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Agronegócio

Produção de pimenta-do-reino cresce, mas preço vira desafio no ES

Safra da especiaria, em 2018, teve aumento de 77,1% em relação ao ano anterior

Publicado em 22 de Abril de 2019 às 00:51

Siumara Gonçalves

Publicado em 

22 abr 2019 às 00:51
O cultivo de pimenta-do-reino no Espírito Santo cresceu no último ano. Mas junto com esse aumento veio um desafio para os produtores: o preço baixo. Atualmente o Estado é o segundo maior produtor da especiaria, colhendo 61 mil toneladas desses grãos.
De acordo com dados do IBGE, em 2017, a produção capixaba foi de 34.591 toneladas. No ano passado, a colheita aumentou 77,1%, chegando a 61.256 toneladas. Já para 2019, a previsão é de que a safra atinja 61.531 toneladas.
Esse salto entre 2017 e 2018 está atrelado principalmente ao crescimento da área para colheita, que aumentou significativamente desde 2015. O valor atrativo, que chegou a R$ 30 o quilo, motivou muitos produtores a cultivarem a especiaria.
Em 2015 o Estado tinha quase 4 mil hectares de área para ser colhida. Em 2017, já eram 9,7 mil hectares e em 2018 esse número passou para 15,2 mil hectares. No período de apenas quatro anos a área de produção capixaba cresceu 180%.
Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Weligton Secundino, o Estado já tem 45 municípios trabalhando com esse cultivo.
“As maiores produções estão concentradas na região Norte do Espírito Santo, principalmente em São Mateus, Jaguaré, Vila Valério, Sooretama e Nova Venécia. No Estado mais de 1,7 mil propriedades estão trabalhando com o cultivo dessa especiaria”, comenta.
DESAFIO
Apesar da ótima colheita, o preço de venda da pimenta-do-reino está mais baixo que o esperado pelos produtores. O crescimento da produção não se restringiu ao Espírito Santo. Em 2015 o Brasil produziu 51,7 mil toneladas da especiaria. Já em 2017 foram 79,3 mil toneladas. Com esse volume, o país vem reconquistando no mercado internacional o espaço que havia perdido para o Vietnã, porém, o excesso de produto também mantém os preços mais baixos.
Atualmente, quase tudo o que é produzido no Estado tem como destino a exportação. Os mercados do Oriente Médio, Europa e Estados Unidos. 
De acordo com o presidente da Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac), Erasmo Carlos Negris, o custo de produção dos mais de 200 cooperados que trabalham com esse plantio vem aumentando.
Para Negris, considerando o dólar próximo a R$ 4, a especiaria teria que ser vendida em torno de US$ 3 mil a tonelada para compensar os custos de produção. Atualmente é comercializada, em média, a US$ 2,3 mil.
“O produtor precisaria receber um valor líquido de R$ 10 por quilo para a pimenta ser uma atividade sustentável para ele. Porém, atualmente o valor para o produtor está próximo a R$ 7, sendo que em 2018 chegou a R$ 5”, explica.
Segundo ele, uma alternativa para que o preço do produto não sofra tanto com a variação da produção é retirar o grão do mercado e armazenar. A medida impediria o comércio a preços muito baixos.

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