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Eleições 2020

Revezamento de Vidigal e Audifax na Serra agora é recorde nacional

Na lista de 50 municípios mais populosos do Brasil, nenhuma outra cidade elegeu apenas dois políticos para prefeito nas últimas 7 eleições municipais, desde 1996

Publicado em 29 de Novembro de 2020 às 18:27

Públicado em 

29 nov 2020 às 18:27
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Vidigal se consagra nas urnas e vai exercer o quarto mandato como prefeito da Serra
Vidigal se consagra nas urnas e vai exercer o quarto mandato como prefeito da Serra Crédito: Amarildo
Uma vez mais fica provado: o xadrez político na Serra só é jogado com duas peças: o deputado federal Sergio Vidigal (PDT), consagrado nas urnas neste domingo (29) para exercer o seu 4º mandato como prefeito, e o atual ocupante do cargo, Audifax Barcelos (Rede). Com mais essa vitória de Vidigal, a Serra acaba de se tornar um caso inédito no país no quesito "menor alternância possível no poder". É o que prova levantamento inédito e exclusivo feito pela coluna.
De acordo com dados do IBGE, tomando 2020 como ano-base, o Brasil tem 49 municípios com mais de 500 mil habitantes. Para arredondar a conta para 50, incluímos o município de Mauá, no interior de São Paulo, o 50º mais populoso, com 477,5 mil habitantes. A Serra é o 41º município mais populoso do país.
Levando em conta essa seleta relação de 50 maiores metrópoles brasileiras, o maior colégio eleitoral capixaba se constitui em caso único de polarização política não só no Espírito Santo, mas em todo o país. Acompanhe o raciocínio:
Vidigal se elegeu prefeito pela primeira vez em 1996 e assumiu seu primeiro mandato em 1º de janeiro de 1997. Desde então, ao longo de 24 anos, a cidade mais populosa do Espírito Santo só teve duas pessoas sentadas na cadeira de prefeito: Vidigal e Audifax, alternando-se no cargo.
Desde 1997, todas as outras 49 cidades desse universo de maiores municípios brasileiros (incluindo Vila Velha, a 49ª do ranking) tiveram três, quatro, cinco... algumas, até mais prefeitos ao longo do mesmo período.
A Serra teve os dois de sempre: Vidigal por três mandatos (1997/2000, 2001/2004 e 2009/2012) e Audifax também por três mandatos (2005/2008, 2013/2016 e 2017/2020).
Até a presente eleição, havia uma cidade dessa lista empatada com a Serra no quesito "menor alternância possível no cargo de prefeito". Ananindeua, no Pará, só tinha tido também dois prefeitos nesse mesmo intervalo: Manoel Pinheiro (PSDB) por quatro mandatos (de 1997 a 2004 e de 2013 a 2020) e Helder Barbalho (MDB) por dois mandatos (de 2005 a 2012).
Só que acabou o empate: no último dia 15, em turno único, os cidadãos da cidade paraense elegeram um novo prefeito: Dr. Daniel (MDB).
Isso quer dizer que, com o retorno de Vidigal à Prefeitura da Serra para o exercício de um quarto mandato, a Serra acaba de se isolar como caso único e inédito no país: é a única cidade brasileira com mais de 500 mil habitantes (IBGE/2020) que elegeu somente dois prefeitos nos últimos sete pleitos municipais (de 1996 a 2020). E, se Vidigal completar o mandato (conforme pretende), será a única cidade desse rol a somar apenas dois prefeitos em um intervalo de 28 anos, de 1997 a 2024.
Esse período compreenderá sete governos municipais, sendo três mandatos exercidos por Audifax e quatro por Vidigal.
Esse revezamento eterno entre dois líderes políticos locais é muito típico de municípios pequenos e interioranos. Com frequência, observa-se em cidades com cerca de 5 mil habitantes, cerca de 50 mil habitantes… Já em um centro urbano com população superior a 500 mil, é algo raríssimo, como prova o levantamento acima.

UM CASO ÚNICO NO PAÍS

Até meados dos anos 1980 e 1990, a Serra ainda era um município essencialmente rural, com população bem menor, o que até justifica a alternância da dupla de prefeitos que precede “Vidigal & Audifax”: aquela formada por João Baptista da Motta e José Maria Feu Rosa.
Desde então, a Serra sofreu um boom industrial, de desenvolvimento econômico e urbano e, consequentemente, um boom populacional. Tornou-se a cidade mais populosa do Estado e o maior colégio eleitoral, com a maior planta industrial.
Por outro lado, politicamente, a Serra parece não ter acompanhado a velocidade dessas transformações tão dinâmicas que o município atravessou nos últimos 25 anos nos aspectos econômico e demográfico.
O resultado é essa dicotomia, como se demonstrou acima, sem par no país inteiro: um município grande e moderno em outras áreas, mas, politicamente, ainda atrelada a duas figuras carismáticas que se revezam no poder, que mantêm profunda rivalidade entre si e que dividem ao meio tanto o coração dos eleitores como o território político da cidade.

O DESAFIO DE VIDIGAL

Eleito agora com todos os méritos e impondo (enfim) uma derrota, ainda que indireta, sobre Audifax Barcelos nas urnas, Vidigal tem pela frente, nos próximos quatro anos, o desafio de colocar em prática aquilo que tanto pregou durante a campanha, inclusive no debate final promovido, na última quarta-feira (25), por A Gazeta e pela Rádio CBN Vitória: levar a Serra a “dar um salto para o futuro”, também em termos políticos, administrativos e de políticas públicas e resultados práticos.
No fim é isso o que mais importa ao cidadão comum, independentemente do perfil de quem está no governo: se é novo ou velho,  jovem ou idoso, novato ou já experimentado. Na sua última oportunidade, de 2009 a 2012, Vidigal patinou um pouco e demonstrou sinais de fadiga política (tanto é que perdeu para Audifax em 2012, na tentativa de reeleição, e não conseguiu retornar em 2016).
Agora o eleitorado serrano lhe concede uma nova chance (um privilégio para poucos). Precisa aproveitá-la bem, para o bem dos cidadãos serranos.

EM TEMPO

É bom lembrar que, no debate final A Gazeta/CBN, o próprio Vidigal declarou que não vai concorrer à reeleição em 2024. Está anotado. A conferir.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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