Publicado em 17 de março de 2021 às 15:47
- Atualizado há 5 anos
O Ministério da Economia manteve a projeção de crescimento para o PIB (Produto Interno Bruto) em 3,2% em 2021, apesar do avanço da pandemia de Covid-19 e da perspectiva de novos fechamentos de atividades. Já as projeções para a inflação subiram. >
Os números foram divulgados nesta quarta-feira (17) pela Secretaria de Política Econômica (a SPE) do ministério e atualizam as projeções da pasta feitas anteriormente em novembro de 2020.>
Os técnicos afirmam que a projeção para o PIB foi mantida devido a incertezas provocadas pela pandemia, que demandam conservadorismo nos cálculos, e por influência de indicadores vistos como positivos no primeiro bimestre.>
Waldery Rodrigues, secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, afirma que houve cautela nas contas em meio ao cenário da Covid-19. Ele deixou em aberto a possibilidade de modificações das projeções nos próximos meses tendo em vista o avanço da pandemia. "Sem dúvidas, medidas de lockdown têm efeitos diretos sobre a economia", afirmou.>
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Por outro lado, disse, efeitos como a liberação do auxílio emergencial em 2021 podem contribuir para os dados. "Uma reação maior da economia com o auxílio emergencial deve ocorrer. Ele tem uma função de proteger os mais vulneráveis e manter a dinâmica econômica, em particular no mercado de trabalho", disse.>
Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica, afirma que o PIB de 2021 será beneficiado por fatores como o crescimento acima do esperado da atividade no fim do ano passado, a elevação da poupança e o mercado de crédito.>
Os técnicos também citam indicadores com sinais de crescimento no primeiro bimestre, como a expedição de papel ondulado, o fluxo de veículos pesados e a carga de energia.>
Mesmo assim, Sachsida afirmou que o novo avanço da pandemia tem sido significativo, o que deve impactar a atividade. "O recrudescimento da pandemia foi muito forte. E as consequentes medidas para diminuir a propagação do vírus geram um efeito negativo sobre a economia", disse.>
"Então de um lado tem efeitos positivos, e de outros negativos claramente associados à pandemia. No balanço, achamos que o mais prudente é manter a projeção atual. E, se for necessário, faremos as mudanças devidas [nos próximos meses]", afirmou o secretário de Política Econômica.>
Ele afirmou que a imunização da população é a estratégia mais adequada para combater a crise econômica. "Hoje, a vacinação é a melhor política econômica do governo", afirmou Sachsida.>
A projeção do governo para o PIB está alinhada com o esperado pelo mercado, que esperava um número mais alto do que a do governo no começo do ano e reduziu as expectativas recentemente. As contas são feitas após o PIB cair 4,1% no ano passado.>
O boletim Focus (do Banco Central, que traz projeções de analistas) mostra que o mercado esperava um crescimento em 2021 de 3,43% há quatro semanas. A projeção foi cortada para 3,26% há uma semana e para 3,23% no boletim da última segunda-feira (15).>
Para a inflação, o ministério elevou as expectativas para todos os indicadores principalmente devido ao preço dos alimentos.>
A projeção da SPE para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,23% para 4,42%. O número está dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação para este ano, de 3,75% com margem de até 5,25%.>
No mercado, as projeções para o IPCA em 2021 também foram elevadas e para um patamar ainda mais alto que o previsto pelo governo. De 3,62% há quatro semanas para 4,6% no boletim Focus desta semana.>
A estimativa da pasta para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que norteia o cálculo do salário mínimo, subiu de 3,2% para 4,27%.>
A projeção da SPE para o IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) saiu de 4,38% para 5,06%. Esse índice tem uma abrangência maior do que apenas o consumidor final por englobar também o setor atacadista.>
A evolução do IPCA ao longo de 2020 mostrou que a inflação acumulada em 12 meses do grupo alimentação no domicílio, após atingir um valor mínimo de 5,1% em março de 2020, acelerou para um pico de 21,1% em novembro de 2020 e fechou o ano em 18,2%. No dado mais recente, no acumulado em 12 meses, chegou a 19,4% (fevereiro de 2021).>
O ministério afirma que os choques atuais são temporários, "ainda que tenham se revelado mais persistentes do que o esperado". As expectativas oficiais apontam que, a partir de 2022, haverá convergência da inflação para o centro da meta de 3,5%.>
Em meio ao cenário de maiores expectativas para a inflação, o Copom se reúne nesta quarta para decidir sobre o rumo da taxa básica (a Selic), hoje no mínimo histórico de 2% ao ano.>
Em um dos únicos comentários que fez sobre juros, Sachsida afirmou que a elevação da Selic não necessariamente tornará a política monetária mais restritiva.>
"Temos que diferenciar aumento da taxa de juros de política monetária restritiva. Não é porque o BC aumentou juros que a política monetária está restritiva. Temos certeza do excelente trabalho que o BC tem feito", afirmou, evitando falar mais sobre o tema justificando ser um dia de reunião do Copom.>
Ele defendeu ser fundamental manter as expectativas ancoradas por meio da contenção dos gastos públicos. "Aumentar gasto público sem contrapartida fiscal desancora expectativas. É fundamental manter o processo de consolidação fiscal", afirmou Sachsida.>
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