Após oito anos como delegado, por que o senhor decidiu disputar uma eleição, pela primeira vez, em 2020?
Isso o estimulou ainda mais a ser candidato a vereador?
As associações comercial e de moradores da Praia do Canto o apoiaram?
E, uma vez eleito, como o senhor se tornou líder do prefeito na Câmara?
E como será a sua linha de atuação como líder do prefeito na Câmara?
As primeiras sessões extraordinárias da Câmara neste mandato foram bem quentes e já deixaram evidente que há uma polarização no plenário, inclusive entre extremos ideológicos, claramente demarcados. O senhor pretende transitar bem entre os dois lados e fazer uma ponte inclusive com as duas vereadoras de esquerda e de oposição declarada a Pazolini (Karla Coser, do PT, e Camila Valadão, do PSOL)?
E como o senhor se define do ponto de vista ideológico?
Em seu discurso de posse, o prefeito Pazolini enfatizou princípios como o diálogo e a participação popular nas decisões do seu governo. Ainda sobre as primeiras sessões para votação da reforma da Previdência municipal, houve muita polêmica e muitas críticas, sobretudo das vereadoras de oposição, quanto à maneira, segundo elas, apressada como essas votações foram realizadas, “sem o devido diálogo” com a sociedade e com representantes das categorias dos servidores municipais. Na sua opinião, faltou mesmo diálogo? Os projetos deveriam ter sido mais debatidos?
Então mais à frente o servidor vai concluir que a reforma acabará sendo algo positivo, uma vez que garante o pagamento da aposentadoria dele e a sobrevivência de um sistema hoje a ponto de quebrar?
Melhor você ter uma Previdência agora, pagando uma alíquota maior, do que não ter Previdência alguma no futuro…
O senhor deve assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça?
Diferentemente da liderança do prefeito no plenário…
Falando em acúmulo de funções, durante o exercício do mandato, o senhor não pretende deixar de ser delegado e de exercer as suas atribuições na Polícia Civil, inclusive com acúmulo de proventos. Explique-me, por gentileza, como é que será isso.
Como é que ficará a carga horária? O senhor calcula que dará para cumprir quantas horas semanais como delegado?
E para o futuro? O senhor pensa em crescimento político? Qual é o seu plano eleitoral e o do seu partido para o senhor em 2022?
Concursos, delegacias e passagens pelo governo estadual
Leandro Piquet é nascido e criado no popular bairro da Tijuca, no coração da capital do Rio de Janeiro. Cursou dois anos de Economia e formou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes (RJ) .
Foi aprovado no primeiro concurso que prestou, para o cargo de delegado da Polícia Civil do Espírito Santo. Em 2012, aos 30 anos, no primeiro governo de Renato Casagrande, mudou-se para Vitória ao ser nomeado para o cargo. Logo depois, enquanto ainda cursava a Academia de Polícia, chegou a ser aprovado em concurso para a Polícia Civil de Minas Gerais, mas optou por permanecer na capital capixaba, segundo ele, “pela qualidade de vida de Vitória e pelas circunstâncias de trabalho do Espírito Santo”.
Começou no plantão da Delegacia de Cariacica. Em seguida, tornou-se titular da Delegacia de Crimes Eletrônicos com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas. Passou também pela Delegacia do Idoso, pelo setor de Inteligência da Polícia Civil, pela Delegacia de Investigações Especiais, pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, pela Delegacia de Homicídios e pela Delegacia da Praia do Canto. Durante as grandes manifestações de 2013, ajudou a montar as delegacias móveis e, em 2014, fez parte do Centro de Comando e Controle Regional durante a Copa do Mundo no Brasil.
De 2015 a 2017, no último governo Paulo Hartung, foi diretor do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), segundo ele, “em um período altamente conturbado, com rebeliões que duravam anos”. “Conseguimos triplicar o número de adolescentes estudando, extinguir a rebelião em seis meses e ainda fazer uma economia de mais de 15% aos cofres públicos.”
Na sequência, foi subsecretário estadual de Integridade, “fazendo o combate à corrupção de licitações e contratos administrativos”, sob a chefia do delegado federal Eugênio Ricas, hoje adido da Polícia Federal nos Estados Unidos. “Treinamos várias pessoas de vários Estados e demos palestras por todo o Brasil explicando a Lei de Combate à Corrupção.”
Finalmente, com a saída do também delegado Fabiano Contarato, em abril de 2018, para ser candidato ao Senado, Piquet se tornou corregedor-geral do Estado, “com a árdua missão de evitar o desperdício e o desvio de dinheiro público e julgar os recursos dos policiais militares condenados pela Polícia Militar, em processos administrativos, no movimento paredista de 2017”. Ele recomendou a expulsão do Capitão Assumção da tropa.