Cenas Políticas: o novo slogan de Assumção, o funk da Açaí, a Maria da Paz da Assembleia e muito mais
Bastidores
Cenas Políticas: o novo slogan de Assumção, o funk da Açaí, a Maria da Paz da Assembleia e muito mais
Aqui você encontra notas com os bastidores políticos que marcaram a semana no Espírito Santo. Tem secretário de governo com perfil técnico levando "banho de política". No Poder Legislativo, Enivaldo dos Anjos quase pariu um filho
Cartaz colado em veículos que participaram da carreata mostra Assumção segurando uma arma e slogan com cheiro de eleiçãoCrédito: José Carlos Schaeffer
Movimentos e discursos do deputado estadual Capitão Assumção (PSL), ao longo da última semana, deixaram uma certeza e uma pulga atrás da orelha.
A PULGA
Na carreata em apoio a Assumção realizada pelas ruas de Vitória neste sábado (5) de manhã, alguns dos carros levavam o mesmo adesivo, com a uma foto de Assumção fardado e apontando uma pistola prateada para cima, além da seguinte mensagem: “A Capital tá com o Capitão”. Soa como slogan de candidatura. Será que Assumção está cogitando lançar-se na disputa a prefeito de Vitória?
A CERTEZA
O deputado firmou bem os dois coturnos na oposição ao governo Casagrande na Assembleia. Sessão sim, a outra também, ele dispara críticas ao governo da tribuna, inclusive ao programa Estado Presente, carro-chefe do governo no combate à violência. “Estado Presente não existe. Estado Presente são reuniões semanais para discutir números, onde a vida não vale nada e onde as estatísticas são modificadas”, discursou o parlamentar do PSL, na última quarta-feira (2).
OS NÚMEROS OFICIAS
De acordo com o Observatório da Segurança Pública, mantido pelo governo estadual, o índice de homicídios dolosos tem caído sensivelmente no Espírito Santo. De janeiro a agosto deste ano, foram registrados 631 assassinatos. No mesmo intervalo do ano passado, foram 761. Queda de 17%.
Os aliados do prefeito estão compartilhando pelas redes sociais um funk composto por um apoiador, cuja letra parodia o clássico “Eu só quero é ser feliz”: “Eu só quero é ser feliz / E ter em minha cidade o prefeito que escolhi / E por ele eu vou lutar / Em respeito ao nosso voto, Daniel tem que ficar”
Seguimos o nosso passeio acima do Rio Doce: o governador Renato Casagrande recebeu o prefeito e vereadores de Alto Rio Novo no Palácio Anchieta, na última quinta-feira. A cidade fica na Região Centro-Oeste do Estado. O que mais chamou a atenção foi a presença do deputado estadual Marcelo Santos (PDT), o que reforça uma percepção e indica outra: ex-futuro secretário de Esportes de Casagrande, Marcelo está afinadíssimo com a atual administração. Além disso, pode estar querendo expandir sua capilaridade eleitoral. Em 2018, ele obteve módicos dois votos na cidadezinha vizinha de Colatina.
CAMATA A TIRACOLO
Também na quinta-feira, Casagrande fez uma rápida passagem por Alfredo Chaves, no Litoral Sul, para entregar equipamentos e inaugurar uma quadra poliesportiva. Nesse caso, a presença que chamou a atenção na comitiva foi a do secretário estadual de Controle e Transparência, Edmar Camata (também do PSB). Primeiro porque Camata é de Vila Velha; segundo, porque as entregas, a princípio, nada têm a ver com a secretaria dele, uma “pasta meio”.
Edmar Camata (seta) participa de inauguração de quadra poliesportiva com Renato Casagrande, em Alfredo ChavesCrédito: Hélio Filho/Secom
“BANHO DE POLÍTICA”
Os dirigentes do PSB têm planos grandes para o secretário, se não para a eleição do ano que vem, certamente para as seguintes. Alguns falam em lançá-lo a prefeito de Vila Velha. Pelo visto, a ideia de Casagrande é tirar Camata do gabinete de vez em quando para lhe dar um “banho de política”, a fim de quebrar a sua imagem hoje estritamente técnica.
As últimas sessões da Assembleia Legislativa foram marcadas por tensão, mas também por alguns momentos divertidos. Presidindo um momento da sessão, o deputado Adilson Espindula (PTB) chamou Hudson Leal (Republicanos) para discursar na tribuna deste jeito: “Deputado Hudson Leal, futuro prefeito de Vila Velha”. Hudson se diz mesmo pré-candidato, mas deve ter ficado acanhado com a forma de tratamento. Declinou da palavra.
O PARTO DE ENIVALDO
Na terça-feira (1º), o líder do governo Casagrande, Enivaldo dos Anjos (PSD), estranhou-se um pouco com Rafael Favatto (Patri), que tem votado contra o Executivo. Mas, para aliviar a tensão, “ficou de bem” com o adversário: “Vai que eu tenho um parto aqui e preciso de você...” Favatto é obstetra e ginecologista.
No momento da votação do projeto do governo que cria uma fundação para gerir hospitais estaduais, Marcelo Santos e Euclério Sampaio (sem partido), dados a fanfarronices em plenário, declararam o voto de maneira inusitada: “Bancada dos sem partido vota sim”, anunciou Euclério. Marcelo emendou: “Na condição de liderado do líder do governo, mas também da bancada lado B, encaminho voto sim”.
A MARIA DA PAZ DO PLENÁRIO
Falando em “marcelices”, o deputado tem chamado a deputada Raquel Lessa (PROS) de Maria da Paz em plenário. É referência à protagonista da novela “A Dona do Pedaço”, interpretada por Juliana Paes. Qual é a semelhança? A origem. Raquel é de São Gabriel da Palha, cidade governada por ela no passado. Como já publicou o colunista Leonel Ximenes, a cidade fictícia onde a personagem teria nascido se localiza exatamente no ponto em que fica São Gabriel no mapa.
Raquel Lessa e Maria da PazCrédito: Reinaldo Carvalho e GZ
JANETE: PRECONCEITO IDEOLÓGICO”
Concebido pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, o projeto que cria a fundação iNOVA para gerir hospitais foi aprovado por 21 votos a 5, após sofrer muitas críticas de oposicionistas, como Vandinho Leite (PSDB). Após a aprovação da matéria, a deputada Janete de Sá (PMN) saiu em defesa do secretário. Disse que ele tem sofrido preconceito ideológico só por ser do PCdoB e por ter feito a sua formação em Medicina em Cuba.
GANDINI ALFINETA VANDINHO
Governista como Janete, Gandini (Cidadania) alfinetou Vandinho: “Tem deputado aqui que ora quer ser liberal, ora quer ser conservador”.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.