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Vitor Vogas

Musso sem Manato, Hartung e Casagrande

Grupo do presidente da Assembleia quer chegar ao Governo do Estado já na próxima década

Publicado em 10 de Fevereiro de 2019 às 23:47

Públicado em 

10 fev 2019 às 23:47
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

O grupo de Erick Musso (PRB) quer chegar ao governo do Espírito Santo já na próxima década. Dele também fazem parte Amaro Neto (PRB), Roberto Carneiro (PRB), Marcelo Santos (PDT), entre outros. Para a plena compreensão desse movimento – e do tamanho de suas pretensões –, é preciso sublinhar uma característica fundamental do grupo em questão: ele tem vida própria; independe de Casagrande, de Paulo Hartung e de Carlos Manato.

No caso de Casagrande, Musso pôde contar com carta branca do governador para se reeleger presidente da Assembleia, fez uma aproximação institucional com o governador e pretende, de fato, trabalhar para lhe dar governabilidade. Mas não é, nem nunca foi, um aliado político de Casagrande. Era-o, por outro lado, de Hartung e de Manato, certo?

No caso de Manato, “era” está mesmo bem empregado, no passado imperfeito. PRB e PSL estiveram coligados no Estado na eleição de 2018, mas fica claro agora que se tratou de uma aliança circunstancial. Em explosiva entrevista publicada pela coluna no Gazeta Online na última sexta, o próprio Manato declarou que se considera traído pelo grupo de Musso e rompido com eles. Mais ainda: fará o que estiver a seu alcance para “explodir” o referido grupo na Assembleia. Desse jeito.

A mão que “balança” o berço. Aliás, balançou...

Já no caso de Hartung, parece que estamos diante de um caso clássico de filhote de fera que, após crescer, morde a mão que a alimentou. Foi Hartung quem nutriu e deu musculatura ao grupo agora estabelecido em torno de Musso, prestigiando reiteradamente Amaro, Roberto Carneiro (com direito a convites a ambos para compor seu secretariado) e, principalmente, o próprio Musso. Este, por sinal, só chegou à presidência da Assembleia – a primeira “plataforma” do grupo – graças ao empurrão com as duas mãos do então governador, em 2017.

Agora, porém, Hartung está sem mandato. Com ambições tão altas (e pressa proporcional em concretizá-las), Musso e aliados entendem que ele não pode condicionar o seu futuro político nos próximos quatro anos, decisivos para ele mesmo, a um líder muito respeitado nacionalmente, mas que ficará na planície durante esses quatro anos. Além disso, o grupo de Musso sobreviveu. O de Hartung, não. A compreensão de interlocutores do presidente da Assembleia é que, após o resultado das urnas em 2018, devastador para aliados do ex-governador, o grupo de Hartung, basicamente, se dissolveu. Não estão longe da verdade.

Muito atrelado até agora a Hartung, Musso pretende realizar um processo de desvinculação. Na semana passada, o Diário do Legislativo trouxe um ato silencioso, mas emblemático: a exoneração, por decisão do presidente, do servidor Marcelo Siano, comissionado na Assembleia por mais de 30 anos, sendo 16 como diretor das Comissões. Siano entrou na Casa nos anos 1980, como assessor do então deputado estadual Paulo Hartung. Ainda era associado ao ex-governador no imaginário coletivo. E, acima de tudo, no de Erick Musso.

Uma vez descortinado o verdadeiro projeto de Musso & cia., alguns gestos políticos, em maior ou menos escala, passam a fazer muito mais sentido. Por que, no fim de 2017, Musso liderou o movimento de “lançamento” da candidatura de Amaro ao Senado, com apoio de deputados estaduais? Porque, para eles, o Senado seria mais uma importante “plataforma” visando ao Palácio Anchieta.

Por que, em março e abril de 2018, Musso, Carneiro e Amaro migraram em bloco para o PRB? Porque queriam um partido para “chamar de seu” no Estado, uma sigla que pudessem controlar e em torno da qual pudessem construir esse “projeto maior”. É o que estão a fazer.

Por que, uma vez reeleito presidente da Assembleia, no último dia 1º, Musso voltou a nomear Carneiro como diretor-geral da Assembleia? Porque assim Carneiro continuará articulando esse projeto, mas com influência bem maior, operando de dentro do centro nervoso da Casa.

Conclusão

Enquanto sonha alto, bem alto, o grupo de Musso e Amaro não está brincando em serviço. Cautela nunca é demais, todavia. Primeiro, as ambições das duas “caras” desse movimento é proporcional à inexperiência de ambos. Segundo, quanto maior a altura, maior a queda.

Domínio interiorano

Erick Musso na presidência, Luciano Machado (PV) na 1ª secretaria e Emilio Mameri (PSDB) na 2ª secretaria. O trio é, respectivamente, de Aracruz, Guaçuí e Rio Novo do Sul. Com essa formação da nova Mesa Diretora, a Assembleia prorroga um tabu intrigante: desde a eleição interna de 2013, a Mesa não tem, entre os 3 membros titulares, um único representante da Grande Vitória.

Mesa em 2013

Presidente: Theodorico Ferraço (Cachoeiro); 1ª secretária: Solange Lube (Viana); 2º secretário: Roberto Carlos (Serra).

Mesa em 2015

Presidente: Theodorico; 1º secretário: Enivaldo dos Anjos (Barra de São Francisco); 2º secretário: Cacau Lorenzoni (Marechal Floriano).

Mesa em 2017

Presidente: Erick Musso; 1ª secretária: Raquel Lessa (São Gabriel da Palha); 2º secretário: Enivaldo dos Anjos.

Um pé cá, outro lá

O novo 2º secretário, Emilio Mameri, até tem um pé político em Vitória. Já foi presidente do PSDB na Capital. Mas, antes de tomar posse na Assembleia, era vice-prefeito de Alto Rio Novo, sua cidade natal.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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