Sem maiores delongas, vamos às duas listas, com breves análises de cada caso. Não há uma hierarquia entre os 10 incluídos em cada relação.
OS DEZ MAIORES VENCEDORES
O deputado federal foi a grande surpresa da eleição no Espírito Santo. Num incrível sprint final, elegeu-se senador como o segundo mais votado e por muito pouco não superou até Casagrande.
Pocou a urna; recordista histórico para deputado federal no ES; com mais de 400 mil votos, fez mais que o dobro do recorde anterior; ainda “arrastou” a reboque o “substituto” de Gilvan da Federal, Lucas Stein Casagrande (herdeiro do número de urna 2222, antes pertencente ao deputado barrado pelo TRE-ES). Nominalmente, esse outro Lucas foi só o 16º mais votado para o cargo. Entrou graças a Polese.
Incluído por motivos óbvios. Chegou na frente no primeiro turno da disputa para governador e por muito pouco não venceu já neste domingo (4). É preciso fazer a ressalva de que essa é uma vitória parcial. Na corrida ao Palácio Anchieta, o vencedor final será conhecido em 20 dias. Mas a grande virada sobre Ricardo Ferraço (MDB), que tem a máquina estadual na mão e o apoio de quase todos os prefeitos, é algo digno de nota.
Não fez de Maguinha senadora, mas dobrou seu tamanho na bancada capixaba na Câmara (de 1 para 2 federais) e na Ales (de 3 para 6 estaduais), onde terá a maior bancada na próxima legislatura; o partido ainda apoia Pazolini, agora favorito ao Palácio Anchieta.
Fez 3 federais (Dr. Bruno Resende, Da Vitória e Marcelo Santos) e a segunda maior bancada da Ales (5).
Outra surpresa. O médico está só no seu primeiro mandato, como deputado estadual. Mas, sem concorrentes diretos no Sul do Estado e com o apoio de Theodorico Ferraço e Norma Ayub, foi o terceiro federal mais votado, ultrapassando os 110 mil votos. A pauta do hospital do câncer foi um grande trunfo para o oncologista.
Superando a já boa votação obtida por ela em 2022, tornou-se
a campeã de votos para a Ales neste pleito (61.501) e a mulher mais votada para deputada estadual na história do Espírito Santo. A esquerda respira.
Em 2022, chegou à Câmara na distribuição das sobras, com 51.317 votos; desta vez, quase triplicou sua votação, superando a de Helder Salomão quatro anos atrás e se tornando a segunda federal mais votada nesta eleição, com 142.187 sufrágios nas urnas. Torna-se, ainda, a mulher mais votada da história para o cargo no Estado. Superou por pouco a marca anterior, de Sueli Vidigal (que alcançou 141.578 votos em 2010). Mas sem marido famoso.
O pai, João, está de volta à Câmara, após mais de 20 anos; a filha, Karla, o substitui na Ales, aonde já chega como a quarta mais votada, com 51.306 sufrágios. Ambos sobem um degrau: João, hoje deputado estadual, passará a ser federal; Karla, hoje vereadora de Vitória, passará a ser estadual.
Aumentou a própria votação em relação a 2022 (de 29.156 para 41.670), ficou entre os 5 mais votados na Ales, montou às pressas a chapa do MDB e ainda fez a terceira maior bancada (4 estaduais). Se Ricardo ganhar para governador, desponta como nome forte para ser o próximo presidente da Ales... mas isso não pode ser descartado mesmo em caso de vitória de Pazolini.
MAIORES DERROTADOS
Em 2018, como outsider político, foi a maior surpresa do pleito no Espírito Santo, elegendo-se para o Senado com quase 900 mil votos. Pouco conhecido pelo eleitorado, ganhou um presente do povo capixaba, mas não soube aproveitá-lo. No Espírito Santo, é difícil achar precedente de um mandato tão importante (e tão longo) que tenha sido tão desperdiçado. Enquanto o tempo passava, perdeu-se numa espiral de confusões, trapalhadas, contradições, teorias conspiratórias e polêmicas inúteis. Oito anos depois, não conseguiu 200 mil votos, terminando em 6º lugar, com 4,17% dos válidos para o Senado.
Pode soar estranho incluir aqui o presidente estadual do PL, partido inserido por mim mesmo na lista dos 10 maiores vencedores. A inclusão de Magno se deve à derrota de Maguinha. O revés da filha é uma derrota pessoal do pai, que a bancou politicamente a todo custo, contra tudo e contra todos, mesmo com alternativas tendo se apresentado no meio do caminho (como o próprio Evair de Melo). A família Bolsonaro está aí para provar o contrário, mas nepotismo político tem limites.
Somando 1,1 milhão de votos em 2018, viu seu resultado cair a menos da metade oito anos depois. Com 521.431 votos, chegou em quarto lugar na corrida ao Senado. Outro que ficou longe de se reeleger.
Em 2022, não conseguiu se reeleger para o Senado, mas teve quase 800 mil votos; agora, não chegou a 200 mil. Se quiser tentar de novo, Rose só terá nova chance de voltar a Brasília daqui a quatro anos. Em 2030, terá mais de 80 e estará há oito sem mandato. Aposentadoria política pode estar próxima.
Seu candidato a federal, Messias Donato (União), perdeu a
reeleição; nenhum de seus três candidatos a estadual venceu (Denninho, Lelo
Couto e Sandro Locutor); de quebra, o prefeito de Cariacica ainda viu sua maior
opositora local, a vereadora Açucena (PT), chegar à Assembleia. Em Cariacica,
Ricardo perdeu para Pazolini, e Helder teve sua maior votação na Grande Vitória,
com 23% dos válidos.
Destituído do título de “federal do Arnaldinho”, não conseguiu se reeleger para a Câmara ao ver sua votação cair a menos da metade no intervalo de um mandato. Com as duas mãos do prefeito de Vila Velha a empurrá-lo em 2022: 53.483 votos; sem nenhuma mão do prefeito em 2026: 24.547 votos.
Com dois mandatos deveras apagados na Câmara (e outro
igualmente opaco, antes, na Assembleia), o deputado federal viu sua votação
despencar de 2018 para 2022, mas, então, conseguiu se reeleger; agora, viu-a cair mais ainda e, com apenas 36.839 votos, passou longe de renovar o mandato.
Já que estamos falando de Amaro, uma menção necessária aos
colegas jornalistas que, em peso, foram muito mal nas urnas: Philipe Lemos
(6.977 votos para federal), Camargão (6.523 votos para estadual), Ted Conti
(2.722 votos para estadual) e Torino Marques (1.173 votos para estadual).
Resultado desastroso para o partido, sob a presidência
estadual de Arnaldinho Borgo desde dezembro passado. Após nem ter conseguido
montar chapa para a Câmara, o PSDB não conseguiu eleger um único deputado estadual.
A candidata a estadual com apoio mais intenso de Arnaldinho, Lyza Herzog, não
chegou a 14 mil votos. O consolo para o prefeito de Vila Velha foi a eleição de
Manu, a nova “federal do Arnaldinho”, mas por outra legenda (o PSB).
Fiasco no Espírito Santo. O grande partido do Centrão não teve chapa de estadual. Para federal, obteve resultado pífio, com uma chapa “Exército de Brancaleone”: seu candidato mais votado, Juninho Buguiu, teve 4.006 votos (para federal!). De quebra, amargou a derrota de Sergio Meneguelli, que passou longe de conseguir se eleger para o Senado, chegando em 5º lugar, com pouco mais de 300 mil votos.
Médico como o pai, Serginho (Podemos), herdeiro político do casal Vidigal, até foi bem votado para federal. Individualmente, ficou em 7º lugar, com 81.162 votos, sendo mais de 60 mil só na Serra, onde foi o mais votado. Mas não conseguiu se eleger, porque o Podemos só fez uma cadeira (Gilson Daniel) – efeito colateral do fenômeno Polese.
Além disso, na Serra, Pazolini ganhou por muito de Ricardo, com o dobro dos votos válidos (52% a 26%), mesmo com o apoio de Sergio Vidigal e do prefeito Weverson Meireles, cria política do ex-prefeito. Vale acrescentar que o PDT sumiu no Espírito Santo: não teve chapa de federal e não elegeu nem sequer um estadual.
Ao mesmo tempo, Audifax (PP) segue em seu inferno astral
político: não fez seu sucessor, Fabio Duarte, em 2020; foi mal votado para
governador em 2022; não foi para o 2º turno na Serra em 2024; agora, com 16.589
votos, não conseguiu nem se eleger deputado estadual. Colocamo-los juntos
porque são duas faces de uma mesma moeda serrana.
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