Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Economia
  • Coronavírus amplia rombo da Previdência e ameaça retardar efeito da reforma
Pandemia

Coronavírus amplia rombo da Previdência e ameaça retardar efeito da reforma

Com o efeito da recessão ainda incalculável do novo coronavírus, somado ao aumento do desemprego e à falência das empresas, o rombo deve subir para ao menos 3,8% do PIB

Publicado em 08 de Junho de 2020 às 11:33

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 jun 2020 às 11:33
Efeito do coronavírus na economia mundial
Efeito do coronavírus na economia Crédito: Divulgação
A recessão econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus deve agravar o déficit da Previdência Social e ameaça retardar os efeitos da reforma.
As novas regras de aposentadorias e pensão foram aprovadas no ano passado para tentar equilibrar as contas do sistema previdenciário brasileiro.
No ano passado, o rombo do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sistema voltado aos trabalhadores do setor privado, ficou em R$ 213,2 bilhões.
O montante equivale a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019.
Para 2020, a Lei Orçamentária Anual (LOA) já previa um déficit maior, de R$ 241,2 bilhões. Antes da pandemia, isso representava em torno de 3,1% do PIB.
Com o efeito da recessão ainda incalculável do novo coronavírus, somado ao aumento do desemprego e à falência das empresas, o rombo deve subir para ao menos 3,8% do PIB.
O cálculo é da pesquisadora Vilma Pinto, da área de economia aplicada do FGV Ibre. Nas contas, a especialista considera a queda na contribuição do mercado formal de trabalho, em meio à expectativa de aumento do desemprego, e também do informal, pela contribuição de autônomos e Microempreendedor Individual (MEI), mesmo que em volume menor.
Dados oficiais do governo também indicam tendência de ampliação do rombo.
No relatório bimestral de receitas e despesas divulgado em maio, o Ministério da Economia reduziu as estimativas de arrecadação do RGPS neste ano em R$ 34 bilhões.
Com isso, sob os efeitos iniciais da crise do coronavírus, o rombo no sistema iria a R$ 276,5 bilhões, um aumento de 15% em relação à previsão incluída inicialmente no Orçamento do ano.
A ampliação na estimativa de déficit supera com folga a economia aos cofres públicos prevista para 2020 com a reforma da Previdência para o setor privado, de R$ 3,5 bilhões.
O impacto da medida aumenta ao longo do tempo e chega a R$ 621 bilhões para o INSS em uma década.
Dados do Tesouro mostram que somente em abril, a arrecadação para o RGPS despencou 34,6%, se comparado com o mesmo mês de 2019. A perda de receita no período de 30 dias foi de R$ 12 bilhões.
Mesmo a projetada retomada da atividade econômica em 2021 depois do baque sofrido neste ano não garante que as contribuições previdenciárias melhorarão e que o rombo da Previdência voltará a diminuir, diz a pesquisadora.
"Na questão do emprego, a gente tem uma recuperação mais forte do setor informal do que do setor formal. O setor formal, dos empregos perdidos, pode demorar um pouco mais para se recuperar."
Sob impacto da pandemia e de medidas restritivas nas cidades, o Brasil perdeu 1,1 milhão de vagas com carteira assinada em março e abril, segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged ).
Na avaliação de Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), "não tem escapatória" para o déficit previdenciário.
"A crise está afetando fortemente o PIB, o emprego e a renda. A Previdência vive de contribuições do empregado e do patrão. Nesse sentido, espera-se que o rombo aumente neste ano."
Outro ponto que tem relação com o aumento de desemprego é o maior número de falências de empresas, também em decorrência da queda de demanda provocada pela pandemia.
Em abril, houve um crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2019, segundo dados da empresa de informações financeiras Serasa Experian -e isso apesar de o governo ter anunciado medidas econômicas para tentar socorrer as companhias, como a liberação de empréstimos para pequenos negócios conseguirem pagar seus funcionários.
A baixa demanda, provocada justamente pela exigência de que as empresas não pudessem demitir os funcionários, levou o governo a reavaliar a medida.
"Todo o socorro prometido pelo governo federal não está chegando a essa ponta. Você tem um fechamento muito grande de empresas. E a retomada disso acaba sendo mais lenta, não acontece da noite para o dia", afirma André Marques, coordenador-executivo do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper.
Essa demora compromete a retomada do mercado formal de trabalho, que crescerá a um ritmo mais devagar do que foi o do aumento do desemprego.
"Se a gente já tinha uma dificuldade disso antes da crise e uma quantidade imensa de informais, agora, então, a chance de você ter um aumento na quantidade de informais mesmo numa retomada, num primeiro momento, é gigantesca."
Mesmo com o freio potencial nos efeitos da reforma, Marques ainda avalia que a aprovação das mudanças na aposentadoria ajuda a amenizar o impacto sobre o sistema previdenciário.
"A reforma acabou vindo num momento em que ajuda a ficar menos pior. Sem a reforma, com certeza ia ser pior ainda", afirma.
"Mas longe de ser suficiente para enfrentar um desafio como esse. Ninguém previa uma catástrofe como essa."

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Tatiana Barbosa do Nascimento é suspeita de fraude na OAB e ligação com grupos criminosos no ES
Justiça manda prender falsa advogada suspeita de atuar junto ao crime no ES
Imagem de destaque
3 sopas com proteína vegetal para um jantar saudável e leve
A Gazeta divulga resultado de pesquisa para governo do Espírito Santo e Senado
A Gazeta divulga pesquisa sobre corridas para governo e Senado no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados