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Desigualdade

10% mais ricos ganham 14,4 vezes a renda dos 40% mais pobres no Brasil

Indicador de 2023 segue no menor patamar da série histórica, mas ainda mostra desigualdade, diz IBGE

Publicado em 19 de Abril de 2024 às 11:17

Agência FolhaPress

Publicado em 

19 abr 2024 às 11:17
RIO DE JANEIRO - Os 10% mais ricos da população brasileira receberam, em média, 14,4 vezes a renda dos 40% mais pobres em 2023, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Embora mostre a desigualdade entre os grupos, essa relação continuou no menor patamar da série histórica iniciada em 2012. A razão também era de 14,4 vezes em 2022. O valor máximo da série foi observado em 2018 (17,1 vezes), no pré-pandemia.
"Em 2023, manteve-se o menor valor da série histórica, que já tinha sido observado em 2022. Apesar dessa melhora, a desigualdade de renda no país continua muito acentuada", afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.
Os dados integram a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua: Rendimento de Todas as Fontes 2023.
O levantamento vai além do mercado de trabalho e também traz informações de recursos obtidos pela população por meio de iniciativas como programas sociais, aposentadorias, pensões e aluguel.
Em 2023, a renda média domiciliar per capita (por pessoa) alcançou o recorde de R$ 7.580 por mês entre os 10% mais ricos. A alta foi de 12,4% ante 2022.
Real, dinheiro, moedas
Real, dinheiro, moedas Crédito: Freepik
Enquanto isso, a renda per capita dos 40% mais pobres chegou a R$ 527 no ano passado, outra máxima da série histórica. 

12,6%

Foi o crescimento da renda per capita dos 40% mais pobres em 2023 em relação ao ano anterior
Segundo o instituto, o ganho de renda verificado em 2023 ocorreu em meio a um cenário de ampliação do Bolsa Família, que substituiu o Auxílio Brasil, melhoria do mercado de trabalho e aumento real do salário mínimo.
Esses fatores, contudo, não foram capazes de eliminar as disparidades que aparecem desde o início da série histórica.
Em 2023, a massa de rendimento domiciliar per capita, que é a soma dos recursos obtidos pela população, bateu recorde no Brasil, segundo o IBGE.
O indicador chegou a R$ 398,3 bilhões, o que corresponde a um aumento de 12,2% ante 2022. Na comparação com 2019, período pré-pandemia, a expansão foi de 9,1%.

10% mais ricos têm 41% da massa de rendimento

Outra forma de medir a desigualdade, diz o IBGE, é por meio da fatia da massa de rendimento que cada segmento da população recebe.
Em 2023, os 10% com a menor renda ficaram com apenas 1,1% da massa. Já os 10% mais ricos receberam 41% do total.
Esse grupo de maior renda, aponta o IBGE, registrou uma parcela da massa quase equivalente à dos 80% da população com os menores rendimentos em 2023 — 41% e 43,3%, respectivamente.
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