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Mudança

Executivo que criou Globosat deixa Grupo Globo

Alberto Pecegueiro, em entrevista, questiona quem vê 'fim da TV paga' e aponta retomada da publicidade

Publicado em 19 de Novembro de 2019 às 12:24

Redação de A Gazeta

Publicado em 

19 nov 2019 às 12:24
O diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, que vai deixar o cargo depois de 25 anos Crédito: Divulgação/Globosat
O Grupo Globo anunciou nesta segunda (18) o fim das "atividades executivas" de Alberto Pecegueiro na empresa, a partir de janeiro, depois de 25 anos à frente da unidade de TV paga, Globosat.
Ele aceitou convite para se manter como representante do grupo em joint ventures como Telecine, com estúdios de Hollywood, e o Canal Brasil, com produtores do país. O acordo prevê uma quarentena de 30 meses, até que Pecegueiro possa ser contratado por outra empresa do setor.
Segundo o executivo e o grupo, a decisão de sair foi tomada por ele, perto de três anos atrás, e não tem relação com o projeto Uma Só Globo, que vai unir Globo, Globosat e outras numa única empresa também a partir de janeiro.
Aos 62 anos e 45 de trabalho, Pecegueiro disse à reportagem que seu "primeiro projeto é cuidar do último terço da vida", inclusive de dois filhos ainda menores de idade. Mas ele quis deixar um diagnóstico do setor, questionando uma vez mais os que "vaticinam o fim da TV paga no Brasil".
Afirma que "está longe de ser condenada" e que tanto Globosat como Globo acabam de registrar "o melhor outubro da história", em faturamento publicitário. "A mesma coisa está sendo apontada para novembro", o que avalia ser um possível indício de reação na economia.
Pecegueiro admite, por outro lado, que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos "a queda mais aguda de assinantes de TV paga" no mundo, o que credita à "longevidade da recessão" e em especial ao desenvolvimento tecnológico, que permitiu o avanço da pirataria.
"A gente tem um dos maiores consumos de TV paga pirata", diz, contrastando a audiência do serviço no Kantar Ibope, de cerca de 34%, com a penetração de assinaturas, que estaria hoje em torno de 25%. "A audiência é incompatível com a base."
Sobre o avanço do streaming, voltou a afirmar que "a conveniência do serviço é indiscutível" e lembrou que sua crítica se concentrou, ao longo dos últimos anos, na "precificação agressiva da Netflix".
Esta "não conseguiu se viabilizar economicamente", ao longo de mais de uma década, e acabou sendo "obrigada a elevar seu preço" no exato momento em que passa a enfrentar novos concorrentes, como Disney, com mensalidades muito inferiores.
Sobre o futuro do setor, Pecegueiro sublinha que o mundo todo vive uma disparada na produção de conteúdo estimulada pelas plataformas de streaming.
"Como o Brasil é praticamente o segundo mercado da Netflix, isso faz dele um foco para todos os novos atores e, é claro, para a Globo", diz. "Os produtores brasileiros estão vendo um boom."
Ao mesmo tempo, acrescenta, enfrenta-se uma "lamentável política de investimentos de comunicação do governo federal", sob Jair Bolsonaro.

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