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Vilmara Fernandes

Júri de ex-vereador é alvo de disputa 14 anos após crime no ES

Crime foi em Sooretama e seria julgado em Linhares, mas MP pediu a transferência para outro local argumentando que o cenário afeta a imparcialidade dos jurados; defesa contesta e diz que seu cliente vai ser absolvido em qualquer cidade

Publicado em 23 de Junho de 2026 às 03:30

Públicado em 

23 jun 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Júri popular
Arte: Geraldo Neto

Marcado para esta terça-feira (22), o júri do ex-vereador de Sooretama, Edson Izidoro Ferreira Campos, foi adiado e se transformou em uma disputa judicial 14 anos depois do crime. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) quer transferir o julgamento de Linhares para outra cidade, um processo de desaforamento contestado pela defesa do ex-parlamentar.


Na ação, as acusações contra o réu são de associação criminosa armada e tentativa de homicídio contra Bruno Constantino. Os crimes ocorreram em 2012, em Sooretama, em um suposto contexto de outros assassinatos que estariam vinculados a um cenário de vingança familiar.


Edson é o único do grupo que ainda não sentou no banco dos réus. A organização denunciada pela promotoria era composta por mais cinco pessoas; destas, quatro foram condenadas por ambos os crimes e uma, apenas por associação criminosa.


Para justificar a mudança de local do júri, o MPES pondera que o caso teve forte repercussão em vários municípios do Norte do Estado, com destaque para Linhares e Sooretama, além de Colatina, onde o réu foi parlamentar e atualmente atua como professor e empresário.


A promotoria argumenta que a transferência é necessária para garantir a imparcialidade dos jurados. Aponta a intimidação de testemunhas e destaca que um dos acusados chegou a prestar depoimento afirmando que temia por sua vida. “Consta, ainda, dos autos a notícia de seu posterior desaparecimento e possível morte, circunstâncias que evidenciam a gravidade do contexto criminal examinado”, diz o texto ministerial.


À Justiça, o MP relatou ainda que os julgamentos dos demais acusados foram transferidos para Colatina, por determinação do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). “Aliás, em relação ao acusado Edson Izidoro Ferreira Campos, tais circunstâncias se mostram ainda mais intensas, uma vez que ele é apontado como líder e mandante da organização criminosa investigada”, informa em seu texto.


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Defesa contesta


No processo, Edson é representando pelo advogado Augusto Martins Siqueira dos Santos, que se manifestou contrário à troca de cidades para o júri, descartando os pontos levantados pelo MP. 


De acordo com o advogado, os processos tramitam nas cidades em que ocorreram os fatos, pois somente a sociedade é capaz de julgar de forma sóbria o que lá ocorreu.


Em nota, informou que “confia plenamente nos jurados e na sociedade de Linhares quanto à seriedade e honestidade para proferir o julgamento de um fato sério e polêmico". 


Assinala ainda que em qualquer cidade, o seu cliente será absolvido. “Em razão da verdade e provas existentes no processo, sendo que, a cada dia a sociedade tem entendido mais e mais como lidar com justiça de forma séria e imparcial”, pontua Siqueira dos Santos.


O crime


A tentativa de assassinato contra Bruno Constatino, ocorrida em 2012, segundo o MP envolve diversos homicídios consumados e tentados que são atribuídos ao mesmo grupo criminoso. 


Crimes que teriam ocorrido nas cidades de Linhares, Sooretama e Jaguaré, a partir do ano de 2008, em um cenário de vingança pelo assassinato do pai de Edson, o sargento aposentado da PM Valdir Ferreira Campos.


A vítima era suplente de vereador pelo PSDB, havia assumido o mandato e estava em campanha para reeleição. O ataque contra ele ocorreu durante um evento político, tendo sido baleado com sete tiros ao subir ao palanque. Valdir chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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