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Brasil x EUA

Lula liga para Trump e diz que tarifaço contra Brasil é baseado em alegações infundadas

Presidentes do Brasil e dos Estados Unidos conversaram por telefone nesta sexta (21); americanos impuseram tarifas que chegam até 37,5%

Publicado em 21 de Agosto de 2026 às 14:27

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 ago 2026 às 14:27

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  telefonou na manhã desta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que o mais recente tarifaço aplicado contra o Brasil é baseado em "alegações infundadas" envolvendo o Pix, o etanol brasileiro e importações com trabalho forçado.

Segundo o comunicado do Planalto, a ligação durou uma hora e vinte minutos e ocorreu "em tom amistoso e cordial" entre Lula e Trump, que teria sugerido que os negociadores dos dois países voltassem a se reunir "o mais brevemente possível" — sem detalhar uma data.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Ricardo Medeiros e Evan Vucci/AP

A conversa ocorre em um momento em que autoridades do governo Lula, que é candidato à reeleição, têm repetido que temem uma interferência estrangeira dos EUA nas eleições brasileiras de outubro. A gestão Trump é próxima do principal rival do petista, o candidato à Presidência do PL, Flávio Bolsonaro.

Em julho, os EUA impuseram duas tarifas sobre o Brasil. Uma, com alíquota, de 12,5%, tem por base acusações de falhas no controle de importação de produtos feitos com o uso trabalho forçado. Outras dezenas de países também foram tarifadas.

O Brasil já estava sujeito à aplicação de uma sobretaxa de 25%. A sanção, adotada após uma investigação sobre práticas comerciais supostamente injustas, atinge milhares de produtos brasileiros, mas isenta itens estratégicos para a pauta exportadora, como carne bovina e café.

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Essa sobretaxa foi imposta com base numa apuração do USTR (Escritório do Representante Comercial) dos EUA que acusa o Banco Central de privilegiar o Pix em detrimento de empresas americanas de meios de pagamentos. Os americanos também disseram, na investigação, que o Brasil aplica tarifas injustas para o etanol americano e falha no combate à corrupção.

Em alguns casos, as tarifas são somadas, chegando a 37,5% de alíquota.

Na conversa, Lula disse a Trump que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os EUA e defendeu que as negociações entre os países continuem.


"[O petista] Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", diz outro trecho da nota do governo brasileiro.


Já o presidente americano, de acordo com o relato do Planalto, teria concordado "com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes".


Ainda segundo o Planalto, Lula conversou com Trump sobre a recente designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O Planalto era contra essa classificação e tentou convencer o governo americano a não adotá-la, sem sucesso.

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O presidente brasileiro defendeu ao americano que as facções não são grupos terroristas, apesar de exercerem "terror cotidiano sobre as populações mais carentes" e que o Brasil tem instrumentos para enfrentá-las "sem precisar de classificação especial". Citou, por exemplo, a Lei Antifacção aprovada no Congresso Nacional e sancionada por ele neste ano.


Lula também voltou a propor uma cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado e, de acordo com a nota do Planalto, Trump indicou que vai destacar funcionários de alto escalão do governo dos EUA "para dar seguimento aos entendimentos nessa área".


O tema do combate à corrupção e ao crime organizado será central nas eleições deste ano e deve ser usado por adversários de Lula no pleito para desgastá-lo. Flávio Bolsonaro é a favor de classificar PCC e CV como terroristas e explorou a situação politicamente, já que o anúncio da medida foi feito após uma visita do senador à Casa Branca.


Além disso, como mostrou a Folha, as investigações sobre a relação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente da República, com a lobista Roberta Luchsinger colocaram o assunto novamente no caminho de uma campanha eleitoral de Lula, que já foi ligado a escândalos como o Mensalão e a Operação Lava Jato.

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