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Despedida

Navio fantasma dá adeus ao Porto de Vitória e vai virar sucata em SC

Após dez anos atracado, o Iron Trader seguiu para o complexo portuário de Itajaí; operação foi finalizada por voltas das 13h; veja vídeo

Públicado em 

17 abr 2025 às 17:14
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Os apitos na baía de Vitória, o último deles em frente ao Convento da Penha, marcaram  a despedida do navio Iron Trader do Porto da Capital, onde estava atracado há dez anos. A embarcação turca de bandeira panamenha, que chegou a ser denunciada por contrabando de armas, segue com o auxílio de dois rebocadores para o complexo portuário de Itajaí, em Santa Catarina, onde será convertido em sucata.
A operação para a sua retirada do berço 902 do Cais de Capuaba, em Vila Velha, foi iniciada por volta das 10 horas. A chuva não impediu que movimentação da equipe da Vports e dos rebocadores fosse acompanhada por curiosos e diversos barcos ao longo da baía e no calçadão da Beira-mar.
Ao meio-dia começaram os trabalhos de movimentação do Iron Trader, manobras realizadas por quatro rebocadores e que o acompanharam até a saída do canal. Às 13 horas ele passou pela Terceira Ponte, encerrando sua estadia forçada na área portuária desde 2015.
Um total de 20 pessoas participaram da operação. A saída do navio  também foi monitorado pela Polícia Federal.

Percurso

O trajeto até o porto catarinense deve durar sete dias, com uma velocidade de navegação de quatro nós, o que equivale a menos de 8 quilômetros por hora. O coordenador de Serviço de Tráfego de Embarcações da Vports, Agostinho Sobral, explicou ele seguirá com dois rebocadores, um deles na frente, efetivamente puxando o Iron Trader, e o outro, na retaguarda, fazendo o apoio e monitoramento.
Não haverá transporte de passageiros, carga ou qualquer tipo de combustível para minimizar os riscos. Um ‘tow master’, um comandante especializado foi contratado para liderar a operação de reboque do início ao fim da travessia. Também foi viabilizado um serviço de acompanhamento meteoceonográfico foi contratado para informar as condições climáticas e de navegabilidade, em tempo real, além de um seguro marítimo especializado
Em agosto de 2020, o Iron Trader foi penhorado em favor da Sudeste Soluções Ambientais Eireli. O valor desembolsado foi de R$ 400 mil para pagamento de encargos trabalhistas dos tripulantes. A decisão foi do juiz trabalhista Marcelo Tolomei Teixeira, da 7ª Vara do Trabalho de Vitória.
Por meio de nota, a Sudeste Soluções Ambientais afirma que, desde que foi arrematado, o navio vinha recebendo vigilância privada permanente, durante 24 horas, além da manutenção necessária, sob a supervisão da Vports. A empresa também destaca que não tinha conhecimento de qualquer fato ilícito em que, no passado, o Iron Trader esteve envolvido.

As armas e o Boko Haram

Entre as denúncias que envolveram o Iron Trader, antes de ser penhorado, estava o contrabando de armas e munições até para o grupo terrorista Boko Haram, da Nigéria, em cuja costa ele teria ficado retido entre janeiro e novembro de 2014, antes de seguir para Vitória. Em relato à Justiça do Trabalho, um dos tripulantes declarou que dois colegas chegaram a ser presos naquele país.
No Brasil, um auditor da Receita Federal fez a identificação de uma carga de munição que estaria armazenada em 27 caixas de madeira e endereçadas à Benners’s International – Comando General del Ejercito – SMA – Montevideo.
Mas a tripulação relatou que, ao atracarem na cidade portuária nigeriana de Harcourt, a carga teria sido retida pelas autoridades locais por informações equivocadas do que havia no container. Esperava-se 100kg de explosivos e 800kg de cartuchos, mas haveria somente cartuchos. O comandante e o superintendente ficaram presos por 37 dias.
No Brasil, o navio foi inspecionado diversas vezes, por autoridades variadas, incluindo peritos, e as armas e munição não foram localizadas. A Justiça do Trabalho concluiu que a situação envolvendo o navio resultou na exposição das vidas em razão do abandono do navio pelo proprietário e pelo armador, com a necessidade de intervenção das autoridades brasileiras para que os tripulantes recebessem assistência humanitária e o navio atracasse para desembarcar a carga e seus tripulantes.

Atualização

18/04/2025 - 4:28
Esta coluna foi atualizada com nota enviada pela Sudeste Soluções Ambientais, empresa que arrematou o navio em leilão.

Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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