Publicado em 26 de junho de 2024 às 14:32
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou em dúvidas nesta quarta-feira (26) a necessidade de efetuar um corte de gastos para melhorar o equilíbrio fiscal do governo. O mandatário afirmou que será preciso analisar se a questão pode ser resolvida com aumento da arrecadação.>
"O problema não é que tem que cortar. Problema é saber se precisa efetivamente cortar ou se precisa aumentar a arrecadação. Temos que fazer essa discssão", afirmou o presidente, em entrevista na manhã desta quarta (26) ao portal UOL.>
O petista também descartou a possibilidade de desvincular o BPC (Benefício de Prestação Continuada), um benefício que é concedido a idosos e portadores de deficiência de baixa renda, do valor do salário mínimo. A medida vem sendo discutida pelo seu governo.>
Lula ainda acrescentou que seu governo está fazendo uma análise sobre se está havendo "gasto exagerado", mas que isso está sendo feito "sem levar em conta nervosismos do mercado".>
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Questionado pelos entrevistadores sobre medidas que vem sendo discutidas pelo seu governo para melhorar a situação fiscal, em particular a desvinculação do BPC, ele respondeu que não faria isso: "Não é [possível desvincular o BPC]], porque não considero isso gasto, gente".>
Também descartou qualquer mudança na política de valorização do salário mínimo. O presidente ainda acrescentou que ficaria para o "purgatório" se mexesse no mínimo.>
A pressão para o governo cortar gastos cresceu nas últimas semanas com o aumento da desconfiança dos investidores com o compromisso do governo Lula de garantir o equilíbrio das contas públicas.>
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já repetiu que os esforços do governo com relação às contas públicas era o de evitar cortes que impactem os trabalhadores e os mais pobres — um discurso de que Lula também se utiliza.>
O risco de mudança das regras do arcabouço fiscal para acomodar o crescimento das despesas obrigatórias entrou no radar após encontro do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia 7 de junho, com representantes de instituições financeiras.>
A rejeição pelo Congresso da MP (medida provisória) restringindo o uso de créditos do PIS/Cofins para financiar a desoneração da folha de pagamento das empresas de 17 setores e municípios elevou a preocupação. A leitura é de que há um esgotamento da agenda de Haddad de ajuste fiscal pelo lado de aumento de arrecadação.>
O presidente também descartou qualquer medida de benefícios fiscais para o setor automobilístico, argumentando que é preciso reforçar "produção e venda".>
Ele também defendeu uma revisão de alguns tributos, citando como exemplo os relacionados com a carne. Disse que é preciso haver uma diferenciação entre a parcela desse produto que é consumida pelas classes mais altas e aqueles que estão na mesa dos mais humildes.>
"Então, acho que você tem que separar, mesmo na questão da carne, os empresários querem que você isente toda carne. Acho que a gente tem que mediar. Você tem a carne que é consumida só por gente de padrão alto e você tem a carne que o povo consome", afirmou.>
"Então, você pode fazer a separação: carne de frango, você não vai taxar frango, carne de frango é o que o povo come todo dia, pé de frango, pescoço de frango, peito de frango. Então, a gente tem um cuidado especial. É importante lembrar que a inflação está controlada nesse país, a inflação está controlada nesse país", completou.>
Lula ainda afirmou que tem divergências com o seu chefe da equipe econômica, Fernando Haddad, e que a relação deles permite que essas faltas de concordâncias sejam externadas.>
"Haddad é uma pessoa muito importante para mim e para o país. E eu quero muito bem ao Haddad. Obviamente que nós temos divergências, eu nem sempre comungo com tudo o que o Haddad pensa e quero que ele não comungue com tudo que eu penso. Portanto, a gente tem a liberdade de dizer um para o outro, 'isso eu concordo, isso eu não concordo'. Isso é saudável", afirmou.>
"O Haddad é um companheiro que tem 100% da minha confiança, o Rui [Costa] tem 100% da minha confiança porque eu montei uma equipe boa">
O presidente também voltou a criticar a taxa básica de juros, que está atualmente em 10,5%. Afirmou que ela não é compatível com um cenário de inflação estável.>
Lula ainda afirmou que não deveria ser o presidente da República o responsável por criticar a taxa de juros e pediu que o setor produtivo faça "passeatas" para reclamar das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária).>
"É preciso que os empresários do setor produtivo, a CNI, a Fiesp, ao invés de reclamar do governo, eles deviam fazer passeata contra a taxa de juros porque são eles que estão tendo dificuldades, não é o governo", afirmou o presidente.>
O presidente também foi questionado sobre a sucessão de Roberto Campos Neto no comando do Banco Central, em particular sobre o favoritismo de Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária da instituição. Respondeu que ainda não está preocupado com a questão.>
"O Galípolo é um companheiro altamente preparado, conhece muito o sistema financeiro, mas eu ainda não estou pensando na questão do Banco Central", afirmou.>
O presidente ainda acrescentou que a sua indicação para a instituição não terá como objetivo agradar o mercado financeiro.>
"Eu não indico presidente do Banco Central para o mercado. Eu indico presidente do Banco Central para o Brasil. Ele vai ter que tomar conta dos interesses do Brasil. E o mercado, seja ele o mercado financeiro e o mercado empresarial, mercado produtivo, vai ter que se adaptar a isso", completou.>
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