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Opinião da Gazeta

Dia da Mulher: protagonismo feminino em uma luta que é de todos

Cabe a cada indivíduo construir a sociedade em que nenhuma violência seja estimulada, minimizada ou admitida

Publicado em 07 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 mar 2020 às 05:00

Colunista

Espírito Santo registrou mais de 30 feminicídios em 2019 Crédito: Ricardo Medeiros
A razão pela qual o dia 8 de março foi pinçado do calendário pela ONU para marcar o Dia Internacional da Mulher não é consensual, com hipóteses oscilando entre eventos ocorridos na Alemanha e nos EUA no início do século passado. O certo é que, não importa o fato que tenha inspirado a criação da efeméride, a data tem sua gênese em um contexto de luta feminina por igualdade de direitos. Mais de 100 anos depois, essa batalha não só não foi vencida como foi ampliada.
Se as primeiras bandeiras giravam em torno do mercado de trabalho, com foco em jornadas extenuantes e salários pífios, logo começaram a abarcar outras formas de opressão, algumas mais veladas, mas não menos cruéis. As violências, no plural, enfrentadas por meninas e mulheres são inúmeras: assassinato, estupro, tráfico sexual, agressões física, verbal, psicológica, obstétrica, patrimonial.
Uma das conquistas é a admissão pelo aparato do Estado de que a violência atinge homens e mulheres de maneiras distintas, o que culminou com a construção de políticas públicas e leis específicas. Infelizmente, ainda custam a mostrar os resultados esperados. No Brasil de 2019, o número de feminicídios seguiu na contramão de outros crimes violentos e registrou aumento de 7%, com um saldo de 1.314 mulheres mortas por seu gênero, segundo dados oficiais dos 26 Estados e do Distrito Federal. No Espírito Santo, foram mais de 30 casos.
Isso significa que, no país, a cada sete horas uma mulher foi assassinada. A maioria das mortes ocorre onde elas deveriam se sentir mais seguras, cometidas por quem deveria protegê-las: em casa, por pais, maridos, namorados. O Espírito Santo registrou no ano passado mais de 14 mil boletins de ocorrência por violência doméstica.
O posto de um dos mais violentos contra mulheres ocupado pelo Estado, aliás, impulsionou a criação, por este jornal, do projeto Todas Elas, incluído na rotina da redação A Gazeta/CBN Vitória em 1º de janeiro. Por meio de reportagens, mapeamentos estatísticos e encontros, a proposta é dar mais visibilidade a essa realidade e também às formas de enfrentá-la.
Se os dados sobre violência doméstica assustam, fora de casa o ambiente também é de guerra cotidiana. Devido aos papéis culturalmente atribuídos a homens e mulheres, elas recebem salários menores, mesmo ocupando os mesmos cargos; chegam menos aos postos de chefia, mesmo tendo a mesma qualificação; dedicam quase o dobro de tempo a tarefas domésticas, mesmo trabalhando fora; são as principais vítimas de assédio e as primeiras a serem culpadas pelo abuso.
Vítimas históricas de violações diversas, as mulheres tornaram-se protagonistas de múltiplas resistências, disputando direitos dentro de suas casas, em seus empregos em relação aos seus próprios corpos. Mas se o protagonismo das batalhas é feminino, a luta é coletiva. Cabe a cada indivíduo construir a sociedade em que nenhuma violência seja estimulada, minimizada ou admitida. O Dia Internacional da Mulher não é uma data para comemoração. É um dia de conscientização e engajamento em torno de um problema que precisa ser enfrentado todos os outros dias do ano.

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