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Preços altos

Banco Central revisa projeção de inflação para 5% neste ano

A simulação feita pela autoridade monetária mostra que os preços podem acelerar 4,2% no melhor cenário

Publicado em 25 de Março de 2021 às 12:47

Agência FolhaPress

Publicado em 

25 mar 2021 às 12:47
Agência Brasil Economia Edifício Sede Caixa Econômica Federal e Banco Central em Brasília
Região do Banco Central e sede da Caixa em Brasília Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
BRASÍLIA - O Banco Central (BC) revisou para cima a projeção para a inflação de 2021, que ficou em 5%, 1,25 ponto percentual acima da meta, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. A estimativa foi publicada nesta quinta-feira (25).
No relatório de inflação anterior, o BC projetava 3,4% para 2021 e 3,4% para 2022.
A simulação feita pela autoridade monetária mostra que os preços podem acelerar 4,2% no melhor cenário. No pior, a inflação estouraria o teto da meta e chegaria a 5,8%.
A meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3,75% com tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo.
No texto, o BC diz que a probabilidade de estourar o teto aumentou em 33 pontos percentuais desde o relatório anterior --era de 8% e passou para 41%.
A autarquia diz que os principais motivos para a revisão foram inflação recente acima do esperado, depreciação cambial, elevação do preço das commodities, incluindo petróleo, e aumento das expectativas de preços administrados.
Para tentar conter a escalada de preços observada nos últimos meses, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano, em 17 de março. A alta veio acima das expectativas do mercado.
O BC também revisou a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2021 para 3,6%, 0,2 ponto percentual abaixo do divulgado no relatório de dezembro.
"Ressalte-se que essa perspectiva está condicionada à continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira, condição essencial para permitir a recuperação sustentável da economia", diz o relatório.
O BC deu ênfase ao crescimento econômico observado nos indicadores recentes e afirmou que a retomada deve ter se estendido até fevereiro, mas ressaltou que ainda não refletem os efeitos piora da pandemia de Covid-19, que, segundo o texto, poderão ser vistos a partir de março.
"A partir do final de fevereiro foi observada piora mais rápida e mais disseminada nos indicadores da pandemia, que já se encontravam em patamares similares aos registrados no momento mais crítico de 2020. Em resposta à deterioração, novas medidas de distanciamento social foram adotadas por vários governos locais", destaca.
"Esse processo de agravamento recente da crise sanitária possivelmente interrompe ou atrasa a recuperação da atividade econômica. De fato, dados de alta frequência já apontam recuo da mobilidade nos municípios mais atingidos pela alta recente nos casos de Covid-19", completa.
Para o BC, no entanto, possível piora da economia seria menos do que no ano passado, quando o vírus chegou ao país e teria recuperação rápida posteriormente.
Para o mercado de crédito, a autoridade monetária ajustou para cima a previsão de crescimento em 2021, que passou de 7,8% para 8% "com a melhora das perspectivas para o crédito habitacional sendo parcialmente compensada pelo efeito da extinção dos programas de crédito para pessoas jurídicas".
"Nos últimos meses do ano observou-se desaceleração do crédito. As concessões para pessoas físicas reverteram a trajetória de recuperação registrada desde junho, apresentando queda em dezembro e janeiro. Nesse período, houve redução dos gastos com cartão à vista, financiamentos de veículos e operações de crédito consignado, consoante ao arrefecimento da atividade varejista", pontuou.
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