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Vitor Vogas

Pazolini cometeu mesmo erro que Magno Malta

Em setembro, em plena campanha, o então senador disse a pastores que quem o criticava era "pedófilo, traficante, mau-caráter ou vagabundo". Agora, deputado afirmou quem quem protestava contra ele e Damares Alves é "a favor da pedofilia". Calma, delegado!

Publicado em 22 de Maio de 2019 às 00:59

Públicado em 

22 mai 2019 às 00:59

Colunista

O deputado Lorenzo Pazolini (sem partido) precisa ir com mais calma. Na última segunda-feira, fez um ataque desmedido a pessoas que, da galeria da Assembleia, protestavam contra Damares Alves e contra a homenagem concedida pelo deputado à ministra. Debochadamente, puxou “uma salva de palmas para as pessoas que são a favor da pedofilia”. Nesta terça-feira (21), em entrevista à coluna publicada no Gazeta Online, em vez de se retratar ou emendar suas palavras, procurou justificar o injustificável.
Após liderar um trabalho muito bem avaliado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Vitória, Pazolini chegou à Assembleia como o 2º candidato mais votado em 2018. O ótimo desempenho se deve, em grande parte, a seu prestígio como delegado; a outra parte fica por conta do discurso de “renovação política” que dominou as eleições, o mesmo com o qual Pazolini se apresentou como candidato e agora se apresenta no exercício do mandato.
Seu início na política, por sinal, tem sido promissor. Na Assembleia, o calouro tem participado de maneira assertiva, sempre com argumentos técnicos, dos debates mais importantes, como o da criação de um Fundo Soberano no Estado, para citar só um exemplo.
Além disso, até colegas mais experimentados destacam nele uma qualidade que não aparece tanto em plenário: o jovem deputado também é inteligente e habilidoso nas articulações de bastidores.
Com tanto potencial, Pazolini não pode se perder, logo na largada, em erros como soberba, prepotência e autoritarismo. Deve, enfim, evitar repetir as falhas que tão caro custaram a seu mentor político, em vez de repeti-los. Estamos falando do ex-senador Magno Malta.
Uma das grandes dificuldades de Magno era a de não saber lidar nem com críticas nem com o contraditório. Em plena campanha à reeleição, como noticiamos aqui em setembro, o então senador atacou um grupo de líderes evangélicos no WhatsApp: “Sujeito que fala mal de mim ou é pedófilo ou é traficante, ou é mau-caráter, é vagabundo...” Sem ofensas pessoais, dois ou três pastores haviam feito críticas à atuação parlamentar de Magno, aliás muito corriqueiras, como a seu notório adesismo a quem quer que estivesse no poder. Magno tratou as críticas como ataques e respondeu com insultos pessoais aos críticos.
Mesma linha foi seguida por Pazolini no episódio de Damares. Na entrevista à coluna, além de não se desculpar, o deputado opinou que faltou respeito, sensibilidade, civilidade e racionalidade aos que protestaram contra ele e a ministra. Ora, o mesmo se aplica a ele próprio no episódio. Com uma diferença: um ou outro popular pode até se exaltar em um protesto; ele não tem esse direito, como mandatário eleito pelo povo, muito menos dentro da Casa do Povo.
Nenhum dos manifestantes, ali, foi protestar por ser a favor da pedofilia. A luta contra o abuso sexual é só uma das bandeiras de Damares. Motivos, aliás, não faltam para contestar o trabalho da ex-assessora de Magno à frente do Ministério dos Direitos Humanos. Assim como o ex-chefe, ela tende a misturar crenças religiosas pessoais com políticas de Estado. Mais de uma declaração proferida por ela legitima, por exemplo, perseguições às minorias LGBT, machismo e violência de homens contra mulheres. Problemas que ela deve combater.
Assim, pedofilia e abuso sexual eram a última pauta dos manifestantes ali – ainda que a sessão tratasse disso.
Ademais, em um momento de incessante radicalização política – alimentada pelo próprio presidente, que anda convocando manifestações de rua –, Pazolini decidiu homenagear justamente a mais polêmica integrante do Ministério de Bolsonaro – título esse que não é fácil. O que mais poderia esperar senão protestos inflamados? Como disse o próprio Pazolini à coluna, é preciso sair desse Fla-Flu. Seu ataque aos manifestantes certamente não contribuiu para isso.
Também não contribui em nada para a busca de “racionalidade política”: dizer que quem o critica defende pedofilia é como afirmar que quem critica Lula é contra a distribuição de renda, quem critica Bolsonaro é “contra o país”, quem tem ressalvas aos métodos da Lava Jato é a favor da corrupção. Não é por aí...
Desde o processo eleitoral, Pazolini já se descolou da imagem de Magno. Para fazer colar a ideia de “representante da nova política”, não pode continuar repetindo o padrão de reação do padrinho.
Dramares
Mesmo quando não é culpa dela, a ministra Damares Alves deixa rastro de drama e polêmica por onde passa.
Imaturo
Ao convocar manifestações de rua estando no cargo de presidente, Jair Bolsonaro revela, mais uma vez, imaturidade política para a função.
Maduro
A prática é largamente utilizada por Nicolás Maduro, na busca por um governo “em contato direto com o povo” e acima das instituições. Populismo não respeita cor, credo, partido nem viés ideológico.
Bolsonaro pra baixinhos
Bolsonaro, nesta terça-feira (21), foi explicar o tatibitáti da reforma da Previdência para crianças. Mostrou que ele mesmo ainda não entendeu o tatibitáti.
Audifax e Casa: sem DR
O mercado político especula sobre possível reaproximação política entre Casagrande e o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede). Colaboradores de ambos negam isso. Nesta terça-feira (21), o próprio governador afirmou, em entrevista no Palácio Anchieta, não ter tido nenhuma conversa de teor político com Audifax nos últimos tempos.
Plantou a prova
Fontes da Prefeitura da Serra negam convite ao vereador Cabo Porto (PSB) para ele assumir a Secretaria Municipal de Defesa no lugar de Nylton Rodrigues. Por volta das 14h desta terça, Porto disse à coluna que havia sido convidado pela alta cúpula da prefeitura e que estava prestes a entrar naquele momento em uma conversa com Audifax. No mesmo momento, o prefeito estava em outra agenda, com empresários.
De Biase no Senado
Gustavo de Biase (Rede) está assessorando Randolfe Rodrigues (Rede) no gabinete da minoria no Senado.
Cena Política
No dia 31, o deputado Hércules Silveira fará 80 anos. Na segunda, o veto a um projeto dele foi derrubado pelo plenário. Sorte na vida parlamentar, azar na de torcedor. Vascaíno, Hércules tem sofrido com o time. O colega Luciano Machado não perdoou: “Parabéns ao Dr. Hércules, pelo aniversário, pelo veto derrubado e pelo empate no fim de semana, pois ultimamente nem isso”.

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