento. >
A produção tampouco contou com financiamento da Lei Rouanet ou de qualquer programa governamental de fomento, como circulou nas redes sociais. >
Também não. Ao apresentar as reviravoltas e incongruências do caso, como num tribunal, é natural que o espectador se sinta na cadeira do juiz e queira fazer um julgamento de quem é mais ou menos culpado. >
Nenhuma das versões, porém, inocenta os criminosos. Tanto Suzane quanto Daniel e seu irmão, Christian, foram considerados igualmente culpados pela Justiça, que condenou cada um a quase 40 anos de prisão. Daniel está em regime aberto, enquanto Suzane está no semi-aberto mas ambos continuam a cumprir suas penas, e os filmes não devem ter impacto no âmbito judicial. >
O que as obras fazem é mostrar quem era o casal antes de eles cometerem o assassinato, um recorte pouco explorado pela imprensa à época do crime, na tentativa de levar o espectador a refletir sobre o que levou Suzane e os irmãos a cometerem o crime, diz Casoy, a roteirista, que acompanhou o caso da reprodução simulada ao julgamento. >
"O recorte do noticiário é muito compacto. Não retrata a vítima nem o acusado, mas o crime em si. A gente não retrata criminosos como monstros. O que eles fizeram foi monstruoso, mas eles não são monstros. Eles são seres humanos", diz Casoy. >
"Não estou defendendo ninguém. Só quero saber o que leva estas pessoas a fazerem isso", acrescenta a criminóloga, autora de um livro sobre o crime, o "Casos de Família", que também aborda o assassinato de Isabella Nardoni. >
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