Publicado em 1 de setembro de 2021 às 13:25
A queda de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no segundo trimestre frustrou as expectativas do Ministério da Economia, que esperava um avanço de 0,25%. Agora, a pasta sinaliza que o país pode encerrar o ano com um crescimento menor do que o previsto. >
Nas projeções mais recentes da SPE (Secretaria de Política Econômica ), divulgadas em julho, o PIB brasileiro avançaria 5,3% em 2021. Agora, em nota informativa publicada nesta quarta-feira (1º), a pasta diz esperar "crescimento do PIB em 2021 superior a 5,0%". >
Técnicos da equipe econômica dizem que não há mudanças na projeção oficial para 2021 "por enquanto", mas lembram que uma revisão dos números será feita ainda neste mês. >
Em nota, a SPE afirma que a queda de 0,1% do PIB no trimestre foi influenciada principalmente pela queda na indústria e pela redução dos investimentos -indicadores afetados, entre outros fatores, pela escassez de matérias-primas. >
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A pasta também cita como fatores para a queda do PIB a estiagem no campo e o auge de mortes pela pandemia de Covid-19. "Além do efeito devastador nas famílias brasileiras, há impacto relevante nas decisões econômicas dos agentes", afirma a SPE. >
A secretaria afirma que a escassez de insumos afetou sobretudo o ramo automobilístico. De acordo com os técnicos, no entanto, indicadores mais recentes apontam melhora nas próximas divulgações enquanto os segmentos de indústria extrativa e construção civil mostram avanço. >
"Observa-se que o elevado nível da confiança dos empresários e a contínua melhora da expectativa de demanda no setor indicam a retomada da produção industrial [no terceiro trimestre]", afirma a secretaria. >
A SPE destaca como positivo o avanço de 0,7% observado no setor de serviços. "A vacinação em massa tem possibilitado o fortalecimento dos serviços, destacando este setor como principal contribuidor para o PIB no primeiro semestre", afirma a SPE. >
Para o curto prazo, o Ministério da Economia afirma que são fatores de alerta para o PIB no ano "a deterioração do processo de consolidação fiscal, eventual aprofundamento da pandemia e o risco hídrico". >
Já entre os principais fatores positivos para a recuperação da atividade estão a aceleração do crescimento dos principais parceiros comerciais do Brasil (Estados Unidos e China) e a política monetária global acomodatícia e o aumento do preço das commodities. >
Também deve contribuir o elevado carrego estatístico para 2021 (em 4,9%), a maior taxa de poupança para o segundo trimestre desde o início da série, o mercado de crédito e de capitais em expansão e a recuperação do emprego com a vacinação em massa. >
De acordo com a secretaria, o Brasil tem posição melhor do que outros países se for analisada a fotografia do acumulado dos últimos quatro trimestres. Nesse caso, o Brasil avançaria 1,8% -atrás apenas de Chile e China na lista dos emergentes (no dado específico do segundo trimestre, no entanto, o Brasil fica bem atrás na comparação internacional). >
Além disso, os técnicos lembram que os dados do mercado formal vêm apresentando melhora, com três milhões de postos com carteira assinada em 12 meses. >
"Cabe ressaltar que, para reverter de forma sustentável o diagnóstico do baixo crescimento da economia brasileira, é necessário combater as causas da baixa produtividade e da má alocação de recursos", afirma a SPE. >
"Para isso, não há outro caminho que resulte em elevação do bem-estar dos brasileiros a não ser por medidas que busquem a correção da má alocação de recursos e incentivem a expansão do setor privado, por meio das reformas pró-mercado e da consolidação fiscal", diz o texto.>
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