Publicado em 30 de junho de 2022 às 15:05
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O Senado Federal se prepara para votação do projeto batizada de PEC Kamikaze, que prevê a liberação de gastos do governo federal e a criação de novos benefícios sociais em ano eleitoral, o que seria possível com a decretação de um estado de emergência.>
O texto substitui a PEC dos Combustíveis (Proposta de Emenda à Constituição 16), abandonada pelo governo federal. A votação da nova proposta estava programada para esta quarta (29), mas foi adiada e deve ocorrer nesta quinta-feira (30).>
Não. A PEC dos Combustíveis (PEC 16), deixou de ser votada pelo Senado Federal para dar lugar a chamada PEC Kamikaze (PEC 1). Enquanto a PEC 16 tinha o objetivo de criar subsídios para baixar o preço da gasolina, a PEC 1 tem a missão de destravar programas sociais e aumentar a concessão de benefícios em ano eleitoral.>
A PEC Kamikaze (PEC 1) é de autoria do senador Carlos Fávaro (PSD-MT) e foi apresentada em fevereiro deste ano. O relator da proposta de emenda será o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que era o relator da PEC dos Combustíveis.>
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A PEC dos Combustíveis (PEC 16) foi proposta pelo líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ).>
A proposta de emenda é chamada de kamikaze por colocar em risco as contas públicas. Ela já havia sido apresentada em fevereiro para tentar socorrer os profissionais impactados com a alta dos preços dos combustíveis. Ela passou a ser chamada de Kamikaze porque seu impacto, naquele momento, era estimado em mais de R$ 100 bilhões.>
A proposta de emenda pretende destravar programas sociais, identificados pela campanha de Bolsonaro como fundamentais para recuperar a desvantagem nas pesquisas de intenção de voto para presidente, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).>
O principal alvo é zerar a fila do programa Auxílio Brasil, além de aumentar para R$ 600 o valor do benefício neste ano. Para permitir a elevação de gastos em ano eleitoral, a estratégia será decretar estado de emergência.>
A decretação é necessária do ponto de vista legal para criar um programa novo, que é o auxílio para os caminhoneiros autônomos. O programa pagará R$ 1.000 para os transportadores autônomos cadastrados na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) até 31 de maio.>
AUXÍLIO BRASIL VAI AUMENTAR PARA R$ 600 >
CAMINHONEIROS TERÃO AUXÍLIO DE R$ 1.000 >
AUXÍLIO-GÁS DE R$ 120 >
VERBA PARA O TRANSPORTE GRATUITO PARA IDOSOS >
REPASSE DE VERBA PARA O SETOR DO ETANOL >
DECRETAÇÃO DE ESTADO DE EMERGÊNCIA >
QUANTO ELA DEVE CUSTAR? >
A medida tem impacto previsto de R$ 38,75 bilhões além do teto de gastos do governo.>
QUANDO A PEC DEVERÁ SER VOTADA? >
A votação era esperada para esta quarta (29), mas após divergência entre os senadores, que não se convenceram de que o texto não se configuraria em um cheque em branco para o governo, a votação foi adiada e está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (30).>
DO QUE ELA PRECISA PARA SER APROVADA? >
Para entrar em vigor, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos tanto pelo Senado quanto pela Câmara dos Deputados e ter três quintos dos votos dos parlamentares nas duas casas. Após a aprovação, ela é promulgada automaticamente, sem necessidade de sanção presidencial.>
QUAL A JUSTIFICATIVA PARA ESTADO DE EMERGÊNCIA? >
O relator da matéria, o senador e ex-líder do governo Fernando Bezerra (MDB-PE) aponta a Guerra na Ucrânia e o impacto sobre os combustíveis para pedir o reconhecimento do estado de emergência.>
O QUE MUDA COM O ESTADO DE EMERGÊNCIA? >
O estado de emergência pode ser decretado em situações extraordinárias. Ele só pode ser declarado pelo governo diante de alguma ameaça que possa provocar uma instabilidade no país.>
No Brasil, a lei eleitoral proíbe a implementação de novos benefícios no ano de realização das eleições, justamente para evitar o uso da máquina pública em favor de um dos candidatos. As únicas exceções são programas já em execução ou quando há calamidade pública ou estado de emergência.>
No caso da PEC Kamikaze, o estado de emergência seria regulamentado pela própria proposta e afastaria todas as vedações ou restrições previstas na legislação.>
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