Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Curtas Políticas

Quer ver sessão da Assembleia no YouTube? Tire as crianças da sala!

É “resolver no pau”, é “cara de pau”, é "vagabundo"... De sessão em sessão virtual, Assembleia está se superando e deixando, na pandemia, registros para serem esquecidos (ou lembrados pelos eleitores). Conheça os bastidores da baixaria

Publicado em 16 de Junho de 2020 às 11:00

Públicado em 

16 jun 2020 às 11:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos
Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos Crédito: Lissa de Paula/Assembleia Legislativa
Como virou tradição na Assembleia Legislativa desde o início da atual legislatura, a sessão plenária virtual desta segunda-feira (15) foi aberta com um versículo bíblico recitado, de memória, pelo deputado Danilo Bahiense (PSL): “Ensina o menino no caminho que deve andar e, até quando envelhecer, não se desviará dele (Provérbios 22:6)”.
Vinte minutos depois, o provérbio ganhou ares de ironia, com a explosão do bate-boca entre os deputados Capitão Assumção (Patriota) e Enivaldo dos Anjos (PSD), em que um chamou o outro para resolver a questão na briga física (ou “no pau”, para ser fiel às palavras do primeiro). Os deputados ali não estão dando bom exemplo nem bom ensinamento para “menino” algum.
A sessão também foi marcada (novamente) por impropérios endereçados por Capitão Assumção ao secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB). Com o dedo em riste o tempo todo, o aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dirigiu a Nésio termos como “sanguinário”, “vagabundo” e “carrapato do governador”.
Chamou-o, ainda, de "médico cubano irresponsável" e disse que o secretário, na verdade, "não é médico", mas um "agente infiltrado de Cuba no Brasil". “Você já passou da hora de voltar para a sua terra!”, atacou Assumção. O deputado também culpou Nésio por todas as mortes por Covid-19 no Espírito Santo e disse que o secretário tem nas mãos o sangue de todas as vítimas da doença no Estado.

TIREM AS CRIANÇAS DA SALA!

Por falar em exemplos péssimos para a criançada, quem está trabalhando em home office (como o colunista) e tem filho pequeno brincando ao lado (como o colunista), tem que literalmente tirar a criança da sala, ou colocar um fone de ouvido à prova de vazamento de áudio, para assistir às sessões da Assembleia no computador.

BRIGAS PARALELAS

A sessão desta segunda-feira ainda foi marcada por algumas brigas paralelas. O deputado Vandinho Leite (PSDB) chamou Hércules Silveira (MDB) de "cara de pau" e foi repreendido por ele. Já Assumção (de novo ele) envolveu-se em querela com Iriny Lopes (PT), a quem também atacou, chamando-a de "deputada natimorta".

POR QUE A PASSIVIDADE?

Falando em natimorto, logo após a sessão, perguntamos a alguns deputados da base se eles pretendiam representar contra Assumção por quebra de decoro parlamentar na Corregedoria da Assembleia. Todos foram muito relutantes. O primeiro motivo é o seguinte: qualquer processo ali já nasce morto. Prova disso foi a investigação contra Assumção por causa do episódio em que ele “encomendou” um assassinato, da tribuna, em setembro de 2019. Representar contra o deputado no órgão é dar vitória política certa a ele, que sairá fortalecido. Tiro que sai pela culatra. Mas não é só isso.

POR QUE A PASSIVIDADE? 2

Um deputado confidenciou que até gostaria de ver Assumção levar um “corretivo” pelos excessos, mas que teme dar palanque político para ele. Há uma sensação geral de que esse tipo de conflito é tudo por que mais anseia o deputado, que se alimenta politicamente disso, ao estilo Jair Bolsonaro. Ou seja: a repercussão da polêmica é tudo o que ele busca.

POR QUE A PASSIVIDADE? 3

Finalmente, os deputados estão cheios de dedos, por causa da aproximação das eleições municipais. Muitos são pré-candidatos e, mesmo sendo da base, temem ser tragados para uma briga que na verdade não é deles, polarizando com Assumção e virando alvo da patrulha bolsonarista, com a eleição municipal batendo à porta. Uma das lições elementares da política diz “não entre numa briga na qual o outro tem muito mais motivos que você para entrar”.

NÉSIO VAI PROCESSAR ASSUMÇÃO

BRUNO LAMAS: “PALCO PARA AGRESSÕES”

Ainda durante a sessão desta segunda, o deputado Bruno Lamas (PSB) prestou solidariedade a Nésio e pediu à presidência da Mesa para ser mais criteriosa (cortar a palavra, por exemplo) na condução da sessão. “A Assembleia está virando palco de agressões, de quebra de protocolos e de desrespeito ao Regimento Interno”. Segundo Lamas, alguns deputados “estão torcendo para a pandemia nunca acabar, porque assim acaba o palanque político para eles”.

“MELHOR É ESQUECER”

Após a sessão, procurado pela coluna, Lamas disse, por intermédio de sua assessoria, que não tomará nenhuma medida em relação a Assumção. “Da minha parte, a sessão de hoje da Assembleia é algo a ser esquecido. Coisa ruim a gente tem que esquecer.”

MAS HAJA “COISA RUIM” PRA SER ESQUECIDA...

Aí vem a sessão desta terça, com algo ainda mais vergonhoso… E, de esquecimento em esquecimento, a vergonha vai se acumulando...

ERICK DEBOCHADO

Na sessão de terça-feira passada (9), foi praticamente a mesma coisa: Assumção chamou Nésio Fernandes de “médico cubano”, disse que ele está matando os capixabas e ainda chamou o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (também do PCdoB), de “vagabundo comunista”. Retomando a palavra, o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), que conduzia a sessão, não segurou o sarcasmo: “Agradeço a Capitão Assumção, sempre muito ponderado nas palavras”.
Já Iriny ficou bem irritada e pediu a Erick para retirar da ata da sessão as ofensas de Assumção a Neto Barros.

ALIÁS, CADÊ ERICK?

Como que adivinhando a tormenta que estava por vir nesta segunda-feira, Erick Musso só abriu os trabalhos da sessão, depois se ausentou e, como de hábito, passou a batuta para o vice-presidente da Mesa Diretora, Marcelo Santos (Podemos). Coube a Marcelo colocar o furacão dentro da caixa. Segundo a assessoria da Assembleia, Erick não pôde ficar porque já tinha marcado há muito tempo uma reunião com diretores da Casa. Mas no horário da sessão?

“SOU MAIS MACHO QUE VOCÊ!”

Em toda a deprimente contenda (mais uma) de Assumção com Enivaldo, é preciso descontar o alto grau de “desempenho”, isto é, jogo de cena que caracteriza a atuação dos dois em plenário. Ambos sabem que essa pegada “sou mais macho que você!” agrada a grande parte dos respectivos eleitores.

XAMBINHO COMENDO PIPOCA

Uma das provas disso é que, no auge da transmissão da briga entre Assumção e Enivaldo, alguns colegas mal conseguiram conter o riso, como se estivessem assistindo, na verdade, a uma esquete cômica. A deputada Raquel Lessa ainda conseguiu disfarçar bem o seu. Já Xambinho não foi tão bem-sucedido (vide foto abaixo).
Alexandre Xambinho não consegue conter o riso durante briga de Enivaldo com Assumção
Alexandre Xambinho não consegue conter o riso durante briga de Enivaldo com Assumção Crédito: Reprodução

OS MÁSCARAS

É curioso, mas enquanto alguns deputados (como Assumção) insistem em não usar a máscara quando seria necessário (nas ruas), outros têm feito questão de usá-las até quando não é preciso (em casa, durante a transmissão das sessões). É o caso de Hércules Silveira (MDB), Emílio Mameri (PSDB) e José Esmeraldo (MDB). Os dois primeiros são médicos e titulares da Comissão de Saúde. Os três são de grupo de risco, pela idade acima dos 60 anos.
Os três mascarados: Hércules Silveira (no alto, à esquerda), Emílio Mameri (no alto, à direita) e José Esmeraldo (embaixo, à esquerda)
Os três mascarados: Hércules Silveira (no alto, à esquerda), Emílio Mameri (no alto, à direita) e José Esmeraldo (embaixo, à esquerda) Crédito: Reprodução

Janete de Sá: a Ilha de Sensatez

Quem a viu (há uns quinze anos), quem a vê… Partiu da deputada Janete de Sá (PMN) a fala mais equilibrada da sessão, cobrando equilíbrio dos demais. Menção honrosa à deputada. Virou a “voz do equilíbrio” entre os pares, e sua fala merece ser reproduzida: “Quero pedir serenidade para todos. É para isso que viemos aqui. E olha que quem me conheceu nos meus primeiros mandatos sabe que eu era muito de ir para cima, mas eu vejo que esse não pode ser o nosso comportamento”.

E prosseguiu a lição de moral:

“Nós estamos passando por um problema muito difícil. [...] Nós temos os mecanismos para poder fazer as denúncias. No Parlamento, somos 30 deputados e deputadas. E cada um que está aqui representa uma parcela da sociedade. Desrespeitar um ao outro é inadequado. Isso não é democrático. [...] Cada um de nós tem suas verdades e suas razões. Mas aqui não é um ambiente para esse destempero, onde se sai xingando, onde um sai desrespeitando ao outro, onde palavras de baixo calão são proferidas numa sessão que a sociedade está assistindo. O que a sociedade acha disso? É isso que nós temos que avaliar. [...] Nós temos os caminhos para fazer as denúncias. Se não concordamos, se achamos que tem condutas criminosas, denunciamos à Justiça, vamos ao Ministério Público. Mas não precisamos fazer deste ambiente uma trincheira, de briga, de luta e de disputa política, porque o que é que nos fazemos com isso? Nós levamos a insegurança para a sociedade, onde nós temos uma presidência da República que traz insegurança quando manda invadir hospitais para verificar se tem leitos ou não. [...] Vamos parar com isso, com demagogia, vamos parar com hipocrisia, e vamos fazer deste ambiente um ambiente respeitoso, onde a sociedade se sinta representada. Por isso, insisto no respeito de cada deputado, um com o outro.”

Quem a viu, quem a vê...

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Porto Vitória x Tocantinópolis - Copa Verde
Porto Vitória empata com Tocantinópolis e se despede da Copa Verde
Imagem de destaque
Quatro máquinas caça-níqueis são apreendidas em Viana
Jorge Messias durante sabatina no Senado Federal por vaga no STF
Não é simples passar por reprovação, mas Senado é soberano, diz Messias

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados