"Alegria, Alegria" é uma canção composta por Caetano Veloso dentro do movimento tropicalista em 1967. Nela temos uma expressão que faz sentido para os dias de hoje: “Quem lê tanta notícia?”. Uma pesquisa recentemente desenvolvida pelo Digital News Report, do Instituto Reuters e da Universidade de Oxford (Inglaterra, Reino Unido), realça que de cada 100 brasileiros, 54 evitam saber das notícias no seu cotidiano, porque estão cansados. Realça ainda a pesquisa que estes já têm motivos suficientes para estarem tristes, não pretendem obter novas razões. Detalhe: em 2019 eram 34% apenas os que apresentavam esse comportamento.
A pesquisa nos faz recorrer à teoria da comunicação quando destaca o efeito narcotizante da notícia. Em tempos de grande fluxo de informações trazidas pelos meios de comunicação, sobretudo de massa, há sempre o que dizer sobre todos os seguimentos sociais. Estar exposto a tudo isso gera consequências ruins, ainda que não sejam percebidas pelo público. A “disfunção narcotizante”, esse excesso, é uma espécie de perturbação no funcionamento do mass media e acaba levando as pessoas a perderem a sensibilidade frente às questões apresentadas.
Segundo divulgado, os pesquisadores ingleses condicionam esse índice alto de pessoas que não querem ler notícias ao momento que vive o Brasil, que ainda padece com a pandemia e com o custo de vida elevado. O Brasil em si se tornou uma fadiga. Por outro lado, “no Japão, onde a qualidade de vida é mais estável, só 14 de cada 100 evitam notícias. Dinamarca e Finlândia contam 20%, enquanto na Alemanha esse índice é de 29%”. (Meio Mensagem)
A partir desses dados, poderíamos aqui levantar inúmeros desdobramentos no que diz respeito ao comportamento das pessoas com as notícias. Talvez levantar um ponto de reflexão sobre esse “excesso” que faz os brasileiros não lerem notícias. Então, se não leem, creem no que ouvem dizer? Então, poderemos destacar que esse excesso tem dedo da era da desinformação, com as fake news? São muitos os fatores em questão. Por outro lado, lança-se para nós, da comunicação, uma pergunta: que fazer em meio a tudo isso?
As estatísticas da pesquisa e do relatório elucidam consequências da nossa forma de fazer comunicação?! As notícias não mais interessam a mais da metade dos brasileiros. Estamos falando mais do mesmo? Como sair desse lugar? Como mudar essa realidade? Usar o digital, a escuta, transformar pautas, eis o desafio que nos é apresentado.