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Desfiles das escolas de samba: crônica de um carnaval sem adeus

Fantasias com personagens que saltaram da imaginação foram dar no Sambão do Povo: índios, palhaços, malandros, roqueiros e africanos se embolaram na geleia geral da folia

Publicado em 20 de Fevereiro de 2020 às 19:46

Públicado em 

20 fev 2020 às 19:46
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Colunista

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Boa Vista foi a campeã do Carnaval de Vitória 2020 Crédito: Rodrigo Gavini
Alvoroço na avenida. A comissão de frente fez a primeira parada. Com asas nos pés e o espírito de um deus volátil, dançarinos lançaram pernas e braços no ar pro primeiro capítulo do enredo. As páginas foram se abrindo na avenida quando o mestre-sala e a porta-bandeira, enamorados em voleios sobre os pés de pluma, ergueram e beijaram o pavilhão da escola fazendo amor diante da multidão.
Fantasias com personagens que saltaram da imaginação e foram dar no Sambão do Povo: índios, palhaços, malandros, roqueiros e africanos se embolaram num ritmo endoidecido da geleia geral da folia. Alinhados nas alegorias, reis, princesas e súditos foram um só ao subverter hierarquias e ocupar o mesmo queijo, o que nenhum folião haveria de roer.
O samba cresceu na arquibancada, ouviram-se melodias e batuques impulsionados pelo comandante do canto, o intérprete e seu grito de chamamento, mais a percussão desvairada da bateria dando o tom da harmonia. O coração da escola pulsava.
Surdos, tamborins, cuícas e chocalhos alcançaram o dorminhoco folião trazendo-o inteirinho e ressuscitado pro centro da avenida. E não houve possibilidade de recuo, exceto o da bateria. Os braços do mestre dançaram no ar para reger sua orquestra feita de explosões, lágrimas de alegria, a paixão acesa em fogo alto.
Que beleza a evolução de anjos e diabos, pretos, brancos, amarelos e vermelhos de suor sanguíneo. Uma só canção em tantas. Ainda é carnaval! E quem cantar um samba atravessado há de voltar pra concentração, o eterno recomeço dos aprendizes do batuque. E quando você e eu terminamos o nosso passeio pela avenida, anunciou-se a hora do abraço, o suor em bicas de quem queria mais um pouquinho. E daqui da dispersão, o cronista-ziriguidum envia o beijo de até breve, em câmera lenta, sem pressa pra deixar a passarela do samba.

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Colunista da ziriguidum o espaço do samba

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