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Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre de 2020, diz FGV

A avaliação é do comitê responsável pela datação de ciclos econômicos;  esse foi o fim de um período de expansão econômica que durou 12 trimestres

Publicado em 29 de Junho de 2020 às 15:05

Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 jun 2020 às 15:05
O Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre de 2020, após chegar ao ponto mais alto do último ciclo de crescimento no quarto trimestre de 2019. Esse foi o fim de um período de expansão econômica que durou 12 trimestres.
Coronavírus tem provocado impacto na economia
Coronavírus tem provocado impacto na economia Crédito: Freepik
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29) pelo Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), órgão ligado ao Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo IBGE em maio.
O dado do segundo trimestre deve mostrar queda de quase 10%, segundo projeções de mercado, devido aos efeitos da pandemia sobre a atividade.
Embora alguns economistas utilizem a métrica de que recessão é o período marcado por dois trimestres seguidos de queda na atividade, o Codace considera uma análise mais ampla de dados. Para o comitê, o declínio na atividade econômica de forma disseminada entre diferentes setores econômicos é denominado recessão.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo da última sexta, o distanciamento social provocará neste segundo trimestre o maior tombo na economia brasileira em 40 anos.
Outro levantamento do Ibre/FGV também mostra que apesar de a confiança de consumidores e empresários ter apresentado dois meses seguidos de recuperação após o fundo do poço verificado em abril, o indicador brasileiro encontra-se em uma situação desfavorável em relação à maioria dos países economicamente relevantes.
O Codace também realizou a datação mensal da recessão de 2014-2016 e identificou um pico da atividade em março de 2014 e o ponto mais baixo da mesma em dezembro de 2016. Segundo a instituição, isso significa que a recessão teria durado 33 meses, de abril de 2014 a dezembro de 2016.
Essa é, até o momento, a maior recessão da série de análises que consideram dados desde 1980.
O comitê foi criado em 2004 pela Fundação Getulio Vargas com a finalidade de determinar uma cronologia de referência para os ciclos econômicos brasileiros, estabelecida pela alternância entre datas de picos e vales no nível da atividade econômica.
Embora tenha sido criado e receba apoio operacional da FGV, por meio do Ibre, as decisões do comitê são independentes.
Em sua reunião da última sexta-feira (26), o Codace era formado por Affonso Celso Pastore (coordenador, diretor da AC Pastore & Associados), Edmar Bacha (diretor do Iepe-Casa das Garças), João Victor Issler (professor da FGV/EPGE), Marcelle Chauvet (professora da Universidade da Califórnia), Marco Bonomo (professor do Insper), Paulo Picchetti (professor da FGV/EESP e pesquisador do FGV/Ibre), Fernando Veloso (professor da FGV/EPGE e pesquisador do FGV/Ibre) e Vagner Ardeo (vice diretor do FGV/Ibre).
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