O Enem tem sido um campo fértil em polêmicas e equívocos. Mas há um dado que merece ser destacado no mar de “inconsistências” em torno do
Exame Nacional do Ensino Médio: mulheres escrevem a maioria das redações com nota máxima na prova aplicada nos quatro cantos do Brasil.
É verdade que o número de sucesso acompanha a supremacia feminina no total de inscritos - entre os mais de 5 milhões de concorrentes, 59,5% são mulheres. Mas é verdade também que o grau obtido pelas alunas nos últimos dois anos tem ligação estreita com o aumento da presença de mulheres em posições de liderança, sua crescente participação nos meios acadêmicos e a ampliação dos debates a respeito da igualdade, da equidade e da diversidade.
O conhecimento move muitas de nós, e move também a conquista de espaços. Entre 2013 e 2017, as buscas no Google pela expressão “desigualdade de gênero no mercado de trabalho” cresceram 451%. No mesmo período, a procura por “mulher ganha menos” aumentou 298%.
A combinação “empoderamento feminino” foi quatro vezes mais buscada em 2017 do que em 2012. Em cinco anos, a procura por “empoderamento feminino no mercado de trabalho” ultrapassou os 459 mil resultados.
As informações são do Think with Google, uma ferramenta do gigante mundial de buscas que fornece dados sobre o mercado, tendências de consumo e outros temas.
O que elas sugerem: que, apesar do longo caminho a ser trilhado em direção ao equilíbrio entre os gêneros, há cada dia mais gente interessada no tema. Há cada vez mais gente dedicada a reduzir o abismo que ainda separa homens e mulheres e cada vez mais gente - homens, inclusive - conscientes de que a igualdade de direitos não rouba a brisa de ninguém, apenas compartilha seus benefícios entre todos.