Publicado em 10 de junho de 2021 às 15:28
Em um dia em que os dados da inflação trouxeram preocupações, as notícias vindas do campo também não são animadoras. A grave crise hídrica vivida pelo país começa a refletir com mais intensidade nas lavouras, e a safra brasileira de grãos deverá registrar uma queda de 10 milhões de toneladas. >
Estimada em até 272 milhões em março, a produção total de grãos recua, agora, para 262 milhões, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). >
Por ora, porque o produto que mais provocou essa queda, o milho, ainda gera incertezas com relação aos números finais de safra. O volume de milho a ser colhido neste ano será de 96 milhões de toneladas, abaixo da previsão de março de até 108 milhões. >
A divulgação desta quinta-feira (10), feita pela Conab, está sobreavaliada em relação a números já divulgados por consultorias especializadas no setor. Para elas, a produção do cereal fica próxima de 90 milhões de toneladas. >
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Um dado preocupante é que as quedas provocam elevação de preços em produtos importantes na demanda interna e de difíceis importações. >
É o caso do feijão. A segunda safra do produto em cores, devido à seca, deverá ter redução de 14%. O resultado serão preços mais elevados e estoques finais nos menores patamares em cinco anos. >
O milho, importante para a cadeia de proteínas, com a estimativa de queda de 12 milhões de toneladas, manterá os preços em patamares recordes, como os atuais. >
Diante dessa quebra de safra do cereal, a Conab reduziu as expectativas de exportações para 29,5 milhões de toneladas e as de importações para 2,3 milhões. Em maio, o órgão esperava vendas externas de 35 milhões de toneladas e importações de 1 milhão. >
Essa quebra na produção de milho pesa sobre os custos dos produtores de frango, de suínos e de bovinos, principalmente no segundo semestre. A conta vai chegar ao bolso do consumidor. >
Há preocupação também com os preços do arroz. A produção deste ano é melhor do que a de 2020, mas os preços devem continuar elevados em relação aos patamares de anos anteriores. A produção sobe para 11,6 milhões de toneladas, acima dos 11,2 milhões do ano passado. >
Os estoques de trigo melhoram, em relação aos de 2020, mas ainda estão bem abaixo dos da média dos anos anteriores. >
Um dos alívios para os consumidores será o comportamento do dólar. Se houver uma valorização consistente da moeda brasileira, os produtos nacionais ficarão menos competitivos no mercado internacional. A queda do dólar facilita também as importações. >
A demanda externa continua elevada, com grandes consumidores, como a China, remontando seus estoques e forçando uma alta nos preços internacionais. >
Essa pressão externa inibe reduções significativas dos preços internos, mesmo com a ocorrência de safras melhores de alguns produtos, como é o caso da soja. >
O arroz, apesar de não repetir os volumes de exportação do ano passado, deverá ter preços aquecidos internamente. As expectativas de exportações do cereal nesta safra foram reduzidas para 1 milhão de toneladas pela Conab, abaixo do 1,8 milhão da anterior. >
Apesar da redução de exportações do milho e do arroz, o mercado internacional continua favorável para soja e algodão brasileiros, que terão crescimento de 5% no volume colocado no exterior. Segundo a Conab, o Brasil exportará 87 milhões de toneladas de soja e 2,2 milhões de algodão.>
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