Mas há outro ponto em comum, não tão aparente assim, e que pode ajudar a explicar essa tensão desses deputados com o governo estadual: desse bloco de dez deputados, oito são pré-candidatos a prefeito das respectivas cidades nas próximas eleições municipais, em 2020. Alguns se assumem como tal, outros são fortemente apontados como pré-candidatos pelo mercado político.
Assim, o ponto central para se compreender a animosidade desse bloco de parlamentares com o governo é a “tensão pré-eleitoral”. De modo mais velado ou mais escancarado, muitos deles reclamam do fato de que Casagrande nomeou em cargos-chave no governo alguns aliados dele que também são pré-candidatos a prefeito no ano que vem. Ou seja, o governador estaria favorecendo e prestigiando potenciais concorrentes eleitorais desses deputados nos respectivos redutos.
Há pelo menos dois casos muito evidentes:
Por outro lado, Casagrande nomeou o ex-vereador de Guarapari Gedson Merízio, também do PSB, para o cargo de subsecretário estadual de Turismo (área extremamente importante no município). Gedson não assume pré-candidatura, mas é um potencial concorrente de Von. Em 2016, os dois foram aliados contra Edson Magalhães, tendo perdido a disputa para ele.
Veja, abaixo, outros casos:
. Rafael Favatto (Patriota): médico como Hudson Leal, também tem reduto em Vila Velha e também é considerado pré-candidato a prefeito do município. Outra coincidência, aliás, une os dois, em mais um forte sinal com relação aos planos eleitorais de ambos: no mandato passado, Hudson e Favatto mal abriam a boca em plenário. Agora, têm sido dos mais assíduos na tribuna.
Os únicos dois integrantes desse bloco que não tendem a disputar as próximas eleições municipais são Marcos Mansur (PSDB), candidato a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim em 2016, e Capitão Assumção (PSL).