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Rede social em alta

Microsoft negocia compra do aplicativo chinês TikTok

Além de ameaçar a hegemonia dos americanos Twitter e Facebook, o app virou alvo da Casa Branca em meio à guerra comercial com a China

Publicado em 31 de Julho de 2020 às 20:44

Redação de A Gazeta

Publicado em 

31 jul 2020 às 20:44
A Microsoft negocia a compra da operação do aplicativo chinês TikTok nos Estados Unidos, segundo a rede de televisão americana Fox Business. A agência de notícias Bloomberg e o jornal New York Times também reportaram negociações entre as empresas nesta sexta-feira (31).
Aplicativo TikTok
Aplicativo TikTok Crédito: Divulgação
O TikTok conta com mais de 800 milhões de usuários ativos, tendo sido o mais baixado no primeiro trimestre de 2020. Ele permite que usuários publiquem e compartilhem vídeos curtos, geralmente cômicos.
A venda do braço americano da rede social seria uma demanda do governo de Donald Trump. Além de ameaçar a hegemonia dos americanos Twitter e Facebook, o TikTok virou alvo da Casa Branca em meio à guerra comercial com a China.
A penetração do TikTok, da empresa chinesa ByteDance, no Ocidente é um feito inédito para uma rede social chinesa - Baidu, Tencent e Alibaba jamais tiveram o mesmo alcance. O sucesso levou a ByteDance a ser avaliada em cerca de US$ 100 bilhões (R$ 520 bilhões).
"Estamos olhando para o TikTok, podemos estar proibindo o TikTok. Podemos estar fazendo outras coisas. Existem algumas opções. Mas muitas coisas estão acontecendo, então vamos ver o que acontece. Mas estamos procurando muitas alternativas", disse Trump a repórteres na sexta.
Recentemente, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse em uma entrevista que os dados de usuários do TikTok vão parar "nas mãos do Partido Comunista Chinês".
Nas últimas semanas a Casa Branca ameaçou proibir o TikTok e outros apps chineses em nome, supostamente, da privacidade e da segurança nacional. A decisão pode ser um segundo golpe para o projeto de expansão internacional da ByteDance - em junho, em meio a uma tensão na fronteira entre China e Índia, os indianos bloquearam TikTok, Baidu e outros 57 aplicativos chineses por considerá-los "prejudiciais à soberania e integridade, à defesa do país, segurança de Estado e ordem pública".
O TikTok também é investigado pela Comissão Federal de Comércio e pelo Departamento de Justiça dos EUA por suspeita de coletar informações sobre crianças menores de 13 anos sem a autorização dos pais, o que violaria as leis americanas de privacidade e um acordo prévio da ByteDance com autoridades do país.
Um dos principais motivos para a preocupação americana é a Lei de Inteligência Nacional em vigor na China, que obriga as empresas do país a repassar qualquer informação que o regime demande --por isso Trump acusa essas empresas de serem espiãs a serviço do Partido Comunista Chinês, o que a ByteDance nega veementemente.
Na tentativa de reverter uma eventual proibição, o gigante chinês escalou uma equipe de lobistas e assessores para tentar convencer os EUA de que o TikTok não tem relação com o governo chinês e mostrar que nem mesmo os seus servidores estão instalados no país.
Investidores também foram acionados, como o SoftBank e a General Atlantic. A escalação, em maio, do americano Kevin Mayer, ex-diretor de streaming da Disney e residente em Los Angeles, como diretor-presidente do TikTok é outra peça da estratégia de defesa.
Investidores estimam que a receita da ByteDance pode chegar a US$ 30 bilhões - um salto de US$ 10 bilhões em 2019 - este ano, com lucro líquido de US$ 7 bilhões.

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