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Vilmara Fernandes

Ex-jogador será julgado no ES por morte de jovem de 17 anos

Júri nesta quarta-feira (26) é pelo assassinato ocorrido em Vitória, por dívida de tráfico; defesa nega qualquer participação do ex-jogador de futebol de areia no crime

Publicado em 25 de Agosto de 2026 às 03:30

Públicado em 

25 ago 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes
Fórum Criminal de Vitória
Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly

Caminhava para o final da tarde de 2011 quando a jovem de 17 anos, Raíra Timoteo Correa, foi atingida por vários disparos de arma de fogo. O assassinato teria sido motivado por uma dívida de tráfico. Pelo crime, ocorrido em Caratoíra, Vitória, um ex-jogador de futebol de areia vai sentar no banco dos réus nesta quarta-feira (26). 


A denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informa que o homicídio foi praticado por duas pessoas. Uma delas é o ex-jogador Eduardo do Nascimento Oliveira Santos, o Dudinha, que, após o crime se mudou para o Rio de Janeiro, onde atuou em times como Botafogo, segundo depoimento prestado à Polícia Civil.


Ele foi acusado de homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, em concurso de pessoas, por ter ajudado ou participado. A defesa dele nega todas as acusações (veja abaixo).


O outro é Felipe Almeida dos Santos, o Chaves, o autor dos disparos, que acabou sendo morto em março de 2012. A motivação seria uma dívida de drogas de R$ 200 da vítima, que seria uma usuária.


A denúncia informa que Eduardo e Felipe teriam surpreendido Raíra para matá-la. E que os dois teriam fugido após o crime.


A sentença de pronúncia, que levou Eduardo a júri, informa sobre a existência de elementos suficientes para demonstrar que ele é suspeito de envolvimento no crime. “Tendo auxiliado o autor dos disparos ao vigiar o local e permanecer ao lado dele durante os fatos, inclusive no momento da fuga”, relata o texto.


A mesma decisão relata que ele confirmou depoimento anterior, prestado na presença de seu pai, onde informou que, a pedido de Felipe, ficou vigiando quem descia pela escadaria. “Ocasião em que Felipe chamou a vítima para conversar sobre dívida de drogas e efetuou cerca de quatro disparos de arma de fogo contra a mesma, saindo ambos correndo do local após o ocorrido”, é dito na sentença.


O júri popular acontece a partir das 9 horas, no Fórum Criminal de Vitória.


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Defesa aponta outro cenário 


O ex-jogador é representado pelo advogado Alexsandro Camargo Silvares, que nega qualquer participação de seu cliente no crime, acrescentando que, atualmente, ele é microempreendedor, casado, pai e mora em São Paulo.


“O Ministério Público aponta que, por estar no local, ele participou do crime. Isto não aconteceu. Eduardo não colaborou, não auxiliou, não vigiou, não deu fuga, não contribuiu de nenhuma forma que levasse à morte de Raíra”, assinala Silvares.


Ele relata que o crime aconteceu quando Eduardo tinha 18 anos. “Ele auxiliava a escola de futebol do pai, Antônio Eduardo Oliveira Santos, o Duda Brasil. Na época tinham muitos alunos e o Felipe era um deles”.


Segundo o advogado, apesar de ter encontrado Felipe no dia do crime, Eduardo não tinha envolvimento com o tráfico e não sabia que Raíra seria morta. “Quando o fato aconteceu, ele correu junto com outras pessoas.”


Cinco meses após o assassinato, ele recebeu uma proposta e foi para o Rio de Janeiro onde atuou em alguns times. “Quando a polícia o intimou, veio prestar depoimento, colaborou com a investigação e com todas as etapas do processo. Ele vai participar do júri, mesmo sabendo que, em caso de condenação, pode ser preso. Mas ele quer apresentar o seu relato do que aconteceu, o que demonstra a boa-fé dele”, assinalou o advogado.


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