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O "outro" delegado

Conheça o delegado que virou o líder de Pazolini na Câmara de Vitória

Leandro Piquet diz que será um líder do diálogo acima de ideologias; que deve presidir a CCJ; que vai acumular atribuições e salários de vereador e delegado; e que pode ser candidato a deputado estadual no ano que vem

Publicado em 12 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

12 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Leandro Piquet
Leandro Piquet Crédito: Amarildo
Como não nega o sotaque carioca, Leandro Piquet nasceu e cresceu no Rio de Janeiro. Desde 2012, é delegado concursado da Polícia Civil do Espírito Santo. Já foi diretor do Iases, subsecretário estadual de Integridade e corregedor-geral do Estado. Em 2020, decidiu disputar sua primeira eleição. Foi candidato a vereador de Vitória, pelo Republicanos, partido de outro delegado famoso: Lorenzo Pazolini. Foi eleito como o 5º mais votado. Mais que isso: foi o único candidato a vereador eleito por uma das cinco legendas da coligação de Pazolini (Republicanos, DEM, MDB, PTC e SD).
Isso, a origem profissional em comum e, segundo Piquet, a lealdade demonstrada por ele durante a campanha o elevaram de cara a um papel muito importante para a administração de Pazolini e para o grupo político de ambos: aos 38 anos (mesma idade do colega), o vereador e delegado inicia seu primeiro mandato já como líder do prefeito no plenário – função que já começou a exercer na semana passada, com as primeiras votações, em sessões extraordinárias, dos primeiros projetos da reforma da Previdência municipal, importantíssimos para a cidade e prioritários para a gestão do Pazolini.
Sobre sua linha de atuação como líder, Piquet diz que vai sempre colocar o diálogo e a técnica acima de ideologias. “Não vou entrar em debates ideológicos, para defender uma pauta ou outra. [...] Não faço parte de polarização. Estou aqui para ampliar o diálogo, para melhorar a comunicação e para superar qualquer tipo de problema e entrave político que venha a se apresentar para que a demanda social seja atendida”, pontua o vereador, que se define como um político de centro-direita.
Além da liderança do governo, ele afirma que tende a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (a mais importante da Câmara).
E, a propósito de acúmulos, revela que, durante o exercício do mandato, não vai tirar licença da Polícia Civil e que vai acumular as atribuições e salários de vereador e delegado. Nesse caso, além de participar das sessões, reuniões de comissões e demais afazeres inerentes ao mandato parlamentar (e à própria função de líder), ele precisará cumprir uma carga horária de 40 horas semanais como delegado. Em valores brutos, manterá o subsídio de R$ 12.408,93 pelo trabalho na Polícia Civil e ganhará mais R$ 8.966,27 como vereador, perfazendo a soma de R$ 21.375,20.
Sobre planos eleitorais futuros, o delegado que agora representa o outro delegado na Casa afirma estar disposto a ser candidato a deputado estadual ou federal em 2022, pelo Republicanos, mas que esse, no momento, não é o seu foco.
Confira a entrevista completa de Leandro Piquet à coluna:

Após oito anos como delegado, por que o senhor decidiu disputar uma eleição, pela primeira vez, em 2020?

Como delegado e morador da Praia do Canto, me envolvi com a comunidade e comecei a atuar, voluntariamente, como um “consultor de segurança” do bairro. Eu era delegado e morava no bairro, onde continuo morando, então me aproximei naturalmente tanto da Associação Comercial como da Associação de Moradores. E comecei a fazer esse trabalho. Já tinha recebido, lá atrás, o convite do presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, para vir como candidato. Eu não tinha aceitado. Nunca foi o meu sonho ser candidato. Mas, em razão das circunstâncias do cenário e de diversos outros convites, honrei o compromisso com o Roberto Carneiro e me apresentei pela primeira vez como candidato. Eu me filiei no penúltimo dia do prazo para os pré-candidatos [3 de abril de 2020] e tive a grata surpresa de saber que o delegado Pazolini ia ser candidato à Prefeitura de Vitória pelo Republicanos.

Isso o estimulou ainda mais a ser candidato a vereador?

Com certeza. Você tem uma pessoa séria e preparada liderando um grupo à prefeitura. É realmente um estímulo e uma grande honra fazer parte desse grupo, que já tem nomes novos despontando na política. Como delegado, nunca trabalhei diretamente com o Pazolini, mas tinha ótimas referências internas sobre o trabalho dele. Então vim, comecei a fazer um trabalho. Fui abraçado pela Praia do Canto, o meu reduto. Mas as urnas comprovam que não sou só delegado da Praia do Canto. Sou delegado de Vitória, porque tive muitos votos em outros bairros. O único bairro onde não tive voto foi Resistência [na Grande São Pedro]. E cerca de um terço dos meus votos vieram da Praia do Canto.

As associações comercial e de moradores da Praia do Canto o apoiaram?

As associações são apartidárias. Mas os membros das associações, como pessoas físicas, nos ajudaram bastante.

E, uma vez eleito, como o senhor se tornou líder do prefeito na Câmara?

Eu me torno líder do prefeito por ser o único candidato do partido e da coligação eleito e por passar por algumas provas e alguns testes no meio da campanha que são naturais do processo, onde você tem que mostrar sua capacidade de diálogo, de superação à crítica e também mostrar sua lealdade perante o grupo. Acredito que fiz o dever de casa e passei essa mensagem muito positiva. Então sou abraçado pelo Pazolini, assim como o meu projeto, e ele me coloca nesse protagonismo.

E como será a sua linha de atuação como líder do prefeito na Câmara?

Não vou entrar em debates ideológicos, para defender uma pauta ou outra. Serei sempre técnico e vou me pautar pela técnica. Venho fazendo a defesa dos projetos do governo. É natural de um líder do prefeito que eu me posicione dessa forma. Mas, ao mesmo tempo, o prefeito tem consciência da minha autonomia, da minha independência e da minha lealdade. Então vou me pautar muito na técnica e defender as demandas que fazem bem à população e melhoram a qualidade de vida do cidadão capixaba. Esse é meu objetivo principal.

As primeiras sessões extraordinárias da Câmara neste mandato foram bem quentes e já deixaram evidente que há uma polarização no plenário, inclusive entre extremos ideológicos, claramente demarcados. O senhor pretende transitar bem entre os dois lados e fazer uma ponte inclusive com as duas vereadoras de esquerda e de oposição declarada a Pazolini (Karla Coser, do PT, e Camila Valadão, do PSOL)?

Não faço parte de polarização. Estou aqui para ampliar o diálogo, para melhorar a comunicação e para superar qualquer tipo de problema e entrave político que venha a se apresentar para que a demanda social seja atendida. Então o meu objetivo aqui é exatamente este: achar um meio termo. Não faço parte de extrema direita nem de extrema esquerda.

E como o senhor se define do ponto de vista ideológico?

Sou de centro-direita. Vou fazer a defesa de um governo que é um governo de direita, que é o meu ponto de vista ideológico, mas com bastante ponderação, com bastante diálogo e com bastante razoabilidade.

Em seu discurso de posse, o prefeito Pazolini enfatizou princípios como o diálogo e a participação popular nas decisões do seu governo. Ainda sobre as primeiras sessões para votação da reforma da Previdência municipal, houve muita polêmica e muitas críticas, sobretudo das vereadoras de oposição, quanto à maneira, segundo elas, apressada como essas votações foram realizadas, “sem o devido diálogo” com a sociedade e com representantes das categorias dos servidores municipais. Na sua opinião, faltou mesmo diálogo? Os projetos deveriam ter sido mais debatidos?

A reforma da Previdência é uma norma de reprodução obrigatória. E essa reprodução obrigatória foi feita agora em Vitória. Já deveria ter sido feita. Então é natural que as pessoas se preparem para esses temas que são mais polêmicos e difíceis de votar. O prefeito teve o cuidado, chamou todos os vereadores e explicou a norma de reprodução obrigatória, mas acho que é um dever de cada parlamentar estudar e verificar as normas federais, as normas estaduais e depois confrontar. Isso não demanda tanto tempo assim, se você já é conhecedor da matéria. Foi um projeto que chegou e teve uma necessidade rápida? Sim. Teve isso, a gente não esconde isso. Mas o parlamentar preparado já tinha conhecimento disso. E, ao se debruçar na matéria, você vê que até a questão da alíquota progressiva é benéfica, até para o servidor. E eu, como servidor público estadual, fiquei mais confortável até em votar, porque sofri os efeitos negativos da reforma da Previdência como servidor. Então, embora seja uma pauta negativa para o servidor municipal, só é negativa neste momento, porque garante a solvência da Previdência…

Então mais à frente o servidor vai concluir que a reforma acabará sendo algo positivo, uma vez que garante o pagamento da aposentadoria dele e a sobrevivência de um sistema hoje a ponto de quebrar?

Exato. A reforma garante a saúde da economia interna do município. Então é extremamente importante a gente aprovar esses projetos agora.

Melhor você ter uma Previdência agora, pagando uma alíquota maior, do que não ter Previdência alguma no futuro…

Exatamente. É melhor do que você acreditar que vai se aposentar e não vai receber… É melhor, para o servidor, que haja essa reforma agora do que ele deixar de receber no futuro. A Previdência municipal hoje não tem solvência. Além disso, essas mudanças eram não só necessárias como obrigatórias. Vitória já estava in mora. Imagine se os repasses federais e estaduais fossem cortados por não aprovação dessa reforma no prazo legal e a prefeitura tivesse que fechar serviços de assistência, escolas, postos de saúde…

O senhor deve assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça?

Essa é a tendência. É o que está mais ou menos desenhado. Coloco meu nome à disposição e acredito em minha contribuição, exatamente pela minha formação jurídica. E o meu papel é agir de forma técnica, porque a CCJ é um órgão que tem que responder tecnicamente, e não de maneira política.

Diferentemente da liderança do prefeito no plenário…

A liderança já é um trabalho político, que vou fazer extra sessões, extra reuniões das comissões.

Falando em acúmulo de funções, durante o exercício do mandato, o senhor não pretende deixar de ser delegado e de exercer as suas atribuições na Polícia Civil, inclusive com acúmulo de proventos. Explique-me, por gentileza, como é que será isso.

Na minha vida, a política é transitória. Não estou aqui para exercer a profissão de político. Então preciso exercer a minha profissão de delegado de forma simultânea. E a Constituição Federal prevê, até em função do salário do vereador, que a pessoa possa acumular com outros trabalhos. Isso é natural, e vários vereadores têm outro trabalho. Então a gente vai arrumar um processo de compatibilização de horários. E, sim, vamos acumular proventos para que a gente consiga garantir um bom estudo para os nossos filhos e uma boa renda.

Como é que ficará a carga horária? O senhor calcula que dará para cumprir quantas horas semanais como delegado?

Olha, como delegado terei que cumprir minhas horas semanais. São 40 horas semanais. Então vamos compatibilizar os trabalhos da delegacia com os trabalhos da Câmara. Estarei presente tanto nas sessões como nas reuniões de comissão. E realmente vou ter que me dedicar muito. Vou ter que trabalhar nos finais de semana, vou ter que trabalhar por mais de 12 horas por dia. E estou disposto a fazer isso, para mostrar exatamente essa diferença e fazer jus ao rendimento que vou ter.

E para o futuro? O senhor pensa em crescimento político? Qual é o seu plano eleitoral e o do seu partido para o senhor em 2022?

Faço parte de um grupo político e sou muito leal e compromissado a esse grupo. Então, se houver um convite para vir como deputado estadual ou federal, eu topo vir, porque vejo que minha contribuição social pode aumentar. Não tem nada definido, a gente acabou de entrar, não estou pensando nisso, minha visão agora é para o meu mandato de vereador. Mas, se no futuro eu tiver que assumir essa responsabilidade maior, eu topo vir.

Concursos, delegacias e passagens pelo governo estadual

Leandro Piquet é nascido e criado no popular bairro da Tijuca, no coração da capital do Rio de Janeiro. Cursou dois anos de Economia e formou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes (RJ) .

Foi aprovado no primeiro concurso que prestou, para o cargo de delegado da Polícia Civil do Espírito Santo. Em 2012, aos 30 anos, no primeiro governo de Renato Casagrande, mudou-se para Vitória ao ser nomeado para o cargo. Logo depois, enquanto ainda cursava a Academia de Polícia, chegou a ser aprovado em concurso para a Polícia Civil de Minas Gerais, mas optou por permanecer na capital capixaba, segundo ele, “pela qualidade de vida de Vitória e pelas circunstâncias de trabalho do Espírito Santo”.  

Começou no plantão da Delegacia de Cariacica. Em seguida, tornou-se titular da Delegacia de Crimes Eletrônicos com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas. Passou também pela Delegacia do Idoso, pelo setor de Inteligência da Polícia Civil, pela Delegacia de Investigações Especiais, pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, pela Delegacia de Homicídios e pela Delegacia da Praia do Canto. Durante as grandes manifestações de 2013, ajudou a montar as delegacias móveis e, em 2014, fez parte do Centro de Comando e Controle Regional durante a Copa do Mundo no Brasil.  

De 2015 a 2017, no último governo Paulo Hartung, foi diretor do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), segundo ele, “em um período altamente conturbado, com rebeliões que duravam anos”. “Conseguimos triplicar o número de adolescentes estudando, extinguir a rebelião em seis meses e ainda fazer uma economia de mais de 15% aos cofres públicos.” 

Na sequência, foi subsecretário estadual de Integridade, “fazendo o combate à corrupção de licitações e contratos administrativos”, sob a chefia do delegado federal Eugênio Ricas, hoje adido da Polícia Federal nos Estados Unidos. “Treinamos várias pessoas de vários Estados e demos palestras por todo o Brasil explicando a Lei de Combate à Corrupção.” 

Finalmente, com a saída do também delegado Fabiano Contarato, em abril de 2018, para ser candidato ao Senado, Piquet se tornou corregedor-geral do Estado, “com a árdua missão de evitar o desperdício e o desvio de dinheiro público e julgar os recursos dos policiais militares condenados pela Polícia Militar, em processos administrativos, no movimento paredista de 2017”. Ele recomendou a expulsão do Capitão Assumção da tropa. 

Miniperfil

Vitor Vogas

Correção

12/01/2021 - 11:10
No texto original desta coluna, publicado às 2 horas desta terça-feria (11), trocamos o DEM pelo PSDB na relação de partidos que formaram a coligação de Pazolini em 2020. A informação foi corrigida no primeiro parágrafo.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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