Publicado em 17 de março de 2021 às 17:35
- Atualizado há 5 anos
A Petrobras informou na noite desta terça (16) que o comitê responsável por analisar as indicações para sua administração aprovou o nome do general da reserva Joaquim Silva e Luna, para ocupar a presidência da companhia, além de uma vaga no conselho de administração. >
Em nota, a empresa disse que o comitê avaliou que não há vedações à sua nomeação, apesar de Luna e Silva não ter longa experiência no setor de petróleo ou na direção de companhias de porte semelhante. Atualmente no comando de Itaipu Binacional, Luna e Silva fez carreira no exército.>
A análise do currículo do general é alvo de um dos quatro processos abertos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para investigar a troca de comando da Petrobras, anunciada por Bolsonaro em uma rede social no dia 19 de fevereiro.>
A nomeação de Silva e Luna ainda será analisada em assembleia de acionistas marcada para 12 de abril. Como o governo tem maioria do capital votante, não há chances de que a indicação seja rejeitada, apesar do descontentamento do mercado com a demissão do atual presidente, Roberto Castello Branco.>
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A Petrobras informou que a ata da reunião desta terça do Comitê de Pessoas só será divulgada em sete dias. A Folha apurou que o grupo avaliou que a experiência do general se enquadra no ítem C do decreto 8.945, de 2016, que estipula regras para nomeações em estatais.>
Em geral, os requisitos incluem atuação em empresas do mesmo setor de atuação da estatal ou em empresas do mesmo porte e conhecimento acadêmico na área de atuação da empresa.>
Mas o item C abre espaço para indicação de servidores, ao permitir nomeações de pessoas com "quatro anos em cargo em comissão ou função de confiança equivalente a nível 4, ou superior, do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, em pessoa jurídica de direito público interno".>
O comitê que aprovou a indicação é formado por dois membros do conselho de administração da empresa, o militar da reserva Ruy Flaks Schneider e o advogado Leonardo Pietro Antonelli, e por dois executivos externos, o advogado Tales José Bertozzo Bronzato e o administrador Sergio Luiz de Toledo Piza.>
A experiência de Silva e Luna em cargos de comando no Exército foi considerada como suficiente para o enquandramento nesse requisito. Ele comandou a 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé (AM), foi chefe de gabinete do Comandante do Exército e Chefe do Estado-Maior do Exército. Em 2018, foi ministro da Defesa do governo Michel Temer.>
A Petrobras não informou o mapa de votação, mas a Folha apurou que os dois representantes do conselho foram a favor da nomeação de Silva e Luna. Antonelli foi um dos conselheiros que renunciaram a um novo mandato em protesto contra a mudança no comando.>
Ao todo, cinco representantes do governo declinaram do convite para permanecer no cargo. Eleito para vaga do governo a partir de uma manobra dos minoritários, Antonelli disputará na próxima assembleia uma das vagas reservadas a esses acionistas.>
A nomeação será analisada pela CVM em processo que investiga "o enquadramento do currículo do General Silva e Luna aos requisitos previstos na Lei das Estatais, para sua investidura no cargo de presidente da companhia".>
A lei foi editada no governo Michel Temer com o objetivo de tentar reduzir a influência política no comando das estatais. Além de requisitos para a nomeação de administradores, ela determina que as empresas cobrem do governo por eventuais prejuízos provocados por interferência em suas operações.>
Além desse processo, a CVM conduz outras três investigações sobre a troca de comando na Petrobras. Em dois deles, o foco é a maneira como a mudança foi divulgada ao mercado. Além de ter feito o anúncio em uma rede social, Bolsonaro chegou a sinalizar mudanças no dia anterior, mexendo no valor das ações da empresa.>
O quarto processo investiga possível uso de informação privilegiada em operações com opções de venda de ações da estatal entre reunião ministerial para discutir o tema e as primeiras declarações de Bolsonaro sobre mudanças na estatal, ainda no dia anterior ao anúncio oficial.>
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