Nos últimos dias, começaram a ser vendidos os álbuns e as figurinhas da Copa do Mundo 2026. Milhares de pais e mães retornam ao tempo de criança, lembrando da época em que colecionavam, jogavam bafo (à brinca ou à vera) e faziam trocas.
Aqueles que eram crianças e adolescentes nos anos 70, 80 e 90 também lembram a demora que era para conseguir uma determinada figurinha e de todo o processo de conseguir o dinheiro, ir à banca, comprar o pacotinho, abrir e... ver que tinham 5 figurinhas repetidas daquele jogador menos conhecido de uma seleção sem expressividade no futebol. Isso obrigava aquela geração a lidar com a frustração e o sentimento de ter que esperar o próximo pacotinho para tentar novamente.
Do ponto de vista educacional, principalmente na área da Matemática, os álbuns de figurinhas ampliam diversos conceitos aprendidos na escola: de antecessor e sucessor, par e ímpar, contagem, leitura de números, adição, subtração etc., enfim, praticamente todo o conteúdo do Ensino Fundamental I.
Para além da Matemática, os álbuns de figurinhas servem para desenvolver outras habilidades básicas do cidadão, como a socialização. Por meio das trocas, é possível trabalhar técnicas de negociação e a compreensão da lei da oferta e da procura, uma vez que figurinhas mais raras podem ter preços mais elevados.
Mas as habilidades que talvez sejam as mais importantes e que as famílias têm grande oportunidade de desenvolver com seus filhos nesse momento é o saber esperar e frustrar-se.
Contudo, nos últimos anos, percebe-se que as crianças estão completando o álbum em tempo recorde, às vezes, uma semana após o lançamento. Vale, então, a reflexão: qual é a graça de terminar um álbum na semana de lançamento? O que ensinamos quando compramos 100 ou 200 pacotinhos de uma vez?
É muito comum ouvirmos adultos fazendo críticas às crianças de hoje, principalmente com falas do tipo “na minha época...”. Mas é justo cobrar que elas ajam de acordo com as gerações passadas se os pais e as mães de hoje agem diferente dos anteriores? É justo reclamar que as crianças de hoje são imediatistas quando nós, adultos, damos-lhes tudo que querem, no momento em que desejam?
Nenhuma criança será um adulto pior se tiver que esperar um ou dois meses para completar seu álbum ou se, até mesmo, não conseguir aquela figurinha tão desejada.
Educar uma criança para enfrentar os desafios que o mundo apresentará é um processo árduo e longo e, por isso, devemos aproveitar todas as oportunidades que aparecem para desenvolver as habilidades que serão necessárias para o futuro de nossos filhos. E essas oportunidades se apresentam em diversos momentos cotidianos, até mesmo em um álbum de figurinhas.