Começo o artigo de hoje com uma pergunta: quem gosta de propaganda? Você gosta? Você está vendo um vídeo, ouvindo música, assistindo um programa, e de repente entra um anúncio. Quem gosta de ser “invadido” dessa forma? As perguntas que baseiam nossa reflexão de hoje permeiam as cadeiras da faculdade de muitas formas. A transformação da propaganda e a invasão dela no cotidiano é e sempre será objeto de estudo e pensamentos, porque o principal objetivo da propaganda é atrair, reter e converter públicos a partir de uma mensagem.
Nos tempos recentes, um termo vem aparecendo com evidência: storytelling. O que ele significa? Numa tradução clara e concisa, significa narrativa. Prefiro a tradução nua e crua que carrega um sentimento e um sentido: história. Essa técnica, ou se preferir, essa forma, ou ainda ferramenta, se dá na arte de contar histórias. As pesquisas comprovam: propagandas que contam histórias, que possuem narrativa, convertem mais. Mas, por quê?
As histórias possuem força para nos aproximar de uma realidade, comover e deixar uma lição. Esses três objetivos atravessam, horizontalmente, todo o objetivo de uma comunicação, de uma propaganda, ou pelo menos, deveriam atravessar. Por hora, quase sempre, pensamos que para contar histórias, precisamos talvez de alguém falando, uma câmera, microfone, um cenário. A resposta é: não precisamos disso necessariamente. Histórias são contadas com sequência, disposição de imagens, expressão, e até por formas.
Me lembro certa vez quando, ainda na faculdade, uma professora nos levou a uma exposição de Portinari. E disse assim: olha, hoje vamos à exposição para aprender sobre esse artista. E eu pensava: "Mas como? Na exposição tem quadros. Aprender sobre Portinari nos quadros? Bom, vamos lá". Chegamos, entramos e começamos a peregrinar pela exposição e pela narrativa. A forma como os quadros foram expostos contava uma história silenciosa, e no final saímos de lá com uma lição.
O grande desafio da comunicação, nesse momento de avalanche de informações, é sobretudo descobrir um novo jeito de fazer a propaganda acontecer. Atravessar da propaganda-anúncio para uma propaganda que conte histórias, deixe lições e atraia com sentido e sentimentos. Pensar que isso é possível do pequeno ao grande, da menor à maior marca, cada uma na sua realidade e com a sua história. As propagandas precisam de mais “stories”, não necessariamente aqueles que ficam apenas 24h no ar, mas “stories” (histórias) que deixem marcas, façam sentido.
Contar mais histórias na propaganda pode ser uma forma da propaganda mudar a história. Conte histórias, boas histórias!