ASSINE

Funchal: Acabar com piso de saúde e educação é "cavalo de pau em transatlântico"

Secretário do Tesouro Nacional destacou que o governo chegou a propor mudança menos radical, para fundir os pisos das duas áreas

Publicado em 25/02/2021 às 17h54
Atualizado em 25/02/2021 às 17h54
Bruno Funchal é secretário do Tesouro Nacional
Bruno Funchal é secretário do Tesouro Nacional. Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

Ao reconhecer dificuldades no debate da regra que extingue os valores mínimos a serem aplicados em saúde e educação, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, afirmou nesta quinta-feira (25) que a proposta é como "dar cavalo de pau em transatlântico".

A medida faz parte do relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, apresentado nesta semana como parte do acordo para liberar uma nova rodada do auxílio emergencial.

De acordo com o secretário, o governo federal já gasta em patamares superiores ao exigido pela Constituição, mas prefeitos e governadores sofrem com o engessamento da regra. Funchal defende a proposta, mas afirma que é uma mudança difícil.

"Se você está em um estado ou em um município, sofre esse tipo de problema, tem uma amarra muito grande. Mas é difícil dar cavalo de pau em transatlântico. É sair do 0 para 100 quilômetros por hora rapidinho, é difícil. Mas se a gente conseguir avançar nessa direção, trazer os governadores e prefeitos para o debate, acho que tem um grande ganho", disse.

O secretário lembrou que ao enviar a proposta original ao Congresso em 2019, o governo propôs uma regra mais branda. Em vez de extinguir os pisos, a ideia era unificar as duas exigências.

Nesse formato, o gestor público teria um valor mínimo global para as duas áreas, facilitando o manejo dos recursos.

Ao defender a ideia, Funchal usou como exemplo cidades que têm uma parcela maior de pessoas idosas na população. Nesses casos, os prefeitos poderiam remanejar parte dos recursos da educação para a saúde.

Segundo o secretário, é preciso avançar no sentido da desvinculação.

Após a reação por conta da proposta de desvinculação dos mínimos constitucionais para saúde e educação, líderes partidários decidiram adiar a votação da PEC Emergencial, que estava programada para ocorrer nesta quinta.

Os líderes acordaram adiar a votação para a próxima quarta-feira (3), deixando a sessão da tarde de hoje apenas para a leitura do relatório da PEC, elaborado pelo senador Márcio Bittar (MDB-AC). A sessão da próxima terça-feira também será usada para debates sobre a proposta.

A PEC Emergencial prevê o acionamento de medidas em caso de crise nas contas públicas. O governo considera fundamental a sua aprovação antes de encaminhar ao Congresso a proposta para uma nova rodada de auxílio emergencial.

Líderes partidários apontaram que havia o risco de não aprovação da PEC na sessão desta quinta, por conta da desvinculação dos gastos com saúde e educação.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.