Direito de todos e dever do Estado. Assim é definida a saúde na Constituição, que prega que governos devem garantir acesso universal aos serviços. No entanto, fora das páginas da Lei Maior, a realidade é bem distinta. Levantamento feito por A GAZETA mostrou que, apenas na Grande Vitória, 218 mil pessoas aguardam na fila por exames e consultas com médicos especialistas e outros profissionais de saúde na rede pública. A agonia da espera pode chegar a um ano e meio.
A demora no atendimento adequado pode agravar problemas de saúde e até gerar outros quadros clínicos, como depressão. Ou seja, sai caríssimo para a população e custa ainda mais dinheiro aos cofres públicos. Mas os entraves são, infelizmente, mais amplos. A maioria dos estabelecimentos públicos de saúde do Espírito Santo não tem nem sequer um aparelho para medir a pressão arterial, conforme constatou fiscalização do Conselho Regional de Medicina. Além disso, o Estado perdeu 322 leitos de internação públicos entre 2010 e 2018, de acordo com pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Um dos pilares para o bem-estar social, ao lado de educação e segurança, a saúde pública é diariamente vilipendiada no Brasil, mas os dados que dão a dimensão do caos continuam a indignar. É assustadora a forma como os pacientes são atendidos – ou não são atendidos – na rede pública. Não à toa, a melhoria dos serviços de saúde foi apontada como a prioridade que os governos deveriam ter para 2018, segundo pesquisa Ibope/CNI.
Sabe-que todas as esferas do Executivo lutam com o cobertor curto. Mas, se não é possível ampliar o orçamento ao patamar ideal, é indispensável racionalizar e aumentar os recursos, além de adotar uma gestão eficiente dos serviços de saúde, especialmente nas unidades básicas de saúde e nos programas de saúde da família. Um acompanhamento criterioso na porta de entrada do sistema pode reduzir essas filas vexatórias e, enfim, fazer valer o que preza a Constituição.