Terminadas as eleições, o assunto em voga sempre é esse: vamos voltar à paz nos grupos de famílias, de bairros, de trabalho, de Igreja. Fato é que terminamos as eleições com a corda esticada, população descontente, e com estradas e quartéis revestidos de manifestantes. Para vencermos esse cenário, vamos precisar de três coisas: tempo, diálogo e consciência. Dos três, o time pode ser o mais estratégico, para que os outros entrem em campo.
Mas, que paz precisamos promover para o país pacificar? Crescemos tendo em mente que a paz tem tudo a ver com tranquilidade, serenidade. Se estamos num ambiente calmo, sentimos paz. Mas se recorrermos aos sinônimos de paz, damos conta de que o sentido e o conceito dela podem ir além. O substantivo equivale a “relação entre pessoas que não estão em conflito; acordo, concórdia”. Relação tranquila entre cidadãos; ausência de problemas, de violência. Paz pode significar o bom funcionamento da justiça.
Que paz precisamos promover para o país pacificar? Inútil querer a paz sem, antes, erradicar as causas que produzem violência e guerra. Inútil querer a paz sem erradicar o vazio de consciência política, as avalanches de informações deturpadas, os hiatos do sistema. Inútil querer a paz sem dar conta da desigualdade, do bom senso e da capacidade intelectual das pessoas. Inútil querer a paz sem antes superar os preconceitos raciais e contra homossexuais, as discriminações étnicas e religiosas, e o medo à liberdade.
Que paz precisamos promover para o país pacificar? Precisamos nos avizinhar dos nossos barulhos, das nossas questões, da nossa civilização. Precisamos nos colocar na dimensão mais sensata da vida que não nos apresenta salvadores da pátria. Precisamos revisitar a história. Precisamos desejar o desejo de paz, renunciando as razões que sempre queremos ou achamos que temos. Precisamos nos desarmar não só dos fuzis e metralhadoras, mas nos desarmar das nossas mentalidades, das nossas opiniões, das nossas verdades.
Que paz precisamos promover para o país pacificar? Essa paz não tem nome próprio, mas tem condições e condicionantes para existir. Pacificar um país dividido e tensionado não será com a “paz” que encontramos no lago, no sítio, no resort, não é essa paz. Se trata de uma paz que nos desinstala, nos incomoda, nos tira dos cômodos onde estamos locados e nos faz conversar com os diferentes como gente e não como intransigentes.
Que paz precisamos promover para o país pacificar? Paz!