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Opinião da Gazeta

Violência é alimentada pela impunidade

Frieza da execução do segurança Fábio Gonçalves no Centro de Vitória é fruto do total desprezo pelas forças de segurança e pela Justiça

Publicado em 31 de Outubro de 2018 às 21:51

Públicado em 

31 out 2018 às 21:51

Colunista

Assassinato do segurança Fábio Gonçalves aconteceu na Av. Jerônimo Monteiro, em Vitória, no dia 30 de outubro Crédito: Fernando Madeira

Avenida Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória, às 17h30 de uma terça-feira. Um homem aproxima-se do segurança Fábio da Silva Gonçalves, pelas costas, e o acerta com seis tiros. Na calçada. Em uma das vias mais movimentadas da capital do Espírito Santo. Em frente a dezenas de testemunhas, que naquela hora do dia resolviam assuntos do cotidiano ou voltavam para suas casas após um dia de trabalho. A frieza da execução, cometida em tal cenário, fia-se na certeza da impunidade. É fruto do total desprezo pelas forças de segurança e pela Justiça.

Em um país em que o número de assassinatos equivale à queda de um Boeing 737 lotado diariamente – são mais de 60 mil por ano, patamar 30 vezes maior do que o da Europa –, a morte de Fábio é um lembrete pungente de que as ações de combate à violência adotadas até agora não têm sido suficientes. Mesmo em um Estado

que apresenta quedas sucessivas no índice de homicídios como o Espírito Santo, com exceção de 2017, devido à greve da Polícia Militar, a realidade é alarmante. E as estatísticas, aqui, não são nada frias ou distantes. Pelo contrário, são sentidas na pele pela população.

Uma das faces mais cruéis desses dados é a que se refere à já citada impunidade. Segundo levantamento mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com registros de 2017, o Espírito Santo teve um crescimento de 93,4% na taxa de mortes sem esclarecimento, em comparação ao ano anterior. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a taxa de resolutividade é de 40%, mais do que o dobro da nacional, que é de 19%. Mas esse não é bem um resultado a ser comemorado.

Fábio Gonçalves deixa mulher e três filhas. A mais velha delas fez aniversário no dia da morte do pai, e receberia dele um presente quando ele chegasse em casa. Acabou, tristemente, recebendo a pior notícia de sua vida. Dor, choque e indignação que podem ser imaginados por muitos capixabas e recordados pelos familiares de tantos outros inocentes vítimas da violência urbana no Estado, como os irmãos Damião e Ruan Reis, a jovem Pâmela Soares e a bebê que esperava, o idoso Nelson Ghisolfi, a empresária Simone Tonani e o policial civil Alessandro Ferrari, entre tantos outros. É hora de cobrar investigação diligente e prisão dos responsáveis, mas, principalmente, é hora de imaginar saídas para que essa imensa lista acabe.

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