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Crítica

Cultura foi reduzida a lugar secundário no governo, diz Gilberto Gil

Ex-ministros da Cultura, de Collor a Temer, criticaram escolha de Roberto Alvim, que xingou Fernanda Montenegro, para a pasta

Publicado em 12 de Novembro de 2019 às 20:25

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 nov 2019 às 20:25
Gilberto Gil Crédito: Instagram/Guito Moreto
O tratamento dado às artes pelo governo Bolsonaro e a nomeação do dramaturgo Roberto Alvim para comandar a Secretaria Especial de Cultura foram pivôs do evento que reuniu sete ex-ministros da pasta, de gestões de Fernando Collor a Michel Temer, na noite desta segunda-feira (11) no Rio de Janeiro. 
No ato organizado pela Associação dos Produtores de Teatro também estavam artistas, que se disseram indignados com a recente promoção do autor que insultou a atriz Fernanda Montenegro numa rede social. "Uma senhora atriz ser atacada por um pivete. Ela é um tesouro que nós temos. Não dá para entender", disse o ator Marco Nanini, que compareceu ao evento no Galpão das Artes, na zona portuária da cidade.
O evento "Cultura, Liberdade de Expressão e Democracia" foi uma reação dos produtores culturais contra atos considerados de censura por estatais e órgãos públicos, mas acabou virando um desagravo à "dama do teatro" e à escolha do secretário. 
Nomes indicados no período de Fernando Collor a Michel Temer se uniram contra a nomeação e o que consideram desmonte do setor. O deputado Marcelo Calero (PPS-RJ), que fez parte da gestão Temer, ganhou apoio dos demais ex-ministros para a apresentação de um projeto de decreto legislativo para tentar revogar a medida do presidente Jair Bolsonaro. 
Também através do seu gabinete será feita moção de repúdio à vinculação da cultura ao Ministério do Turismo. "Existe uma intenção deliberada de destruição do setor cultural", disse Calero.
A nomeação de Alvim foi criticada por Ana de Hollanda, ex-ministra de Dilma. "A cultura incomoda a todos os governos autoritários e não é à toa que em todos eles houve censura. Atualmente no Brasil o governo tem uma postura moralista, fascista, homofóbica e misógina. Criou uma cartilha que também está sendo seguida por estados e municípios."
Gilberto Gil, que comandou a Cultura no governo Lula, afirmou que grande parte da estrutura administrativa montada até pouco tempo atrás exigiu trabalho árduo e está sendo desmantelada. 
"Recusada à instituição governamental da Cultura o status de ministério, estatura e prestígio, reduzida a um lugar secundário na estrutura do governo, que ela possa estar à altura de suas responsabilidades para o país no seu sentido mais amplo e mais profundo. Queremos a consideração e o respeito às conquistas do nosso passado e uma visão mais generosa do nosso futuro", disse Gil, sob aplausos. 
Marta Suplicy afirmou que o viés autoritário do governo federal vem se manifestando aos poucos, mas a escalada é constante e, segundo ela, preocupante. "A ditadura caiu quando nos unimos. Quando passou a imperar a defesa fundamental da democracia. E é isso que precisamos ter agora. União de todos, formando uma frente de centro-esquerda", disse a ex-ministra, que também criticou a exclusão das assinaturas da Folha por órgãos da administração federal. 
O diplomata Sérgio Paulo Rouanet, mesmo aos 85 anos e enfrentando problemas de saúde, esteve presente. Seu nome batizou a Lei de Incentivo à Cultura instituída no governo Collor. Ele fez uma defesa da política cultural criada na época e terminou citando o princípio filosófico da democracia como um sistema em que se defende o direito do outro se manifestar, mesmo não se concordando com sua ideias.
Procurado, o secretário especial de Cultura nomeado por Bolsonaro não foi encontrado para comentar as falas dos ex-ministros.

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