Publicado em 13 de julho de 2021 às 15:51
Nova versão da proposta de reforma do IR (Imposto de Renda) prevê um corte de 12,5 pontos percentuais no tributo sobre empresas, informou ao jornal Folha de S.Paulo o relator do texto, deputado Celso Sabino (PSDB-PA). >
A proposta apresentada em 25 de junho pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) propunha uma redução da alíquota do IR de empresas dos atuais 15% para 10%, com um escalonamento de 2,5 pontos percentuais no primeiro ano e mais 2,5 pontos no segundo ano. A tributação adicional de 10% sobre lucros acima de R$ 20 mil continuaria valendo. >
Agora, o relator cortou a alíquota base de 15% para 2,5%. >
O parecer, apresentado a líderes partidários nesta terça-feira (13), não altera a sugestão do governo de ampliar a faixa de isenção para pessoas físicas dos atuais R$ 1.900 para R$ 2.500. >
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Para compensar a perda de arrecadação provocada pelas mudanças, Sabino disse que buscou algumas fontes. Entre os pontos, será proposto um corte de incentivos tributários. >
"Vamos cortar alguns subsídios de quatro setores que atingem 20 mil empresas ativas. E essa redução no imposto das pessoas jurídicas vai beneficiar 1,1 milhão de empresas", disse. >
O relator informou que também está propondo tributar o recebimento de auxílio moradia e auxílio transporte por agentes públicos, como políticos e juízes. Além disso, ele afirmou que está usando a previsão de economia do governo com o projeto pautado para votação no Congresso que corta supersalários de servidores públicos. >
Ainda assim, ele afirmou que eventual resultado negativo da reforma para as contas do governo será compensado por meio do ganho de arrecadação previsto pelo Ministério da Economia. >
As alterações no texto foram negociadas com o Ministério da Economia e são uma resposta à onda de críticas feitas por empresários e especialistas à versão inicial apresentada pelo governo no fim de junho. O projeto original promovia um aumento agregado da carga sobre as companhias. >
De acordo com o deputado, será mantida a proposta do governo de extinguir a isenção de dividendos, com instituição de alíquota de 20% sobre a distribuição desses recursos. Também fica inalterada a faixa de isenção de R$ 20 mil mensais para esses ganhos. >
O relator também afirmou ter eliminado do texto o que chamou de "pacote de medidas acessórias" que vinham sendo criticadas. >
A proposta de cobrar 15% sobre rendimentos em fundos de investimento imobiliário é um desses trechos. Com isso, será mantida a isenção para essas aplicações. >
Também será limado o ponto que prevê a cobrança de imposto sobre a distribuição de dividendos entre empresas do mesmo grupo. >
O relator ainda ampliou as possibilidades de empresas usarem a tributação pelo lucro presumido, mecanismo mais simples de apuração. >
Segundo ele, também foi retirada a previsão de come-cotas (cobrança antecipada do IR) para aplicações em fundos de investimento em infraestrutura e agronegócios. >
Dados do governo corroboram a afirmação de empresários de que a carga seria elevada na proposta originalmente apresentada. >
Em reestimativa de cálculo apresentada nesta segunda-feira (12), a Receita Federal informou que a parte do projeto que trata das pessoas jurídicas deveria gerar um ganho de arrecadação de aproximadamente R$ 39 bilhões nos próximos três anos. >
O Ministério da Economia resistia às pressões por uma redução da alíquota proposta para a tributação sobre dividendos. O argumento é que 20% é um nível baixo se comparado com outros países. >
Ainda assim, técnicos chegaram a colocar sobre a mesa projeções para o caso no qual a cobrança fosse reduzida para 15%. Uma ala da pasta defende esse valor como forma de homogeneizar as cobranças, já que a tributação sobre investimentos é de 15%.>
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